VARIEDADES


     
Jane Bichmacher  de Glasman


B"H

AMOR, PAIXÃO E AMIA


Hoje é dia de lembrarmos AMIA.

AMIA e o trágico atentado. Que nos faz lembrar do ódio.

Ódio que atingiu alvos indiscriminados, posto que definidos.

Foi um atentado contra judeus – mas que matou mais que judeus, não judeus, e muitos católicos, especificamente. Ou tão inespecificamente como sempre sói destruir a metralhadora giratória e inclemente do ódio.

AMIA, a palavra, lembra Amor. Amor lembra Paixão.

Paixão relembra amores e sofrimentos. Inútil tentar desvinculá-la de Pathos.

O que é paixão? Deixemos que nos ajude o velho e bom Aurélio*:

"1. Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão". Ironia das palavras – lógus, que deveriam conduzir à lógica, se encontrando na antítese do sentimento passional! Esta definição de paixão, descreve igualmente o sentimento odioso, que destrói! Confirmada em "8. Arrebatamento, cólera" , levando a "7. Desgosto, mágoa, sofrimento"...

Paixão, que em "10. O martírio de Cristo e dos santos" lembra um triste momento, judaico e cristão, que gerou um história de dois mil anos de tantos desencontros, a partir do que deveria ter sido em origem, e hoje, arduamente, através do diálogo interreligioso tentamos reescever e reinscrever na História um encontro, um diálogo de amor. Passional, sim – leviandade seria desconhecer ou olvidar o passado. Mas mais vão é construir muros de ódio se podemos tentar estabelecer pontes...

E no dia de hoje, como há seis anos atrás, uma triste ponte nos leva a um reencontro, na dor e na paixão. "9. Disposição contrária ou favorável a alguma coisa, e que ultrapassa os limites da lógica; (...) fanatismo, cegueira"...

Que este ato passional, que levou à morte, à destruição, à indiscriminação de vítimas a partir da discriminação, possa hoje unir em paixão "4. Entusiasmo muito vivo por alguma coisa" e "12. A expressão de sensibilidade (...); calor, emoção", todos nós, judeus e cristãos, e que possam hoje as velas de Shabat em todo o mundo serem acesas com o fogo da paixão. Luz que ilumine um futuro mais fraterno, de uma possível se desejada paz, como há uma semana o fizéramos por um movimento pela paz, que ilumine as trevas de um doloroso passado, e nos ilumine em prol de um futuro que reafirmando "esquecer, jamais", possa provar também que não esquecer não é mera decoreba, que podemos aprender com o passado, repensando-o no presente, numa vívida pedagogia de amor...

Desculpem as incorreções do texto: ele foi escrito com paixão....

*Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª ed., Editora Nova Fronteira,, RJ, 1986.


Colaboração de Jane Bichmacher de Glasman,
escritora, autora do livro À Luz da Menorá

 

                 

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