O diálogo ao serviço da paz e da reconciliação
No dia 26 de março, João Paulo II recebeu em
audiência os membros da Comissão Internacional
de Ligação Católico-Judaica. Ao agradecer a
deferente homenagem que lhe foi prestada pelo
Cardeal Cassidy, Presidente do Pontifício
Conselho para a União dos Cristãos, o Papa
dirigiu a todos este discurso:
"Prezados
amigos!
É
com prazer que acolho os membros da Comissão
Internacional de Ligação Católico-Judaica,
na ocasião em que estais reunidos em Roma para o
vosso XVI Encontro. A vossa Comissão contribuiu
muito para melhorar as relações entre as nossas
duas comunidades, favorecendo a reflexão
teológica e o diálogo sobre o sentido religioso
e as questões sociais. A Declaração Conjunta
emitida como resultado da vossa última sessão
assinala importantes convergências na
compreensão católica e judaica sobre a
família, que é o fundamento da sociedade.
Examinastes a visão bíblica da criação de
Deus, com as suas conseqüências para uma
apreciação da dignidade da pessoa humana e da
nossa responsabilidade para com o ambiente
natural.
O
progresso que já fizestes mostra o imenso
empenho sustentado pelo contínuo diálogo entre
judeus e católicos. Mas o vosso trabalho é
também um impressionante sinal de esperança
para um mundo marcado por conflito e divisão,
tudo isto muitas vezes fomentado no nome do
interesse econômico e político. Um empenho no
diálogo autêntico, conduzido num sincero amor
da verdade e numa abertura a todos os membros da
família humana, continua a ser o primeiro e
principal caminho para a reconciliação e a paz,
que o mundo necessita. Quando os crentes
considerarem os eventos na convicção de que
todas as coisas são finalmente governadas pela
Divina Providência, certamente desejarão
crescer de modo mais íntimo naquela abençoada
harmonia, que o Salmista compara ao precioso
óleo derramado sobre a cabeça de Aarão, ou ao
orvalho que desce sobre as montanhas de Sião
(cf. Sl 133).
Caros
amigos, oxalá o vosso presente encontro
descubra, de modo cada vez mais efetivo, como
tornar conhecidos e apreciados, pelos católicos
e judeus, os significativos progressos na
compreensão e cooperação mútuas, que foram
feitos entre as nossas duas comunidades. Sobre
vós e sobre o vosso importante trabalho, invoco
de coração as abundantes bênçãos
divinas."
JUDAÍSMO E CRISTIANISMO
da separação ao diálogo
Sendo
pois tão grande o patrimônio espiritual comum
aos Cristão e Judeus... o Concílio quer
fomentar e recomendar a ambas as partes mútuo
reconhecimento e apreço. Poderá ele ser obtido,
principalmente, pelos estudo bíblicos e
teológicos e ainda por diálogos fraternos. Haja
por isso cuidado, da parte de todos, para que,
tanto na catequese como na pregação da Palavra
de Deus, não se ensine algo que não se coadune
com a verdade evangélica e com o espírito de
Cristo. (Declaração Nostra Aetate § 4).
De
modo especial, a catequese e a Liturgia evitarão
juízos desfavoráveis a respeito dos judeus. É
para desejar que tanto os recursos de formação
doutrinárias como as celebrações litúrgicas
ponham em relevos os elementos comuns a judeus e
cristãos... as festas cristãs de Páscoa,
Pentecostes e as orações da Liturgia,
especialmente os Salmos, têm a sua origem na
tradição judaica. (Orientações para os
católicos no relacionamento com os Judeus § 7).
Considerações
sobre o Diálogo Católico-Judaico
Conforme vocês
sabem, a B'nai B'rith-RJ,
através de sua Loja Albert
Einstein, na pessoa de seu
presidente, está engajada no
Diálogo Católico-Judaico,
iniciado pelo saudoso Rabino
Henrique Lemle.
O Presidente
Internacional da B'Nai B'rith,
Tomy Baer, o nosso Q.I Samy
Schinazi, e o Dr. George Spectre,
da comissão de assuntos
comunitários (CPP), de
Washington, juntamente com o
Rabino Henry Sobel, de São
Paulo, e o Padre Jesus Hortal,
reitor da Pontifícia
Universidade Católica (PUC),
estiveram em Roma durante a
conferência no Vaticano
patrocinada pelo International
Jewish Comitee, que foi realizado
de 23 a 26 de março de 1998.
Nessa
conferência, que discutiu as
relações entre judeus e
católicos, o Rabino Henry Sobel
fez a seguinte declaração:
"Tenho a honra de falar
para vocês representando o
Congresso Judio Latino Americano,
afiliado ao Congresso Judio
Mundial, representando 800.000
judeus que vivem em 22 países.
Muitos judeus, entre os que me
incluo, damos grande importância
ao diálogo com a Igreja.
Porém, nem todos os judeus
acreditam. Existem alguns
elementos que não acreditam
neste diálogo.
Primeiro, porque eles sabem que
existem membros da Igreja que
ainda levam consigo sentimentos
anti-semitas; segundo,
simplesmente porque não estão
interessados no diálogo, nem
estudar cristianismo e, terceiro,
não se sentem cômodos quando um
rabino participa de serviços em
uma catedral.
Não é fácil para um rabino
estar engajado no Diálogo
Católico-Judaico em nosso
hemisfério.
Em um continente em que a
democracia ainda não está
consolidada e onde existem
problemas econômicos e sociais,
relações inter-religiosas são
relegadas a um segundo plano.
E nesta parte do planeta onde
cerca de 300 milhões de pessoas
não têm comida para comer,
roupas para vestir e casa onde
morar, é difícil, e talvez
impossível, tentar construir
pontes entre religiões.
Considerando que a população
católica na América Latina é
de 400 milhões e 800.000 judeus,
então, se o diálogo existe,
isto fala mais alto do que
qualquer argumento."
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Colaboração de Leon M.Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai
B'rith do RJ
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