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Leon Mayer
Dabru Emet
(Falar a Verdade)
Judeus e
cristãos em busca de uma base religiosa comum
para contribuir para um mundo melhor
Dabru Emet surgiu como uma iniciativa de líderes judeus
religiosos e acadêmicos, provenientes do Estados Unidos
(maioria), Israel, Inglaterra e Canadá tendo mais ou menos
170 assinaturas, sendo quase 10% mulheres. Resultado de 5
anos de diálogo e estudo. O documento foi assinado por
quatro líderes escolhidos pelo grupo, representando os
quatro ramos do judaísmo atual: ortodoxo, conservador,
reformado e reconstrucionista.
Com a publicação de "Dabru Emet", pela primeira vez em mais
de 1.900 anos, importantes líderes do judaísmo e do
cristianismo encontram-se face a face, vendo-se uns aos
outros como servidores do mesmo Deus, até mesmo como membros
de um povo que fez com Ele uma aliança, quaisquer que sejam
as diferenças não resolvidas entre as duas comunidades de
fé.
Agora temos "Uma declaração judaica sobre os cristãos e a
cristandade", a mais positiva apreciação do cristianismo
jamais feita por um grupo judaico. Ela afirma,
inequivocamente, que os cristãos adoram o Deus de Israel e
se baseiam legitimamente na Bíblia judaica - apesar de
nossas contradições. A declaração confirma a ética cristã e
elogia a possibilidade de uma parceria judaico-cristã, em
prol da paz e da justiça.
Dabru Emet é o reconhecimento dos esforços dos cristãos para
honrar o judaísmo. Um dos fatos mais significativos deste
manifesto é o momento de sua divulgação: no domingo seguinte
à beatificação de João XXIII e Pio IX e poucos dias após a
divulgação do documento Dominus Iesus! Podemos e queremos
ler este fato como um sinal da certeza que anima o coração
dos signatários do documento de que o diálogo cristão
judaico é irreversível.
Dabru Emet convida aos judeus a terem um novo olhar sobre o
mundo cristão dizendo que talvez tenha chegado o momento,
para os judeus, de refletirem sobre o que possam dizer ao
cristianismo.
São 8 breves afirmações sobre o porquê e como judeus e
cristãos podem relacionar-se:
1. Judeus e cristãos adoram o mesmo Deus
2. Judeus e cristãos respeitam a autoridade do mesmo livro -
a Bíblia (que os judeus chamam "tanakn" e os cristãos de
"antigo testamento")
3. Os cristãos podem respeitar a reivindicação do povo judeu
à Terra de Israel
4. Os judeus e cristãos aceitam os princípios morais da Tora
5. O nazismo não foi um fenômeno cristão
6. A diferença humanamente irreconciliável entre judeus e
cristãos não será resolvida até que Deus redima todo o
mundo, conforme o prometido nas Escrituras
7. Um novo relacionamento entre judeus e cristãos não
enfraquecerá a prática judaica
8. Os judeus e cristãos devem trabalhar juntos pela justiça
e pela paz
Vejamos nas palavras de João XXIII no Natal de 1960 o
verdadeiro significado de Dabru Emet.
"Considerando como ideal o fato de pensar, honrar e dizer a
verdade e vendo no cotidiano a traição a este ideal de forma
aberta ou disfarçada o coração consegue reprimir a nossa
angústia.
A descoberta dos rolos do Mar Morto constituíram a
confirmação de uma verdade que deveria ser reconhecida
universalmente, porém isto não se limita a confirmá-la e sim
lhe dá substância e claridade, e demonstra que as raízes
judaicas do cristianismo, muito mais profundas do que
pensava se fundem num solo fértil dum judaísmo austero, com
uma fé ardente e pura como foi a do "maestro da justiça".
No livro de Jules Isaac "RAÍZES CRISTÃS DO ANTI-SEMITISMO'
encontramos como, uma vez por todas, transmitir a TODOS OS
CATÓLICOS E TODO CRISTÃO, o que foi decidido em 1947, como
conseqüência dum colóquio Judeu-cristão realizado em Paris
no qual Jules Isaac redigiu um programa de RETIFICAÇÃO de
dezoito pontos, onde o ponto 4 estava assim formulado:
"Ensinar, inspirando-se nas investigações históricas
verdadeiras, que o cristianismo nasceu dum judaísmo que não
estava degenerado (como se tinha sempre inculcado, sino que
conservava toda sua vitalidade como bem pode demonstrar a
riqueza da literatura judaica, a resistência indômita do
judaísmo ao paganismo, a espiritualização do culto nas
sinagogas, a irradiação do proselitismo, a ampliação das
crenças e a multiplicidade das seitas.
SE EVITAR A REBAIXAR O JUDAÍSMO BÍBLICO OU PÓS-BÍBLICO COM O
FIM DE EXALTAR O CRISTIANISMO.
DAR UMA IMAGEM VERÍDICA DO JUDAÍSMO CONTEMPORÂNEO DE JESUS,
COM SUA ATMOSFERA DE CRISES E EXPECTATIVA, os desvios mas
também as riquezas, sem simplificações excessivas que a
considerem uma verdadeira decadência.
QUERER EXALTAR A CRISTO OU AO CRISTIANISMO DENEGRINDO
SISTEMATICAMENTE O JUDAÍSMO SERIA TÃO INDIGNO COMO INEXATO.
NO CORAÇÃO DA RELIGIÃO DE ISRAEL TEM UMA CONFIANÇA ILIMITADA
NUM DEUS INFINITAMENTE MISERICORDIOSO E O PRIMEIRO PRECEITO
E O DE AMAR DEUS COM TODA A ALMA.
Palavras da Embaixadora de Israel
A "Nostra Aetate" introduziu uma verdadeira revolução no
trabalho dos teólogos e estudiosos Católicos. Não se podia
justificar mais uma atitude negativa em relação aos Judeus e
ao Judaísmo. Isso significa que quaisquer manifestações de
anti-semitismo devem ser combatidos.
Esse importante documento encorajou e inspirou o diálogo
para melhorar as relações entre todas as religiões.
Encontros inter-religiosos no mundo inteiro, incluindo o
Brasil e Israel, buscam a tolerância entre as religiões. O
Papa João Paulo II fez com que a mensagem do "Nostra Aetate"
avançasse mais, demonstrando essa mensagem, e permitindo que
os povos se familiarizassem com as profundas mudanças nas
atitudes Católicas em relação ao Judaísmo e aos Judeus. Um
povo particular, antes visto como rejeitado e condenado, tem
sido considerado, nas palavras do Papa, como "os queridos
amados irmãos mais velhos da Igreja".
Se Cristo traz a plenitude dessa revelação insiste tanto
como o Antigo Testamento nas exigências divinas e nas
saudações eternas.
Deveremos homenagear esses esforços de retificação e de
submissão a verdade.
Temos que fazer votos para que essas fórmulas sejam
incorporadas na prática
cotidiana do ensino cristão em todas as paróquias, numa
palavra em toda a cristandade.
Conforme a mensagem do Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo
de São Paulo, por ocasião do evento em São Paulo pelos 40
anos da Encíclica Nostra Aetate.
A Igreja revoga toda e qualquer discriminação ou vexame
contra seres humanos por causa de raça ou cor, classe social
ou religião, como algo incompatível como o Espírito de
Cristo.
Assim pedimos que as autoridades competentes nas Igrejas e
nas Secretarias de Educação divulguem a Encíclica Nostra
Aetate e Dabru Emet para que as novas gerações possam já
trabalhar para realmente um mundo melhor para todos.
De Simon Wiesenthal aprendemos que é preciso se manter
alerta. Necessitamos criar mecanismos de controle da
sociedade investindo na mais poderosa arma que liberta o
homem de seus preconceitos. Essa arma é a educação. Toda a
população mundial deve ter como norte o respeito às
diferenças, sejam elas religiosas, culturais, raciais, de
gênero, étnicas ou outras.
Só nos sentiremos absolutamente tranqüilos e esperançosos
quando a humanidade demonstrar, na prática, que aprendeu as
lições emanadas de "Nostra Aetate" e de um homem como Simon
Wiesenthal.
Vou concluir com a frase do inicio da minha explanação sobre
falar a verdade, Dabru Emet.
Judeus e Cristãos em busca de uma base religiosa comum para
contribuir para um mundo melhor.
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