DIÁLOGO CATÓLICO-JUCAICO

               

Irmã Alda Lopez Ferraz
           

FRATERNIDADE CRISTÃO-JUDAICA
          

A Fraternidade Cristão-Judaica é uma instituição que data de depois da 2ª Guerra Mundial. Já existiam anteriormente na Europa e na França iniciativas que tentavam aproximar cristãos e judeus, separados histórica e socialmente, desde o triunfo de Constantino, na Roma dos anos 300.

Entre os esforços de aproximação, o de Jules Isaac foi o mais feliz. Ele criou, na França, as chamadas "Amitié Judéo-Chrétienne", um meio eficaz de aproximar pessoas e grupos. O método usado foi o do conhecimento mútuo, a troca de idéias, o empenho de combater os preconceitos. Jules Isaac era, como professor de filosofia, preocupado com o que ele chamou de "o ensino do desprezo", pois é através do ensino que as idéias se transmitem de geração em geração. E assim se vai criando uma falsa, senão preconceituosa, "imagem do outro". E Jules Isaac sentia, na catequese cristã, uma imagem "desprezível", dos seus irmãos.

Traumatizados por tudo o que sofreram de discriminação e perseguições, sobretudo da inquisição, os judeus esperavam dos cristãos um pouco mais de compreensão. A fraternidade foi ao encontro desta inquietude: examinaram-se catecismos que, por suas expressões, deixavam passar um sutil antisemitismo; criaram-se grupos para defesa comum contra os ataques caluniosos, centros para encontros, conferências e outros.

Finalmente, para a Igreja Católica, chegou a época do Concílio Vaticano 2º. Este grande acontecimento eclesial levou Jules Isaac a dirigir-se ao Papa solicitando-lhe uma entrevista. A irmã Esperança, de Nossa Senhora de Sion, que trabalhou 30 anos em Madrid, criando o Centro de Estudos Cristãos-Judáicos, conta a resposta do Papa à pergunta que lhe fez Jules Isaac, no fim da entrevista, sobre se "podia levar alguma esperança" quanto ao seu pedido de que fizesse algo pelos judeus. "Você leva mais que uma esperança!", disse o Papa. De fato, o Concílio lançou uma declaração que induziu os cristãos a refletir sobre verdades, que transformaram as nossas relações com os judeus: a famosa "Nostra Aetate" (Em nossos dias). É uma declaração corajosa, que nega a "culpa coletiva" que pesava sobre os judeus pela morte de Cristo e lembra o grande patrimônio religioso que temos em comum, aconselhando os estudos e o diálogo fraterno como meio de compreensão recíproca. Depois do Concílio, organizaram-se comissões para pôr em prática as diretrizes que saíram dela. No caso do judaísmo, a Comissão Católica elaborou dois importantes documentos para a aplicação de "Nostra Aetate": as orientações e sugestões (1974) e, em 1975, as notas para uma correta apresentação dos judeus e do judaísmo na pregação e na catequese da Igreja Católica. Recentemente, a Igreja preparando o ano 2000, realizou um simpósio, do qual resultou um importante documento sobre a "shoá", nome dado à tragédia que foram as perseguições nazistas contra os judeus, durante a 2ª Guerra Mundial. O documento se intitula "We Remember" (nós nos lembramos).

No Brasil, a Fraternidade nasceu em São Paulo, graças ao gesto de abertura do padre Calixto Vendrame, dos padres camilianos, que, em sua paróquia, convidou indiscriminadamente a toda a sua "freguesia" para uma festa. Os judeus enviaram como representantes, uma professora da Congregação Israelita Paulista (CIP), chamada Hella Moritz. Informados por ela positivamente, Berthie Levy, que conhecia a Fraternidade na Europa, pensou em criá-la aqui e se dirigiu ao padre Calixto.

Com mais alguns amigos, fizeram os estatutos, e inauguraram a instituição, em um encontro no Colégio Mackenzie, em 1961. Fizeram-se eleições para formar um "Conselho" e irmã Alda entrou como secretária. Foi assim que as irmãs de Sion começaram a participar das atividades da Fraternidade, na qual se distinguiu, por sua dedicação e competência, irmã Isabel Wilken. Depois de sua morte, a Fraternidade continuou, sendo Maria Lúcia Sampaio Pinto, até recentemente , a secretária, cargo atualmente ocupado pela irmã Irene Ribeiro. Queremos recordar também a preciosa assessoria do padre Humberto Porto, capelão do Colégio Sion. Com Hugo Schlesinger, padre Porto publicou vários livros de interesse para a Fraternidade que tem agora à frente o jovem Michel, neto de Schlesinger. O grupo de jovens é estimulado pela presença da irmã Irene Ribeiro.

De São Paulo, a Fraternidade se estendeu ao Rio de Janeiro, em 1964. O rabino Henrique Lemie, o bispo don Castro Pinto, o pastor Anselmo Chaves assim como as irmãs de Sion, sempre presentes, foram os iniciadores deste grupo da Fraternidade, na qual se distinguiu irmã Dieudonnée, cujo entusiasmo permanece até hoje. Esta irmã conduzia vários grupos a Israel, como o faz atualmente, a irmã Maria Cecília.

Os grupos do Rio de Janeiro e de São Paulo são independentes, porém mantêm boas relações entre si. Uma só entidade por país se afilia ao ICC (Conselho Internacional de Cristãos Judeus), com sede na Alemanha. Martin Buber House, em Heppenhein.

 


Enviado por Leon M.Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da
B'nai B'rith do RJ

 

 

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