VARIEDADES

        

SOBREVIVENTE PROCESSA A FRANÇA 
PELA DEPORTAÇÃO DE SEUS PAIS

     

Um sobrevivente do holocausto, Jean Jacques Fraenkel, de nacionalidade francesa e que mora na cidade de Victoria, BC, no Canadá, processou a França por ter seqüestrado bens e propriedades que pertenciam à sua família, sob o governo Vichy, durante a segunda guerra mundial.

O processo foi aceito pelo Tribunal de Paris e um magistrado fará a revisão do arquivo até o final do ano em curso, antes de definir o processo. Esta é a primeira vez que um indivíduo processa o estado francês.

O Sr. Fraenkel, de 68 anos de idade, quer reparos por danos morais e propriedades que foram roubadas de seus pais assassinados nas câmaras de gás em Auschwitz, como também para milhares de famílias judias na mesma situação.

O consultor internacional contratado iniciou um caso sem precedente demonstrando que o governo francês tornou possível o roubo e o assassinato dos pais do Sr. Fraenkel, Roger e Jeanine Fraenkel.

"Foram funcionários públicos franceses que prenderam e entregaram meus pais aos alemães, foram também funcionários franceses que roubaram todas as propriedades de minha família. O nosso apartamento em Parc Monceau foi lacrado e os móveis e quadros confiscados.

Após a guerra, os órfãos de guerra, entre muitos eu e a minha irmã, recebemos o montante grotesco de F. 18,60 (cerca de $5,00) mensais até a idade adulta. Como compensação pela morte dos nossos pais recebemos cada um cerca de F. 1.000,00 ($250,00). A França destruiu a minha família e ela tem que assumir a culpa.

A França até hoje se recusa a devolver aos herdeiros os bens e propriedades confiscadas e espoliadas dos judeus que morreram no holocausto. O Estado Francês até hoje detém propriedades e bens de cerca de 8.000 a 10.000 descendentes. Os objetos confiscados se encontram nos museus, o apartamento que era dos meus pais até hoje pertence à cidade de Paris e o dinheiro continua nos cofres dos bancos franceses.

O Sr. Fraenkel publicou uma autobiografia em 1997 intitulada "L’Abus de Confiance" (O Abuso de Confiança).

Quero justiça por todo o mal que foi feito aos meus pais. O meu pai era um patriota francês fervoroso e que sempre serviu o seu país com grande lealdade. Ele foi o primeiro cirurgião dentista francês, formado pela Universidade de Paris, era um oficial de reserva do exército e recebeu com 35 anos o título de Cavalheiro da Legião de Honra. Foi preso pela polícia francesa em 12 de abril de 1941, internado no campo de Royaldieu, perto de Campiègne e deportado para Auschwitz em 27 de março de 1942. Morreu nas piores condições em 20 de maio de 1942. Simultaneamente à época em que foi preso, chegaram na minha casa duas cartas: uma dizia que o "dentista de origem estrangeira" de agora em diante estava totalmente proibido de exercer a sua profissão e a outra que ele tinha sido removido da lista dos oficiais do serviço público.

Depois que Roger Fraenkel foi preso, a sua esposa Jeanine fez parte da resistência e prestou relevantes serviços de espionagem contra os nazistas. Foi denunciada, presa e deportada para Auschwitz, onde morreu nas câmaras de gás.

Após o desaparecimento de seus pais, o Sr. Jean Jacques e irmã Josette Fraenkel ficaram separados e escondidos até que a França foi liberada.

O Sr. Fraenkel diz que já contatou as organizações judaicas francesas mas não obteve nenhuma receptividade à sua reclamação. Lamenta a indiferença dessas organizações, considerando que os principais presidentes do tempo da guerra não sobreviveram até o final do Shoah.

"Eles temem que um passado sujo venha a tona, não gostam de chamar atenção, porque têm medo de uma nova onda de anti-semitismo. A minha luta não os interessa".

Fonte: The Canadian Jewish News/1998

 

 

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IRENE SERRA
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