MEMÓRIA


EM MEMÓRIA DAS CRIANÇAS EXTERMINADAS DURANTE A SHOAH

Evocamos em várias ocasiões a difusão de livros anti-semitas no Japão, mas a iniciativa do Reverendo Makoto Otsuka, de quem falaremos aqui, está bem longe disto.

Na prefeitura de Hiroshima, ele abriu em 1995 um centro de Ensino do Holocausto dedicado à memória de um milhão e meio de crianças exterminadas durante a Shoah.

Makoto Otsuka pertence a uma ordem religiosa protestante para a qual "não pode existir paz no mundo enquanto não houver paz em Jerusalém". Passou um ano em Israel estudando o hebraico e a história judaica. Lá, encontrou sobreviventes do holocausto e descobriu o horror vivido pelo povo judeu.

Há 26 anos conheceu Otto Franck, pai de Ana Franck, que lhe disse: "A paz virá com um melhor conhecimento mútuo". Neste dia ele compreendeu que devia fazer algo para perpetuar a lembrança das crianças exterminadas durante a Shoah e fazer conhecer aos seus concidadãos esta parte da História do Mundo que até então lhes era desconhecida.

Foi assim que nasceu o Centro de Fukuyama, perto de Hiroshima, outro lugar marcado pela tragédia deste século.
Matsuko Otsaka tomou esta decisão há três anos e o centro, cuja entrada é gratuita, nascia um ano depois. "As pessoas aqui nada sabiam a respeito do que aconteceu ao povo judeu - decidi construir este centro de informação: organizamos seminários, recebemos escolas, ministramos cursos aos professores. desde a abertura, recebemos 16.000 visitantes, 200 escolas nos mandaram seus alunos. É preciso educar as jovens gerações" - diz ele.
Ele reconhece que os japoneses têm uma tendência a esconder o que é negativo no seu passado.
Desde a abertura do centro, ele tem que responder a numerosas perguntas de professores que querem saber como explicar a Shoah aos seus aluno. Ele está quase surpreso com o interesse que o Centro provoca. Três sobreviventes vivem no Japão - 10.000 pessoas assistiram há algumas semanas a conferência de um deles.

Matsuko Otsaka encontrou-se com Elie Wiesel em Hiroshima e este lhe escreveu com freqüência, encorajando-o em seu projeto.

Estima que nestes últimos tempos circulam no Japão menos livros anti-semitas e que os livros sobre a Shoah estão agora disponíveis. Outro fato positivo: A lista de Shindler foi projetada no país.

Está convencido que a cristandade veiculou, durante séculos, um anti-semitismo profundo e que já é hora de fazer um mea culpa. "Ultrapassar os preconceitos, saber o que aconteceu e o fazer conhecer" - é o lema de Makoto.

Para que os visitantes possam tocar de perto a tragédia, ele está à procura de qualquer objeto que tenha pertencido a uma criança deportada. Ele espera que famílias que possuam tais objetos lhe confiem alguns para serem expostos.
Entrem em contato:
REVERENDO MATSUKO OTSAKA
Holocaust Education Center, 866 Nakatsuhara
Miyuki, Fukuyama-City
Hiroshima pref.790, Japan

Fax&tel: 81/849.55.8001
Email
hejcon@urban.or.jp

 

Extraído e traduzido do artigo de Claude Meyer -
Actalité Juive - nº 525
Enviado por Leon M. Mayer

 

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IRENE SERRA
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