Discurso do Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu
na Assembléia Geral Das Nações Unidas em 24/09/98

        


Eu, como primeiro ministro de Israel, represento um estado que teve sua criação imaginada, encorajada e defendida tanto pela Liga das Nações quanto pelas Nações Unidas, 80 anos atrás.

Este extraordinário reconhecimento da comunidade internacional confirmou o que povo judeu já sabia e sentia há dois milênios:
- que o laço entre o Povo de Israel e a Terra de Israel é eterno,
- e que o renascimento do Estado Judeu na Terra de Israel era um dever histórico.

Tanto religiosos como não-religiosos viram o renascimento do Estado na Terra de Israel, como um milagre moderno, como a visão dos profetas hebreus.

Desde que este milagre ocorreu, nós temos esperado que ele venha acompanhado do cumprimento de outra profecia bíblica:

"Nações não deverão levantar a espada contra outras nações, nem deverão conhecer mais a guerra."

Foi neste espírito que os fundadores de Israel, 50 anos atrás, estenderam a mão da paz para nossos vizinhos na Declaração de Independência.

Agora, meio século depois, vendo com orgulho a realização extraordinária de nossa nação, estamos determinados a completar o ciclo da paz a nossa volta.

Nenhum povo sofreu mais do que o povo judeu com a guerra e a violência.
Ninguém deseja mais a paz do que nós.

Eu sei que esta não é a idéia corrente sobre nós. Eu, pessoalmente, sou freqüentemente acusado de não desejar a paz.

Nada pode ser mais distante da verdade. Eu estive nos campos de batalha. Eu vi meus companheiros caírem.

Eu tenho dois filhos pequenos em casa. Eu desejo um futuro livre da guerra, um futuro de paz para eles e para as crianças palestinas.

Nós queremos a paz, para nós e para o povo palestino, cujo sofrimento prolongado foi uma das conseqüências cruéis das guerras empreendidas contra nós.

Nós pretendemos fazer dolorosas concessões pela paz. Esperamos que os palestinos estejam prontos também, para fazerem as concessões necessárias.

O que está em jogo, são nossas vidas juntas em uma terra muito pequena. E não há razão para não sermos capazes de viver juntos.

Afinal, nós somos filhos e filhas de Abraham.

Ao procurarmos a paz, nós naturalmente encontramos crises e empasses, frustrações e obstáculos. Mas somente a negociação pode resolver nossos problemas.

Um efeito que não seja resultado de negociações é um convite ao conflito contínuo. Negociações acompanhadas de violência e ameaças de violência são um convite ao fracasso.

A opção da violência deve ser totalmente descartada e repudiada permanentemente.

A paz só será alcançada se considerarmos o apelo feito por dois grandes líderes, o último presidente do Egito Anwar Sadat e o primeiro ministro Menachem Begin.

Em Jerusalém, 21 anos atrás, eles declararam: "Mais nenhuma guerra. Mais nenhum derramamento de sangue."

O acordo por eles selado, foi um marco crucial na mudança do perfil da nossa região. Ele beneficiou ambos os países e trouxe esperança para todos nós.

Assim como a paz com a Jordânia, um modelo de paz para todos nossos vizinhos.

A contribuição do rei Hussein para a paz, sua devoção para o avanço de nossas relações e seus esforços em ajudar o processo de paz com os palestinos, tem sido inestimável.

Em nome do povo de Israel, e tenho certeza que em nome de todos vocês, eu desejo mandar ao rei Hussein sinceros votos de uma rápida e pronta recuperação.

Nós também podemos alcançar um bem-sucedido acordo de paz com os palestinos

Mas para que esta paz resista, ela deve ser baseada em dois princípios:

O primeiro é a segurança. A paz que não puder ser defendida não durará. Esta é a lição central do século XX.

Como primeiro ministro do único estado judeu, eu tenho que assegurar a capacidade de Israel de se defender, independente das críticas e incompreensão, dos que não participam desta responsabilidade.

O segundo princípio de uma paz durável, é a reciprocidade. Somente acordos honrados por ambas as partes podem ser bem sucedidos.

O acordo entre Israel e os palestinos é baseado numa simples equação: Os palestinos recebem a jurisdição do território onde vivem.

E em troca, eles previnem ataques terroristas destes territórios contra Israel.

Israel tem cumprido sua parte no acordo. 100% dos palestinos em Gaza, 98% dos palestinos na Judéia e Suméria , conhecida como Faixa Ocidental, estão vivendo sob as regras palestinas.

Eles desfrutam dos atributos de seu próprio governo: sua própria bandeira, seu sistema executivo, legislativo, judiciário e sua força policial.

Não se pode mais reclamar que os palestinos são dominados por Israel. Nós não governamos suas vidas.

Mas não podemos aceitar uma situação na qual nossas vidas sejam ameaçadas por eles.

Isto é de suprema importância para nós, no momento em que nos aproximamos do recuo de tropas.

O território que estamos negociando é virtualmente inabitado por palestinos. No entanto, esta terra é o cenário onde milhares de anos da história judaica estão gravados.

E ele tem fortes implicações com a segurança de Israel. Lembrem: Israel em seu ponto mais largo tem 50 milhas e deve ceder toda faixa ocidental, esta extensão ficaria reduzida a uma distância como deste prédio ao aeroporto de La Guardia.

Repartir um milimetro quadrado desta terra, é angustiante para nós. Cada pedra, cada morro, cada vale ressoa com os passos de nossos antepassados:

Da origem da civilização judáica passando pelos profetas e reis bíblicos, sábios, eruditos e poetas de Israel até os dias de hoje.

Ainda no espírito do compromisso e reconciliação, nós concordamos em transferir para a jurisdição palestina parte desta terra santa, desde que os princípios de segurança e reciprocidade fossem mantidos.

Isto significa que Israel irá garantir seu direito de defesa e que os palestinos irão cumprir seu compromisso de evitar,em primeiro lugar e antes de tudo, a violência e combater o terrorismo.

No acordo de Oslo e Hebron, a Autoridade Nacional Palestina e seu presidente Arafat concordaram em desmantelar a infra-estrutura terrorista, prender e levar a julgamento terroristas.

Eles concordaram em coletar e desfazer-se das armas ilegais, prender e entregar assassinos procurados, e reduzir o número de policiais palestinos ao estabelecido em Oslo.

Eles concordaram em pôr fim na viciosa propaganda diária da televisão oficial palestina, que exorta crianças de cinco anos de idade a se tornarem soldados suicidas. Esta educação é para guerra, não para paz.

E eles concordaram em invalidar a Carta Palestina, o que só pode ser feito pelo Conselho Nacional Palestino.

Esta Carta Palestina, que ainda é encontrada em livros e na Internet, promove a destruicão de Israel pela luta armada, um eufemismo para terrorismo.

Eu digo aos meus parceiros palestinos: Escolham a paz! Lutem pela paz! Vocês não podem falar da paz e tolerar o terrorismo.

O terrorismo que ameaça nossa paz, é também um cancêr global. Muitos líderes hoje entendem isto, como deixou bem claro o presidente Clinton.

Mas o que faz o terrorismo ser tão perniciosamente arraigado no Oriente Médio, é que os terroristas invocam uma fanática e destorcida interpretação do Islã, e que é muito distante do Islã esclarecido.

Nós não temos nenhuma desavença com o Islã. Esta é uma das maiores religiões do mundo,a qual nós respeitamos e admiramos por suas doutrinas e ensinamentos.

Mas o fanático terrorismo islâmico é uma traição à religião.

Ele não ameaça somente a nós, ele também abala a sociedade e os governos árabes. Ele ameaça a paz mundial.

Mas para o terrorismo ser derrotado, terroristas devem ser punidos e detidos.

E o apoio que eles desfrutam em várias regiões deve desaparecer.

Esta é a única maneira do terrorismo diminuir e ser finalmente arrancado de nossas vidas.

Sr. Presidente

A eliminação do terrorismo irá indubitavalmente levar a prosperidade à nossa região.

Nós prevemos um mercado baseado na economia regional entre Israel, Jordânia e a Autoridade Nacional Palestina.

Nós estamos retirando as barreiras ao comércio, eliminando a burocracia, e promovendo negociações comerciais entre as partes.

A ausência de violência permitirar-nos, palestinos, jordanianos, egípcios, sírios, libaneses e israelenses, alcançar um padrão e qualidade de vida agora considerado inimaginável.

Uma vez concluídas as conversações correntes, nós iremos iniciar as negociações para o acordo final com a Autoridade Palestina

Há uma ano atrás eu insisti em começar estas negociações, mas minha proposta foi rejeitada.

Agora, esta fase está muito atrasada. Mas como Yitzhak Rabin observou, nenhuma data prevista no Acordo de Oslo foi cumprida.

O fracasso em se encontrar prazos finais não pôs fim ao acordo.

Os acordos de Oslo não são apenas sobre definições de prazos. Seu propósito essencial é alcançar um acordo de paz através das negociações.

Uma arbitrária e unilateral declaração do estado Palestino, negligenciando este propósito, constituiria numa fundamental violação do Acordo de Oslo. O que causaria um completo colapso do processo.

Eu insisto em que a Autoridade Nacional Palestina não tome este caminho.

Tais ações iriam inevitavelmente levar a uma resposta unilateral de nossa parte.

Esta atitude, não será boa nem para os palestinos, nem para os israelenses, nem para a paz.

Nós temos que continuar a negociar seriamente, incansavelmente, até que um acordo final de paz seja alcançado. Não o faremos de outra forma.

Eu prevejo um acordo permanente baseado em um claro princípio:

Para que esta paz aconteça, os palestinos devem o poder de governar suas vidas, mas não o poder de ameaçar as nossas.

Eles terão o controle de todos os aspectos de sua sociedade, tais como a lei, religião e educação; indústria, comércio e agricultura; turismo, saúde e previdência social.

Eles podem prosperar e progredir.

O que eles não podem fazer é pôr em perigo nossa existência.

Nós temos o direito de assegurarmo-nos que a entidade Palestina não se tornará uma base para forças hostis.

Os territórios que cedermos não poderão se tornar um abrigo terrorista, nem uma base para forças estrangeiras.

Nem poderemos aceitar a ameaça mortal de armas como misseis anti-aéreos nos colinas acima de nossas cidades e campos de aviação.

O grande desafio da permanente negociação é:

Alcançar uma paz durável que irá equilibrar o auto-governo palestino e a segurança de Israel. Eu repito: Este equilibrio só poderá ser alcançado, não por declararações unilaterais, mas através de negociações e somente negociações.

Nós desejamos negociar a paz com o Líbano tanto quanto com a Síria.

Seis meses atrás anunciamos a iniciativa de cumprir a resolução 425 do Conselho de Segurança.

Israel está preparado para retirar-se do sul do Líbano se forem tomadas providências para garantir a segurança da população civil em ambos os lados da fronteira.

Agora nós nos encontramos na bizarra situaçãode propor nossa retirada de um país árabe e encontrar uma resistência árabe em negociar esta retirada.

Mas nos mantemos esperançosos.

A paz com a Síria e o Líbano irá completar o círculo de paz com nossos vizinhos mais próximos.

Mas a conquista de uma paz duradoura nesta região requer que os existentes perigos que ainda ameaçam Israel, sejam expurgados.

Tanto o Irã quanto o Iraque continuam se empenhando em conseguir armas não convencionas e mísseis balísticos de alcance estratégico.

O Irã já testou mísseis teleguiados.

O Iraque declarou que não irá mais aceitar inspeções, determinadas pelas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao seus programas não convencionais.

Estas revelações ameaçam não somente Israel, mas todas as nações.

Em mãos de governos traiçoeiros do Oriente Médio, armas de destruição em massa tem um papel muito mais ameaçador a paz mundial do que qualquer coisa do passado.

Deixar que posturas esquivas de alguns líderes destes regimes conduza-nos a inação, é repetir o pior erro deste século.

O que é preciso, é uma ação conjunta internacional para prevenir desastres.

Esta assembléia foi constituída para fazer isto. E se é para cumprir as expectativas de seus fundadores, ela tem que ser bem mais competente em distinguir entre fanáticos agressores e futuras vítimas.

As Nações Unidas podem ajudar encorajando a reativação dos comitês multilaterais concebidos na conferência de Madri.

Voltando-se para questões tais como: desenvolvimento econômico regional, controle de armas, refugiados, água e meio ambiente, estes comitês podem produzir os blocos da construção da paz.

Mas em última análise, estas decisões cruciais devem ser tomadas pelos próprios povos do Oriente Médio. Eles devem decidir se a região continuará sendo uma arena para o terrorismo e a guerra, ou se ela se tornará uma plena participante de uma pacífica e próspera economia global.

Cooperação e paz podem conferir ao Oriente Médio um papel na condução do mundo no próximo milênio.

Violência, terrorismo e guerra irão assegurar a estagnação e a miséria.

Nós sabemos qual escolha nós queremos para nossas crianças. Eu e minha esposa esperamos que quando nossos filhos forem maiores, sua única disputa com meninos palestinos, egípcios, jordanianos e sírios, seja em campos de futebol e em debates comunitários.

É característico do povo judeu viver com esperança.

É o nome do nosso hino.

Foi isto que nos fez possível, a despeito de perseguições sem pararelo, contribuir para o progresso humano nos últimos 4000 anos.

E isto é refletido na oração que proferimos nesta semana do ano novo judáico.Nós estendemos a nossos vizinhos e a todos vocês, o desejo de nossa eterna capital Jerusalém, a cidade da paz:

"Possa o ano e suas maldições terminar; e um novo ano e suas bençãos começar."

Shaná Tová.

Enviado por Leon Mayer - B'nai B'rith RJ
Traduzido por Meriane Goldberg




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