MEMÓRIA

        
       Ricardo Deli Ivanov

       
A HISTÓRICA SINAGOGA DE WORMS
Tranqüila cidade foi centro da vida intelectual judaica

      

Não é todo dia que temos uma visão como essa. Uma singela e rústica construção de pedra no final de um pátio. Janelas altas, grande telhado, a estrutura ostenta uma serenidade guerreira, revelando um pouco de seu passado histórico.

O prédio em questão é a bela Sinagoga Rashi, em Worms, Alemanha.

Visitada como ponto turístico e religioso pelos judeus, seu nome é uma homenagem a um ilustre acadêmico, Rabbi Solomon ben Isaac - mais conhecido como Rashi - que chegou em Worms em 1060, estudando durante cinco anos na Sinagoga. Na época, a cidade era o centro da vida intelectual judaica.

O prédio é uma réplica de uma das mais antigas Sinagogas da Europa - célebre o suficiente para estar relacionada entre as mais famosas do mundo, incluída no Museu da Diáspora de Israel.

A PEQUENA JERUSALÉM

Worms é chamada carinhosamente por seus habitantes de "A Pequena Jerusalém". Símbolo das raízes judaicas, a Sinagoga Rashi está situada em uma tranqüila cidadezinha de Frankfurt, conhecida também por ser o local do mais velho cemitério judaico da Europa.

Logo na entrada da Sinagoga, podemos ver a placa dedicatória fundamental com a data 1034 gravada. Por dentro do velho prédio, um simples porém bem arrumado santuário com uma grande menorah de metal e uma arca de pedra. Alguns podem dizer que não é exatamente a arquitetura original de uma Sinagoga da época, mas sem dúvida alguma é uma fiel e bela reconstituição.

Memso não tendo uma comunidade judaica estabelecida em Worms, a Sinagoga de Rashi é muito visitada, principalmente por judeus de Frankfurt, Mannheim e Heidelberg, que a utilizam em eventos e ocasiões especiais. Segundo habitantes, quase toda semana pessoas a visitam para cultos.

EXPOSIÇÕES

Logo no próximo recinto, podemos ver a sala de yeshiva. Ao lado, em outra mais estreita, também fielmente reconstruída, uma mesa de madeira com oito cadeiras. Em uma das pontas, uma cadeira de pedra como a usada pelo estudante Rashi na época. Próximo à sala de estudos está a pequena Rashi House, um pequeno museu com várias exposições. Entre elas, objetos, documentos e fotos da história dos judeus em Worms, incluindo um mapa do quarteirão judaico existente na época de sua construção.

Em outra exposição, fotos de judeus de Worms durante a era Nazista. Ironicamente, esse mesmo local foi ponto de assembléias de deportação para campos de concentração. Durante o Holocausto, 500 judeus da região foram mortos - a partir daí a comunidade não mais conesguiu se restabelecer.

A última palavra na turnê por Worms é certamente o cemitério judaico, localizado a oeste do centro da cidade. Passando o portão de metal, vemos uma larga e arborizada área com diversos túmulos de tamanhos variados enfileirados. Alguns na altura do chão, outros mais acima, na colina.
Os visitantes costumam se emocionar com o local, pois a área é tida como intocada pelos nazistas, resistindo aos séculos de história.

A tranqüila cidade de Worms na Alemanha torna-se, então, um agradável local para um passeio histórico em busca das raízes de nosa comunidade.

 

Enviado por Leon M.Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da
B'nai B'rith do RJ

 

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