DIÁLOGO CATÓLICO-JUCAICO

        

O Papa Pio XII

informou a Roosevelt sobre sua oposição a um 
Estado Judeu na Palestina

(A carta foi encontrada há três semanas no Arquivo dos Estados Unidos)

Enquanto os fornos nazistas operavam 24 horas por dia para acelerar "a solução final" do problema judeu, o Papa Pio XII enviou uma carta ao Presidente norte-americano Franklin Roosevelt na qual expressava sua oposição à criação de um "lar nacional judeu" na Palestina.

Assim afirmou o Jerusalém Post, baseando-se na cópia de uma carta recebida do Centro Simon Wiesenthal, que por sua vez a encontrou nos Arquivos dos Estados Unidos. A carta estava datada de 22 de junho de 1943 e foi enviada pelo representante especial do Papa nos Estados Unidos, A. G. Cicognani, ao embaixador norte-americano Myron Taylor, emissário de Roosevelt na Santa Sé. A carta em questão seria a primeira prova explícita da oposição do Papa ao fenômeno do sionismo, ou pelo menos a primeira que havia chegado às mãos da administração norte-americana da época: "É certo que numa determinada época a Palestina estava habitada por uma raça hebréia, mas não há nenhum axioma na história que obrigue a devolver a um povo a terra que foi abandonada há 19 séculos", disse a missiva. "Se o que se deseja é um "lar hebreu", não deve ser demasiado difícil encontrar um territónrio mais apropriado do que a Palestina. Porém o crescimento do povo judeu ali, só causaria problemas para a comunidade intemacional".

O rabino Marvin Hier, do Centro Simon Wiesenthal, assegurou que a carta "significa o processamento de Pio XII, porque basicamente evidencia que quando o Papa queria expressar um ponto de vista sobre suas crenças e sentimentos, não hesitava ern dizê-lo claramente. Onde existe uma carta parecida dirigida a Adolf Hitler, na qual está escrito que o Vaticano considera repugnante sua política contra os judeus? Em pleno Holocausto, o Papa considerou apropriado opor-se ao Estado de Israel". Segundo o Jerusalém Post, Monsenhor Eugene Nugent, secretário do núncio em Israel, se negou a fazer declarações a respeito na ausência de seu superior. De sua parte, o rabino David Rozen, chefe do Escritório Israelita da Liga Anti-difamação e perito nas relações judias-católicas, afirmou: "Há tempos se conhece a vergonhosa atitude da Santa Sé naquela época e a missiva é apenas uma confirmação do fato. Rozen assegurou que o anti-semitismo de Pio XII era de fato a continuação de uma prolongada política do Vaticano contra os judeus que só mudou a partir da publicação do documento Nostra Aetate após a celebração do Concílio Vaticano Segundo. Hier comentou que a carta foi encontrada há três semanas no meio de uma investigação sobre o Papa e que deve ser levada em conta no processo de beatificação que o Vaticano está empreendendo com respeito ao polêmico Papa. "Muita gente me tem perguntado o que nos importa quem a igreja decide beatificar, declarou Hier, e acrescenta: "Em circunstâncias normais não nos importa porém dado o número de sobreviventes do Holocausto ... devem viver seus últimos anos sabendo que o homem de quem não ouviram falar nada, tenha sido convertido em santo".

 

Extraído do jornal israelense Aurora/Jul/99
Traduzido por Lise Barochel
Enviado por Leon M.Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da
B'nai B'rith do RJ

 

         

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