DIÁLOGO CATÓLICO-JUCAICO

          
A revisão da Inquisição
            

Vaticano examina em simpósio período sombrio da história

          
CIDADE DO VATICANO
- O Vaticano reuniu um simpósio de alto nível para examinar a Inquisição e declarou-se disposto a submeter a mais sombria instituição da Igreja ao julgamento da história.

O Simpósio de três dias fez parte da contagem regressiva da Igreja Católica para o ano 2000. O papa João Paulo II quer que a Igreja comece o novo milênio de consciência limpa, o que significa encarando os pecados passados.

Para muita gente, a Inquisição foi um dos piores. Equiparando o crime de heresia ao de lesa majestade - sujeito à pena da morte na legislação civil européia da época, durante séculos, a "polícia do pensamento" eclesiástica julgou, torturou e queimou pessoas na fogueira.

"A Igreja não pode cruzar o limiar o novo milênio sem pressionar seus filhos a se purificarem, arrependendo-se de seus erros, infidelidade e incoerência", disse, ao abrir a conferência, o cardeal francês Roger Etchegaray, que chefia a Comissão do Vaticano para o Grande Jubileu.

Os santos inquisidores atacaram protestantes, judeus e muçulmanos; perseguiram cientistas como Galileu; na Espanha e em Portugal, proibiram a Bíblia em outra língua senão o latim, que poucas pessoas comuns sabiam ler.

A Inquisição começou no século 13 e durou até depois de começado o século 19. O Índex Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos) durou mais, até 1966. E em 1992 a Igreja reabilitou Galileu, condenado no século 17 por dizer que a Terra era o centro do universo.

ARQUIVOS SECRETOS - O simpósio, que reúne especialistas de dentro e de fora da Igreja, é o primeiro olhar crítico sobre os anais da repressão eclesiástica. Entre outras coisas, dará aos acadêmicos a chance de comprar observações sobre o que descobriram nos arquivos secretos do Vaticano sobre a Inquisição, que a Santa Sé não tem medo de submeter seu passado ao julgamento da história", disse Etchegaray.

Fechado ao público a à imprensa, não se espera que o simpósio provoque agora nenhum pronunciamento definitivo do Vaticano sobre a Inquisição. Isto deve acontecer no ano 2000, como parte do grande mea-culpa para o início do terceiro milênio do Cristianismo.

A grande pergunta é se o pontífice vai pedir perdão para os pecados dos membros da Igreja, como fez com o Holocausto, ou para os pecados da própria Igreja. Ao contrário do Holocausto, a Inquisição foi uma iniciativa da Igreja, autorizada pelos próprios papas.

Etchegaray descartou a idéia de que a instituição possa ser vista como uma serie de campanhas locais cujos excesso poderiam ser atribuídos às autoridades seculares. Segundo ele, houve apenas uma Inquisição, e esta foi inegavelmente uma instituição eclesiástica.

O pontífice pode dar um indício de seu pensamento, quando se encontra com os participantes da conferência. Cerca de 50 acadêmicos da Europa, Estados Unidos e América Latina estão participando do simpósio.

Agostino Borromeo, presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos e um dos participantes do simpósio, apresentou dados mostrando que Portugal foi o país europeu onde a Inquisição mais aplicou a pena de morte: 5,7% dos julgados entre os séculos 16 e 18 foram mortos na fogueira. A Inquisição foi abolida primeiro em Nápoles (Itália), em 1746, e por último na Espanha, em 1834.

Enviado por Leon M.Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da
B'nai B'rith do RJ

 

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