Ano 16 - Semana 797


 

 

       20 de julho, 2012
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O diálogo ao serviço da paz e da reconciliação


       
No dia 26 de março de 1998, João Paulo II recebeu em audiência os membros da Comissão Internacional de Ligação Católico-Judaica. Ao agradecer a deferente homenagem que lhe foi prestada pelo Cardeal Cassidy, Presidente do Pontifício Conselho para a União dos Cristãos, o Papa dirigiu a todos este discurso:

"Prezados amigos!

É com prazer que acolho os membros da Comissão Internacional de Ligação Católico-Judaica, na ocasião em que estais reunidos em Roma para o vosso XVI Encontro. A vossa Comissão contribuiu muito para melhorar as relações entre as nossas duas comunidades, favorecendo a reflexão teológica e o diálogo sobre o sentido religioso e as questões sociais. A Declaração Conjunta emitida como resultado da vossa última sessão assinala importantes convergências na compreensão católica e judaica sobre a família, que é o fundamento da sociedade. Examinastes a visão bíblica da criação de Deus, com as suas conseqüências para uma apreciação da dignidade da pessoa humana e da nossa responsabilidade para com o ambiente natural.

O progresso que já fizestes mostra o imenso empenho sustentado pelo contínuo diálogo entre judeus e católicos. Mas o vosso trabalho é também um impressionante sinal de esperança para um mundo marcado por conflito e divisão, tudo isto muitas vezes fomentado no nome do interesse econômico e político. Um empenho no diálogo autêntico, conduzido num sincero amor da verdade e numa abertura a todos os membros da família humana, continua a ser o primeiro e principal caminho para a reconciliação e a paz, que o mundo necessita. Quando os crentes considerarem os eventos na convicção de que todas as coisas são finalmente governadas pela Divina Providência, certamente desejarão crescer de modo mais íntimo naquela abençoada harmonia, que o Salmista compara ao precioso óleo derramado sobre a cabeça de Aarão, ou ao orvalho que desce sobre as montanhas de Sião (cf. Sl 133).

Caros amigos, oxalá o vosso presente encontro descubra, de modo cada vez mais efetivo, como tornar conhecidos e apreciados, pelos católicos e judeus, os significativos progressos na compreensão e cooperação mútuas, que foram feitos entre as nossas duas comunidades. Sobre vós e sobre o vosso importante trabalho, invoco de coração as abundantes bênçãos divinas."


JUDAÍSMO E CRISTIANISMO
da separação ao diálogo

Sendo pois tão grande o patrimônio espiritual comum aos Cristão e Judeus, o Concílio quer fomentar e recomendar a ambas as partes mútuo reconhecimento e apreço. Poderá ele ser obtido, principalmente, pelos estudo bíblicos e teológicos e ainda por diálogos fraternos. Haja por isso cuidado, da parte de todos, para que, tanto na catequese como na pregação da Palavra de Deus, não se ensine algo que não se coadune com a verdade evangélica e com o espírito de Cristo. (Declaração Nostra Aetate § 4).

De modo especial, a catequese e a Liturgia evitarão juízos desfavoráveis a respeito dos judeus. É para desejar que tanto os recursos de formação doutrinárias como as celebrações litúrgicas ponham em relevos os elementos comuns a judeus e cristãos... as festas cristãs de Páscoa, Pentecostes e as orações da Liturgia, especialmente os Salmos, têm a sua origem na tradição judaica. (Orientações para os católicos no relacionamento com os Judeus § 7).


Considerações sobre o Diálogo Católico-Judaico

Conforme vocês sabem, a B'nai B'rith-RJ, através de sua Loja Albert Einstein, na pessoa de seu presidente, está engajada no Diálogo Católico-Judaico, iniciado pelo saudoso Rabino Henrique Lemle.

O Presidente Internacional da B'Nai B'rith, Tomy Baer, o nosso Q.I Samy Schinazi, e o Dr. George Spectre, da comissão de assuntos comunitários (CPP), de Washington, juntamente com o Rabino Henry Sobel, de São Paulo, e o Padre Jesus Hortal, reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), estiveram em Roma durante a conferência no Vaticano patrocinada pelo International Jewish Comitee, que foi realizado de 23 a 26 de março de 1998.

Nessa conferência, que discutiu as relações entre judeus e católicos, o Rabino Henry Sobel fez a seguinte declaração:

"Tenho a honra de falar para vocês representando o Congresso Judio Latino Americano, afiliado ao Congresso Judio Mundial, representando 800.000 judeus que vivem em 22 países.
Muitos judeus, entre os que me incluo, damos grande importância ao diálogo com a Igreja.
Porém, nem todos os judeus acreditam. Existem alguns elementos que não acreditam neste diálogo.
Primeiro, porque eles sabem que existem membros da Igreja que ainda levam consigo sentimentos anti-semitas; segundo, simplesmente porque não estão interessados no diálogo, nem estudar cristianismo e, terceiro, não se sentem cômodos quando um rabino participa de serviços em uma catedral.
Não é fácil para um rabino estar engajado no Diálogo Católico-Judaico em nosso hemisfério.
Em um continente em que a democracia ainda não está consolidada e onde existem problemas econômicos e sociais, relações inter-religiosas são relegadas a um segundo plano.
E nesta parte do planeta onde cerca de 300 milhões de pessoas não têm comida para comer, roupas para vestir e casa onde morar, é difícil, e talvez impossível, tentar construir pontes entre religiões.
Considerando que a população católica na América Latina é de 400 milhões e de 800.000 judeus, então, se o diálogo existe, isto fala mais alto do que qualquer argumento."

 

Enviado por Leon M.Mayer
da Loja Albert Einstein da B'nai B'rith do RJ
lmmayer@openlink.com.br

 


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