Roberto Ring
    

No Oriente Médio, paz à mesa

        
Vivi em Israel durante cinco anos quando fiz meus estudos na Academia de Música da Universidade de Tel Aviv. Depois disto tenho voltado freqüentemente a este país, onde tenho grandes amigos.

Israel é um país que, desde a sua fundação, passa por conflitos com seus vizinhos. Guerras e atentados terroristas são infelizmente freqüentes em uma triste história de ódios e tensões, que permeia a vida cotidiana dos povos do Oriente Médio.

Em Israel, o povo é altamente politizado, discussões acaloradas acontecem no supermercado, correio, ônibus, em toda parte. A política tem presença marcante no cotidiano das pessoas.

Apesar das diferenças políticas, muitos se surpreendem ao constatar que a gastronomia israelense está absolutamente adequada à região: a culinária típica de Israel é a do Oriente Médio, com pratos que nós, no Brasil, costumamos chamar de comida árabe.

É isto mesmo, a comida típica de Israel, apesar dos conflitos com os países vizinhos, está perfeitamente inserida no mapa gastronômico da região. Em todos os lugares, pequenos quiosques vendem o sanduíche mais típico e popular da região, o Falafel. Pitas (pães árabes) recheados com bolinhas fritas de massa de grão de bico e favas acompanhadas de saladas podem ser vistas nas mãos de operários, soldados, estudantes, na Estação Rodoviária, na Universidade assim como nos Shopping Centers __ ou na Avenida Dizengoff, no centro de Tel-Aviv.

Outra iguaria muito consumida na região é o homus, pasta de grão de bico que alcança freqüentemente status de "delicatesse" gastronômica: muitos lugares garantem que fazem o "melhor homus do Oriente Médio", conforme expressão local.

Tel Aviv, a moderna metrópole israelense, engloba a antiga Jafa. Uma parte da cidade velha foi reconstituída e organizada para receber turistas. Dos restaurantes e galerias de arte do Oriente Médio que conheci, o Yunes. Estive aí diversas vezes e inclusive fui convidado a jantar, após concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, pela direção da orquestra - junto com famosos regentes e instrumentistas.

Quando vão a qualquer lugar do mundo a maioria dos artistas quer conhecer lugares típicos, que realmente mostrem algo da autêntica cultura local. Ao visitarem Israel, os solistas internacionais que se apresentam com esta prestigiosa orquestra querem conhecer algo autentico. Kurt Masur - entre outros.

O Yunes não passa de um barracão, com teto de zinco. A suas mesas, cobertas com toalhas de papel, os garçons vão trazendo, sem fazer muitas perguntas, todas as iguarias características da culinária árabe: homus ( pasta de grão de bico), labane (coalhada seca), babaganuch (pasta de beringela com gergelim), beringelas assadas, bolinhos de falefel (fritos, feitos com pasta de grão de bico e favas), entre outras. Tudo isto é comido com muito azeite de oliva, e como prato principal, principalmente grelhados servidos no espeto e a kafta de carne de carneiro ou bovina além de diversos tipos de peixe como o St. Peter e o Lokus.
Eu habitualmente peço uma iguaria encontrada em poucos lugares: bolo de carne moída refogada em tahine. Vem com um molho forte, um pouco pesado, mas maravilhoso. Uma delicia!

Ao final, seguindo a grande tradição de hospitalidade, eles servem um café árabe, maravilhosamente perfumado com cardamomo.

 

Enviado por Leon M. Mayer
 




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