20/08/2004
Número - 382

ARQUIVO
Opinião Acadêmica

Opinião Acadêmica

PRESENÇA DE FEDERICO GARCÍA LORCA NO BRASIL: PRIMEIRAS HOMENAGENS


Luisa Trias Folch
Universidade de Granada (Espanha)


     A significação poética e social de Federico García Lorca começou a formar-se ainda em vida do poeta, tendo culminado com a sua morte. Assim, em 1938, a editorial Nuestro Pueblo oferecia-lhe uma homenagem popular ao publicar o Romancero Gitano numa edição quase de combate, com um prólogo de Rafael Alberti. Um ano antes, publicava-se, por Emilio Prados, um livro intitulado Homenaje al poeta Federico García Lorca com uma seleção das suas obras, por ocasião do II Congreso Internacional de Escritores Antifacistas -congresso que durante a guerra reuniu em Madrid e Valencia a maioria dos literatos mais significativos de língua espanhola.

     Já na América, de língua espanhola, as homenagens surgiram imediatamente. Em Santiago do Chile, em 1937, publica-se um volume intitulado Madre España. Homenaje de los poetas chilenos. Em Buenos Aires e Montivideo, no mesmo ano, publica-se o Homenaje de escritores y artistas a Federico García Lorca. Em 1938, no México, Octavio Paz publica uma breve antologia de poetas espanhóis contemporâneos sob o título de Voces de España que foi dedicada ao poeta assassinado em Víznar(Granada).

     Chegaram à América portuguesa, isto é ao Brasil, as notícias da morte de Lorca e destas homenagens prestadas pelos países vizinhos. Assim, além da Revista Académica (1937) que dá a notícia da morte de Lorca, a Gazeta Hispana de São Paulo publica também uma Notícia e crítica de sua morte e alguns poemas em 1938. Mas, no que diz respeito às homenagens prestadas a Lorca no Brasil, as primeiras fontes, em língua espanhola, foram a Revista de las Indias nº 5 (Bogotá, março 1937), o artigo de Angel de Río (García Lorca, in Revista Hispánica Moderna, New York, Buenos Aires nº 3 e 4, 1940) e a obra de Alfredo de la Guardia (García Lorca, persona y creación, Buenos Aires, 1941); e, as primeiras homenagens brasileiras encontram-se, sobretudo, no nº 15 da Revista Leitura[1] (Rio, fevereiro, 1944) e, uns meses mais tarde, num volume dedicado exclusivamente ao poeta de Granada na Revista Letras de São Paulo (ed. Continental) intitulado Presença de García Lorca. Logo, analisaremos este volume não só por ser a homenagem mais completa que os escritores brasileiros dedicam ao poeta granadino mas também por incluir nas suas páginas os escritos dedicados a Lorca na Revista Leitura.

     Nele, a dedicatória é a seguinte: "Os Editores dedicam este Florilégio de Federico García Lorca aos Intelectuais Brasileiros e a todos os Homens livres do Mundo". Informa ainda, à guisa de apresentação, que os escritos de Lorca começaram a publicar-se no Brasil coincidindo com a morte do poeta, e apesar de, naquele momento, pouco se saber sobre o que acontecia na Espanha, estavam convencidos de que era um Poeta do Povo. A apresentação do poeta não foi feita só através de um estudo biográfico e, também, de um ensaio folclórico, mas, inclusive, através da poesia que os poetas de língua espanhola lhe dedicaram. Incluia uma antologia de poesias de Lorca e trechos de algumas obras de seu teatro. Apresentava a bibliografia de tudo que já havia sido escrito no Brasil sobre Lorca, e, o que é mais importante, publicava uma colaboração inédita de escritores brasileiros, além da já publicada na Revista Leitura, sublinhando, principalmente, o trabalho da escritora Cecília Meireles, tradutora de Bodas de Sangre (1944) e de Dulcina de Morais, primeira atriz que levara à cena, no Brasil, uma obra de Lorca. A seleção e as notas são obra de P. Nuñez Arca e a obra divide-se em diversos capítulos. O primeiro, intitulado EL CASO GARCÍA LORCA, abre-se com um retrato do poeta de 1936 e, como introdução, fazia-se um estudo biográfico intitulado Biografia e Interpretação do Professor de Língua e Literatura Espanholas da Universidade de São Paulo: Luis Amador Sánchez[2]. A sua tarefa era dar a conhecer Federico García Lorca no Brasil e tentar explicar não só o como, mas também o porquê, da morte do poeta. Apresentava, para tal, de forma simultânea a biografia do poeta com a cronologia produtiva da sua obra. Comentava-se ali que a primeira vez que se ouviu falar sobre Lorca no Brasil foi em 1930, quando Villaespesa[3] referiu-se a ele juntamente com os irmãos Machado como um dos melhores poetas vivos de Espanha, e, concluia-se o artigo com estas palavras: "Lorca, sua vida e sua morte, o caso Lorca caracteriza-se pela sua universalidade, moderno artífice clássico do romance espanhol, no qual o sensualismo e a tragédia da morte são o rasgo peculiar da sua obra". Queria, pois, aproximá-lo do público do Brasil através dos Poemas Gallegos, que se incluiam no final desta homenagem, e que sugeriam a capacidade de Lorca em versificar na língua portuguesa.

     Em seguida, os escritores brasileiros dedicam a Lorca o segundo capítulo desta homenagem, intitulado O PENSAMENTO BRASILEIRO E GARCÍA LORCA, escrito em português, que se abre com uma fotografia da Barraca e a explicação seguinte:"La Barraca" era uma missão cultural pelos povos do interior, da qual faziam parte García Lorca, Pedro Salinas e Rafael Alberti - que aparecem na fotografia com outros jovens poetas. Um camionete fornecido pelo Ministério de Instrução Pública servia de condução e palco para as representações teatrais e conferências, que se davam gratuitamente em praça pública".[4] De todos os escritores brasileiros que participam desta homenagem a Lorca, gostaríamos de destacar Carlos Drummond de Andrade[5], por ser um dos maiores escritores brasileiros do século XX, e Edgard Cavalheiro, por ser o primeiro escritor que dedicou a Lorca um vasto e rigoroso estudo[6]. Drummond de Andrade informa que a Revista Académica foi a primeira a dar a notícia da morte de Lorca, o que assinala uma constante na crítica brasileira e na sua capacidade de recepção: "A solução harmoniosa desse pseudo mas comprometedor conflito entre o local e o universal é, para mim, a primeira lição de García Lorca. A segunda reside no seu conceito rigorosamente popular do localismo". Destacar também que Macedo Miranda, romancista de prestígio, parafraseie na sua homenagem a poesia lorquiana: "para lhe dizer que ele não morreu dentro de nossos corações, que não é como todos os mortos da Terra, como todos os mortos que se esquecem".[7]

     Já, no terceiro capítulo, sob o título de PRIMEIRAS CANÇÕES DE GARCÍA LORCA, apresentavam-se, juntamente com uma fotografia de sua Casa Natal em 1899, os seguintes poemas: Los Alamos de Plata (1919); Canción Oriental (1929); La Guitarra; Memento; Pueblo; El Silencio; ¡Ay!; Cortaron tres Arboles; Tierra Seca; Canción Tonta.

     A seguir, no capítulo quarto, publicavam-se os seguintes poemas do ROMANCERO GITANO[8], com uma fotografia de Cecília Meireles[9], primeira tradutora brasileira de García Lorca: Romance de la luna llena; Muerto de amor; la Casada infiel; Prendimiento de Antoñito el Camborio; Romance de la Guardia civil (fragmento com a nota seguinte: "Atribue-se a este romance o mortal rancor que a guarda civil tinha a García Lorca e que culminou com seu fusilamento); Romance sonámbulo, Thamar e Amnón.

     Dito disto, passamos diretamente para o sétimo capítulo[10] dedicado ao TEATRO DE GARCÍA LORCA e acompanhado de um retrato de Dulcina Morais[11], "notável atriz brasileira que escolheu "Bodas de Sangue" para seu repertório, peça traduzida pela ilustre poetisa Cecília Meireles". Em continuação os escritores brasileiros comentam a obra de teatro lorquiana e sob a epígrafe: O PENSAMENTO BRASILEIRO SOBRE O TEATRO DE GARCÍA LORCA, incluem-se os seguintes artigos:

     "Mauriac, Lorca e a eternidade do teatro". Augusto Frederico Schmidt. (Revista do Brasil, 1938); "Porque escolhi García Lorca". Dulcina de Morais. (Leitura Rio); Cecília Meireles. "A traductora brasileira de "Bodas de Sangue" opina". (Leitura, Rio). "Bodas de Sangue". Rachel de Queiroz. (Leitura, Rio); "O Poeta Assassinado". Luiza Barreto Leite. (Leitura, Rio). "Lorca, pobre de nós!" Mário de Andrade. (Leitura, Rio). "Federico García Lorca. Leitura". (Rio, Fevereiro de 1944). "Vida, mundo e obra de Federico García Lorca". Mauro de Alencar. (Rumo, Rio, abril 1937).

     Neste capítulo reunem-se os textos em homenagem a Lorca, que são relacionados com o teatro, sendo a maior parte publicada já na Revista Leitura, uns meses antes. É preciso assinalar a transcendência que teve a Companhia de Dulcina de Morais em difundir o teatro de Lorca, e de forma especial a obra Bodas de Sangre. Foi por indicação dela e para a sua representação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro que a poetisa Cecília Meireles traduziu esta obra dramática lorquiana para o português. Por outro lado, o artigo de Mário de Andrade, publicado na Revista Leitura, está incompleto, porque precisamente falta o poema dedicado a García Lorca.

     Continuando publica-se uma antologia do teatro lorquiano[12]. E queremos destacar a obra DOÑA ROSITA LA SOLTERA O EL LENGUAJE DE LAS FLORES (Poema granadino do ano de 90, dividido em vários jardins com cenas de canto e baile) por ser a única vez que Lorca cita, na sua obra, um brasileiro. Vai acompanhada da seguinte nota:

     "Nesta obra, em sua maior parte dialogada o Sr. X, uma das personagens diz:

     -Está entendido, la tierra es un planeta mediocre, pero hay que ayudar a la civilización. Si Santos Dumont, en vez de estudiar meterología comparada, se hubiera dedicado a cuidar rosas, el aerostato dirigible estaría en el seno de Brahma!"

     Então a homenagem ainda apresenta alguns capítulos[13], dentre os quais queremos destacar o dedicado aos POEMAS GALEGOS DE GARCÍA LORCA, (décimo primeiro capítulo), que se inicia com uma fotografia do teatro Municipal do Rio, (onde prestigiado pelo Ministério de Educação, foi representado pela primeira vez no Brasil o teatro de García Lorca) e as palavras seguintes: "O Poeta, sendo andaluz, compôs em língua galaica alguns poemas, inspirados durante sua visita a Santiago de Compostela. Damos aqui uma amostra, provando seu mérito de adaptação. A introdução, belíssima por ser obra de poeta -Eduardo Blanco Amor, também um grande poeta- atinge os alizerces do idioma nacional brasileiro".

     Entretanto, a vinculação de Lorca com a Galiza inicia-se em 1916, quando, em companhia do Catedrático Domínguez Berrueta e de seus alunos, Lorca visita A Coruña, Santiago e Lugo. Em Granada, ao regressar desta viagem escreve: "Se comprende, viendo el paisaje de Galicia, el carácter triste de sus habitantes y su música, que dice apenas, de amores, de imposibles..." Também, no livro Impresiones y paisaje (1918), oferece um belo comentário sobre Santiago. Lorca viajou três vezes à Galiza em 1932, onde realizou as suas célebres conferências Arquitectura del Cante Jondo e Paraíso cerrado para muchos, jardín abierto para pocos. Voltará de novo à Galiza com o teatro universitário La Barraca; publica nas revistas galegas, fazendo novas amizades, com Ernesto Guerra da Cal e Eduardo Blanco-Amor. O amor de Lorca pelas terras galegas e seu povo, manifesta-se numa pequena colecção de Seis poemas galegos[14], que se incluem nesta homenagem, apresentados por Eduardo Blanco-Amor[15], sob o título seguinte: Lorca, trovador Galego. Com emoção sentida, começa Blanco-Amor a explicar como "Federico me llegó, un día, cualquiera de nuestra amistad, con un puñado de versos gallegos.(....) Y dijo: - "La verdad es que, a pesar de haberme bien leído mi Curros y mi Rosalía, el gallego lo aprendí en los vocabularios precaucionales que añades a tus libros de poemas. Debes ser tú, por lo tanto, quien ordene éstos y quien los edite, quien los prologue. Y ya está. Y ya se acabó. Y no me hables más de esto hasta que me traigas el libro". Encerra o seu artigo com palavras de Menéndez Pelayo: "No se puede desconocer que el primitivo instrumento del lirismo peninsular, no fue la lengua castellana, ni la catalana tampoco, sino la lengua que, indiferentemente por el caso (en aquella época eran la misma), podemos llamar gallega o portuguesa".

     O capítulo décimo segundo fecha esta obra com a homenagem que os escritores de língua espanhola lhe ofereceram[16], acompanhado do último retrato do poeta com a sua mãe, em Granada, em 1935, e das palavras seguintes: "A projeção do Poeta foi, realmente continental. É verdade que ele visitou a América e fez amigos pessoalmente e admiradores com seus versos porém, o crime de sua morte, foi sua definitiva glorificação". O livro apresenta, finalmente, uma bibliografia[17]: obra da ilustre escritora Sidónia C. Rosenbaum, do Hunter College de Nova Iorque, com a nota seguinte: "No Brasil se fizeram diversas publicações esparsas das poesias de García Lorca, que não nos foi possível enumerar, demonstrativas do elevado conceito que aqui goza o grande poeta, sendo eloquente anunciar a próxima saída dum volume da autoria do escritor Edgard Cavalheiro, São Paulo, assim como a edição homenagem que lhe dedicou a Revista Leitura do Rio, com motivo da tradução da peça "Bodas de Sangue".


[1]O nº 15 da Revista Leitura presta homenagem a García Lorca, fusilado em España (1936) e a Romain Rolland, morto num campo de concentração nazista na França (1943). Dá notícia também da próxima estreia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro de Bodas de Sangre pela Companhia Dulcina de Morais-Odilon, traduzida para português pela poetisa brasileira Cecília Meireles. Inclui vários artigos de escritores brasileiros e conclui a homenagem com uns fragmentos da conferência España no ha muerto de Neruda, assim como a sua Oda, e o poema que Machado dedicou a Lorca.

[2]Luis Amador Sánchez, diplomata espanhol e autor de El llanto de los hombres.

[3]O governo brasileiro encomendou a Francisco Villaespesa a tarefa de traduzir os poetas brasileiros da época. Vieram à luz os três primeiros tomos editados por Alejandro Pueyo, em Madrid, em 1930: Sonetos y poesía (Poesía de Olavo Bilac), El navío negrero (Poesía de Castro Alves) e Toda la América (Poesía de Ronald de Carvalho).

[4]Participam os seguintes escritores, com os seus respectivos artigos: "Morte de GL". Carlos Drummond de Andrade, Rio 1937; "Evocação de GL". Osmar Pimentel, Diário de São Paulo; "GL e o Romancero Gitano". Edgard Cavalheiro.(escrito especialmente para este livro); "À memória de Gl". Moacir Werneck de Castro, O Estado de São Paulo; "O Poeta que morreu". Medeiros Lima, Jornal da Manhã, S. Paulo 1938; "GL, meu Amigo". Macedo Miranda. E conclui o capítulo com um poema autógrafo  de GL: trata-se do poema Casida de la muchacha dorada

[5]Carlos Drummond de Andrade traduziu para português Doña Rosita a solteira; ou A linguagem das Flores (Rio de Janeiro, Livr. Agir, 1959)

[6]Escritor e periodista, além doutras obras, escreveu o seguinte estudo sobre a obra do poeta granadino, Garcia Lorca, São Paulo, Livraria Martins, 1946

[7]Parafraseando os versos de Lorca de Llanto por Ignacio Sánchez Mejías.

[8]A primeira tradução do Romanceiro Gitano (Rio de Janeiro, Civ. Brasileira, 1957) é obra do escritor postmodernista da geração de 45, Felix de Sousa.

[9]Cecília Meireles posteriormente também traduziu Yerma. (Rio de Janeiro, Agir, 1963).

[10]No capítulo quinto, GARCÍA LORCA, ELEGÍACO, apresenta um desenho "Esboço de GL por Moreno Villa, durante seu recital na Residencia de estudiantes de Madrid -1928", inclui: Oda a Salvador Dalí; Llanto por Ignacio Sánchez Mejías; Niña ahogada en el pozo.

O sexto capítulo está dedicado a GARCÍA LORCA, MISTICO, acompanhado de uma fotografia de Margarita Xirgú: "eminente intérprete do teatro espanhol de García Lorca". Publicam-se: Martirio de Sta Olalla; Santiago (Balada ingenua. 25 de julio de 1918. Fuente Vaqueros. Granada); Oda al Santísimo Sacramento del Altar.

[11]Dulcina de Morais (Rio, 1911), atriz da companhia Jaime Costa e Abigail Durães, fundou a sua própria companhia junto do seu marido, escritor e ator também, a Companhia Dulcina-Odilon de grande êxito durante os anos 30 e 40. Em 1955 organizou a Fundação Brasileira de Teatro.

[12]A ZAPATERA PRODIGIOSA (Farsa violenta em 2 atos). "Esta peça teatral não (sic) é versificada com excepção do fragmento que transcrevemos, e que sintetiza o argumento. É verdadeiramente curiosa e reveladora do talento de García Lorca a Cortina ou Alocução ao Público no começo desta farsa teatral, que transcrevemos excepcionalmente (por ser em prosa), para que o leitor tenha idéia do modernismo e originalidade do teatro do malogrado Autor". YERMA (poema trágico em 3 atos). BODAS DE SANGUE (Tragedia em 3 atos e 7 quadros) (Fragmentos). ASI QUE PASEM CINCO ANOS (Lenda do Tempo em 3 atos e 5 quadros). ROMANCE DEL MANIQUI. AMOR DE DON PERLIMPILIN CON BELISA EN SU JARDIN (Aleluia erótica em 4 quadros) (Fragmento). DOÑA ROSITA LA SOLTERA O EL LENGUAJE DE LAS FLORES (Poema granadino do ano de 90, dividido em vários jardins com cenas de canto e baile)

[13]ULTIMOS POEMAS corresponde ao capítulo oitavo, com uma fotografia da sua casa de Granada, em 1936, que inclui Poeta en Nueva York (fragmento); Oda a Walt Whitman; Oda al rey de Harlem; Oficina y Denuncia; El Diván del Tamarit. (A obra "El Diván del Tamarit" ficou impressa em parte à morte do Poeta, e alguns dos seus poemas foram publicados como poesias póstuma: Gacela del Amor Imprevisto; Gacela del Amor Desesperado; Gacela de la Raiz Amarga; Casida del Herido por el Agua; Casida del Llanto; Casida del Sueño al Aire Libre; Casida de las Palomas Oscuras.

POESIAS INEDITAS (capítulo nono) com o seguinte subtítulo: "Estas poesias não figuram ainda em nenhuma Antologia do Poeta. Como inéditas foram publicadas unicamente pela "Revista de las Españas" do Instituto Hispánico de Nova Iorque: El poeta pide a su amor que le escriba; Canción de Cuna; A Mercedes en su vuelo".

CANÇÕES MUSICADAS PELO PRÓPRIO POETA, (décimo capítulo), com uma fotografia de García Lorca a compor ao piano, na sua casa de Granada, no ano de 1935 e um interesante artigo intitulado García Lorca, folklorista do Prof. Federico de Onís, director da Revista Hispánica da Univ. de Columbia de Nova Iorque. Também oferece as partituras de: Las morillas e Jaén e as letras de: Las Tres Morillas (Canção do sec. XV); Romance de los Pelegrinitos.

[14]Noturno do Adoescente morto; Romaxe de nosa señora da barca; Danza da lua en Santiago; Madrigal a Cibdá de Santiago; Canzon de Cuna pra Rosalia Castro morta.

[15]Eduardo Blanco-Amor (1847-1979), escritor galego, emigrou para Argentina em 1910. A publicação do seu primeiro livro de poemas Romances galegos (1928) coincidiu com o seu primeiro regresso à Galiza. Lorca dirá sobre este livro em carta ao poeta galego: "Estoy leyendo tu libro, tus romances antípodas... ¡Qué idioma! ¡qué riqueza ésta de nuestra España! ¿Por qué tendría que morir esa antigua maravilla?". Em maio de 1933 chegam a conhecer-se pessoalmente, apresentados por Ernesto da Cal, no Café Gijón de Madrid. Correspondente do jornal "La Nación" em Madrid (1929-1931) escreve, como jornalista, as suas cronicas mais brilhantes. Estes anos representam o tempo da sua controversa amizade com Lorca. Lorca escreve os seus poemas galegos utilizando Guerra da Cal como dicionário vivo. Posteriormente foi professor extraordinário no Uruguai e em Santiago do Chile.

[16]OS GRANDES POETAS A FEDERICO GARCÍA LORCA: Alfonso Reyes. Cantata en la tumba de FGL; Salvador de Madariaga. Elegia en la muerte de FGL; Antonio Machado. El crimen fue en Granada; Pablo Neruda. Oda a FGL; Rafael Alberti. A FGL; Luis Cernuda A un Poeta muerto; Nicolás Guillén. Federico; Isidro Alvarez Alonso. ¡Ay, Federico!; Jorge I. Serrano. Holocausto Gitano; Emilio Prados. Llegada; Pablo Suero. A la Madre.

[17]Bibliografia de García Lorca: Poesias III; Prosa IV; Conferencias. Entrevistas, Cartas, etc., IV-V; Teatro V-VI; Obras Completas e seleções VI; Traduções VII-VIII; Estudos VIII-XVIII; Sobre o Teatro de Gl XIX-XXII ; Homenagens XXII-XXVII. Neste último capítulo intitulado Homenagens, queremos destacar: 0 Manifesto de intelectuais brasileiros contra a agressão fascista à Espanha, motivado pelo fusilamento de García Lorca (1937) e Morte de García Lorca de Carlos Drummond de Andrade (Boletim Ariel, Rio de Janeiro, outubro de 1937).


Luisa Trias Folch
Professora Doutora da Universidade de Granada (Espanha)