MEMÓRIA


PRONUNCIAMENTO DE SUA MAJESTADE,
O REI JUAN CARLOS

No final de agosto de 1991, a Embaixada Espanhola entregou o seguinte pronunciamento de Sua Majestade, o rei Juan Carlos, em papel timbrado e pessoalmente assinado.

Em 1992, a Espanha comemora o Sefarad' 92, um evento que apresenta um significado especial para o povo espanhol, assim como para o judaico, cujos antepassados foram obrigados a deixar a Espanha em 1492, uma terra que amavam e onde sua cultura floresceu por tantos séculos. Esse aniversário é uma boa ocasião para considerar o impacto negativo da intolerância e do preconceito, sentimentos que prevaleciam naquela época na Europa e, antes de mais nada, é uma oportunidade para demonstrar o louvor à idade de ouro dos judeus espanhóis.

A poesia de Iehudá Halevi, as inovações científicas e filosóficas de Maimônides, e a profunda contribuição para a astronomia dada por Abraão Zacuto, só para citar uns poucos nomes, estão inscritos com letras douradas nos livros da literatura, filosofia e ciências. Devemos também lembrar o exemplo da tolerância e convivência específica dado pelas comunidades judaica, cristã e islâmica em Toledo, que fez com que esta cidade fosse um dos centros de cultura mais extraordinários nos séculos XII e XIII.

Este livro também contribui para a nossa história comum com um capítulo muito importante e não muito conhecido. Por meio de relatos pessoais, ficamos sabendo como foram preservadas muitas vidas judaicas durante a Segunda Guerra Mundial, quando milhares de judeus estrangeiros obtiveram abrigo na Espanha ou receberam asilo nas embaixadas espanholas de todo o mundo. Embora esses episódios possam ser considerados um paradoxo histórico, considerando a situação da Espanha naquela época, eles não causam, na verdade, muita surpresa, pois tiveram sua origem numa ligação histórica profunda.

A Expulsão dos judeus em 1402 não cortou o elo entre a Espanha e o mundo judeu. A cultura judaica foi mantida viva na Espanha, graças às famílias criptojudias, e fora dos limites da península, primeiro na bacia mediterrânea e nos Bálcãs, e mais tarde nos territórios espanhóis na América do Norte e na América do Sul. Quando a Espanha levou sua língua e cultura para o Novo Mundo, os serfaditas espalhados difundiram sua cultura nos cantos mais distantes do globo, um legado ao qual o povo espanhol deve ser agradecido e do qual deve se orgulhar.

Ainda lembro, com grande emoção, a recepção calorosa que a rainha Sofia e eu recebemos em 1987, no templo serfadita em Los Angeles, o qual marcou o reencontro oficial entre a coroa espanhola e alguns dos seus irmãos mais amados. Desde aquela altura, o povo espanhol e judeu redescobriram o melhor aspecto do seu passado comum; meu filho, o príncipe de Astúrias, teve o prazer de conferir o prêmio Humanidades, que conserva seu próprio nome, à comunidade sefardita.

Finalmente quero demonstrar meu agradecimento a Trudi Alexy por sua contribuição decisiva ao melhor entendimento das nossas duas comunidades ao escrever um livro que certamente constituirá um descoberta no ano que se comemora a descoberta do Novo Mundo.

 Assinado: Sua Majestade, rei Juan Carlos I


Fonte: A Mezuzá nos Pés da Madona
Trudi Alexy
Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B'rith do RJ

 

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