SIMON WIESENTHAL, NONAGENÁRIO

Uma vida de luta contra o esquecimento



Simon Wiesenthal, o implacável perseguidor de criminosos nazistas, completou 90 anos em 31 de dezembro passado, sendo que os últimos cinqüenta anos foram marcados por sua contínua luta contra a impunidade e o esquecimento do Holocausto.

“Justiça, não vingança”, com estas palavras Wiesenthal justifica sua atividade. No seu escritório em Viena, Áustria, sua vida transcorre entre uma avalanche de documentos que culmina sua tarefa contra os nazistas, e acrescenta: “Com o meu trabalho tenho procurado sempre dissuadir os assassinos de amanhã”.Nascido em 31 de dezembro de 1908 em Buczacz, Galícia, que então pertencia à monarquia de Habsburg e que hoje faz parte da Ucrânia, Wiesenthal estudou e estabeleceu-se como arquiteto em Praga em 1932.

Exerceu a profissão de arquiteto e engenheiro durante alguns anos até que em 1941, durante a ocupação alemã, foi detido, conseguindo sobreviver a doze campos de concentração até ser libertado, pelas tropas norte-americanas, do campo de extermínio de Mauthausen. 

Durante sua permanência nos campos de extermínio, conseguiu anotar os nomes de cada um dos criminosos nazistas que participaram do genocídio e uma vez libertado dedicou-se exclusivamente à caçá-los, primeiro com a colaboração dos aliados e depois sozinho.

Em 1947 fundou em Viena o Centro de Documentação Judaica, que foi fechado em 1957, devido à política estabelecida na “Guerra Fria”, que não autorizava a divulgação dos crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.Wiesenthal localizou em 1954 o criminoso nazista Adolf Eichman, em Buenos Aires e passou esta informação ao Centro Yad Vashem e ao Governo de Israel, cujas autoridades, a princípio, mostraram-se muito cépticas. Eichman, o homem que planejou o genocídio em massa de milhões de judeus, foi finalmente preso em 1960, extraditado para Israel e executado após o famoso julgamento em 1961.

Naquele mesmo ano, Wiesenthal reabriu o Centro de Documentação com o apoio de doações do mundo inteiro e criou dentro deste o departamento chamado “Associação Judaica de perseguidores do regime nazista”.Um dos mais famosos casos desvendados por Wiesenthal, além de Eichman, foi o de Karl Silberbauer, que deportou Anne Frank para o campo de concentração, tendo sido descoberto em 1963 quando trabalhava como inspetor de polícia em Viena.

Outros criminosos fugitivos da justiça tiveram a mesma sorte: Franz Stangl, temido comandante do campo de morte de Treblinka, capturado em 1967 no Brasil, e Josef Schwammberger, comandante do “ghetto” de Przemysl, preso em 1987.Em 1977, na Yeshiva University de Los Angeles, foi fundado o “Centro do Holocausto Simon Wiesenthal”, que em seguida abriu sedes no Canadá e em Paris.Mais tarde, em 1979, o Escritório Especial de Investigações nos Estados Unidos (OIS) compartilhou com Wiesenthal informações sobre pessoas suspeitas de haverem participado do genocídio. Em 1989 causou grande comoção a declaração da OIS, segundo a qual, o presidente austríaco Kurt Waldheim havia colaborado com os nazistas durante a guerra.

Wiesenthal reagiu, de acordo com seus princípios, estabelecendo que o presidente austríaco sempre esteve informado das atividades dos crimes nazistas porém não se podia provar sua participação direta.

“Este século terá um nome: o "século do crime", disse Wiesenthal na televisão austríaca por ocasião de seu aniversário.Nestes intensos noventa anos de vida, o “caçador de nazistas” como é mais conhecido, participou direta e indiretamente na captura e processamento de 1.100 criminosos da guerra nazista.


          Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B´rith do RJ

   




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