MEMÓRIA

           

  Avi Benlolo

        

JUDEUS DO IMPÉRIO OTOMANO

       
Os fortes laços de Israel com a Turquia originam-se do relacionamento histórico entre judeus e muçulmanos durante o Império Otomano. Portanto, não é coincidência que ambas as nações recentemente abriram canais diplomáticos comprometendo-se a uma ação conjunta de iniciativas militares. 

Nos últimos cinco séculos o Império Otomano turco era o abrigo para centenas de milhares de judeus Sefaradis e Europeus que fugiam da perseguição. Os judeus eram acolhidos pelas regiões e países pertencentes ao Império, incluindo a África do Norte os Balcãs, o Egito, a Grécia, a Iugoslávia, a Bulgária, Eretz Israel e a própria Turquia. 

Expulsos da Espanha em 1492, milhares de judeus fugiram embarcando em navios que os levaram para diversos destinos. Muitos, ansiosamente, aceitaram o oferecimento feito pelo Sultão Bayezid II para se integrarem à vida do Império Otomano. 

Numa época em que o Catolicismo rejeitava com veemência o Judaísmo, os muçulmanos encorajavam a emigração judaica. Bayezid II fez questão de favorecer a entrada de judeus e ordenou aos seus governantes para acolhê-los cordialmente. 

Expressando sua opinião sobre a expulsão da Espanha, Bayezid II havia declarado na ocasião: "Chamam Ferdinando de rei sábio, ele empobrece seu pais, para enriquecer o nosso!" 

Era evidente que os otomanos sabiam dos benefícios potenciais da emigração em massa. Aceitavam os judeus parcialmente por interesses econômicos, dentes de que os judeus da Espanha eram altamente qualificados, educados e grandes homens de negócios. 

A imprensa escrita, trazida para Istambul em 1493, por dois irmãos refugiados da Espanha é um exemplo da sofisticação que os judeus introduziram no Império Otomano. 

Muitos consideravam que o Império Otomano lhes proporcionava o portão de entrada para a Terra de Israel. Ainda assim os judeus rapidamente se adaptaram ao renovado sentimento de liberdade e continuaram a se desenvolver culturalmente, financeiramente e espiritualmente. 

Citamos como exemplo um dos documentos mais sagrados que apareceu no império, (com a ajuda da imprensa escrita) o Shulchan Aruch de Rabbi Joseph Caro. Publicado em 1564, continha o código de leis sefaraditas.

Uma outra figura importante na vida dos judeus otomanos do século XVII foi Shabbetai Zevi, o falso Messias que vivia em Smima e depois converteu-se ao Islamismo. 

Os principais centros dos judeus otomanos sefaraditas foram Istambul, Smima, Safed e Salônica. Em 1900 a comunidade de Istambul contava aproximadamente 300.000 judeus. 

De acordo com um informante, nascido na Turquia, a vida judaica tomou-se mais difícil durante a Segunda Guerra Mundial. "Os judeus eram considerados cidadãos de segunda classe", disse ele. 

Ele lembra que quando era criança seus pais lhe contavam como os turcos invadiram as casas usurpando-lhes de todos os preciosos bens e pertences. Sua família eventualmente conseguiu fugir para Israel em 1948 somente com a roupa de corpo. 

Estima-se que 24.000 judeus ainda hoje vivem na Turquia. A comunidade em Istambul mantém uma escola primária para 300 estudantes e uma secundária para 250. Além disso existem dois hospitais israelitas para atender as comunidades de Istambul e Smima. Ahrida, uma das sinagogas mais antigas da Turquia, data do século XV, encontra-se em Istambul e sua bimá tem o formato de um navio. A tradição diz que simboliza a Arca de Noé ou então dos navios otomanos que outrora trouxeram os sefaradim da Espanha. 

Infelizmente, nos tempos atuais, o relacionamento de Israel com a Turquia foi mais de uma vez ameaçado, inclusive, mais recentemente com referência às acusações da captura do líder curdo Abdullah Ocalan e em 1986, em Istambul, o masssacre na sinagoga de Neve Shalom.

            

Extraído de The Canadian Jewish News 
Traduzido por Lise Barochel
Enviado por Leon M.Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B'rith do RJ

 

 

Editoração e Coordenação
IRENE SERRA
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