MEMÓRIA

            
A Sinagoga de Cavaillon, um patrimônio reconhecido

 

Após a idade média, os judeus da França foram banidos, sendo obrigados a trocar cidades maiores por refúgios mais seguros na Provença. A partir do século XVII, muitos foram viver no Condado Venaissin, perto de Avignon, hoje chamada Vaucluse.
Esse condado havia sido cedido ao Papa, pela monarquia Francesa, no século XIII. Paradoxalmente, embora impondo condições severas aos judeus, o Pontífice os protegia. Confinou-os em pequenos guetos em Avignon, onde residia, em I'lsle-sur-Sourgue, Carpentras e Cavaillon.

Em 1624, a comunidade judaica de Cavaillon, com duzentas pessoas, era a menor de todas, vivendo no gueto de "La Carrière" (termo provençal que significa "rua"). Na realidade, os judeus de Cavaillon começaram a construir sua primeira sinagoga em 1453. Parte da mesma ainda sobrevive, como uma torre ao lado norte da construção presente. Em 1772, com o nome de Contadine, a sinagoga foi magnificamente reconstruída.

Belíssima, Cavaillon está dividida em três níveis: o mais baixo, era usado antigamente para o ritual de lavagem das mãos (netilat yadaim), devido à proximidade de um poço profundo. Nesse nível, encontra-se até hoje um forno para assar matzá. Em contraste, os dois níveis superiores têm uma decoração luxuosa, denotando a influência da elegante comunidade provençal da época. Esculpida pelos melhores artesãos de Cavaillon, entre os quais, os famosos irmãos Amelins, a fachada sul tem um par de terraços, um dos quais serve como entrada para a rua Hebraïque.

Em 1772, foi feito um maravilhoso trabalho de gesso interno e externo, muitas vezes folheados a ouro. Todos os lambris de madeira internos seguem o estilo rococó da época, nas cores azul, cinza e amarelo, e as paredes num suave tom de rosa.

Na parte inferior, entre as duas colunas neoclássicas, voltada para Jerusalém, está a área do tabernáculo, onde eram guardados os rolos da Torá. No teto, a decoração, com flores e fitas, lembra a sinagoga de Carpentas. Esse lindo interior só podia ser apreciado pelos homens; as mulheres ficavam no andar escuro de baixo, durante as rezas, não podendo ser vistas nem ouvidas.

Em 1791, a sinagoga foi fechada pois os judeus de Cavaillon foram para outras regiões da Europa atrás de seus direitos civis.


Em busca do patrimônio


Em 1924, a sinagoga de Cavaillon foi tombada como monumento histórico municipal.

No início do século 20, a família Jouve, que morava perto da sinagoga, quais preservar esse patrimônio, que já se deteriorava, e empreendeu o trabalho de conservação e documentação.

Em 1963 foi inaugurado o Museu, que abriga as coleções de livros descobertos nos anos 30 pelos Jouve, assim como outros objetos de culto belíssimos: tefilim, rimonim, mantas da Torá.

Em 1987, depois de sua mais recente restauração, a sinagoga foi aberta para cerimônias de casamento e barmitzvot.

Cavaillon é o símbolo da reconstituição da memória, sem a qual não se vive, demonstrando que mais do que reconstruir fechadas, é importante o trabalho de documentação sistemática.

O patrimônio cultural é uma ação em profundidade. É o que nossos ancestrais nos transmitiram, é o que transmitiremos aos nossos filhos. A Sinagoga de Cavaillon resplandece em toda sua magnífica edificação, sendo um exemplo de herança perpétua.

Museu e Patrimônio de Cavaillon: 52, Place Castil Blaza, tel: 90-76-00-34.
Sinagoga de Cavaillon e Museu Constandine: Rua Hebraïque - Lieu de Menoire.

 

Fonte: Morashá
Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B'rith do RJ

 

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