1. INTRODUÇÃO
A obesidade é uma doença
crônica, definida como excesso de gordura corporal em que ocorre concomitância
de fatores de risco genéticos e ambientais. (Moraes, 2006). Os fatores
genéticos aparecem como os maiores determinantes da massa corporal; no
entanto, situações ambientais podem diminuir ou aumentar a influência desses
fatores (Rivera & Sepúlveda, 2003).
A obesidade na infância está
aumentando em todo o mundo. No Brasil, notavelmente em crianças na fase
escolar, está ocorrendo um aumento marcante da obesidade infantil e de
possíveis complicações clínicas da obesidade. Crianças obesas podem fazer
parte dos grupos de riscos com maiores probabilidades de desenvolverem na
idade adulta, distúrbios como a hipertensão, diabetes, doenças respiratórias,
transtornos coronarianos e problemas ortopédicos.
A avaliação
antropométrica, mesmo quando restrita ao peso e estatura, assume grande
importância no diagnóstico nutricional da criança. Isto se deve à sua
facilidade de realização, objetividade da medida e possibilidade de comparação
com um padrão de referência de manuseio relativamente simples, principalmente
em estudos populacionais (Fornés, Martins, Velásquez-Meléndez & Latorre,
2002).
As curvas de
Cole et al. (2000)
para IMC foram desenvolvidas baseando-se em estudos transversais
representativos de seis países (Brasil, Estados Unidos, Grã Bretanha, Hong
Kong, Holanda e Cingapura), com mais de 10 mil participantes. Elas foram
estimadas de forma que os pontos das curvas ajustadas dos percentuais 85 e 95
de IMC aos 18 anos fossem obrigatoriamente os pontos de corte para sobrepeso e
obesidade utilizados para adultos (25 e 30kg/m2, respectivamente).
As curvas contemplam a distribuição percentilar por faixa etária para cada
sexo.
O objetivo do estudo foi
comparar a prevalência de obesidade infantil segundo dois critérios
antropométricos, em uma escola pública estadual na cidade de Pelotas - RS.
2. MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi realizado
com delineamento transversal, incluindo 453 crianças de ambos os sexos,
matriculadas na 1a a 4a séries do
primeiro ciclo do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual, na cidade
de Pelotas, RS. A faixa etária estudada foi 7 a 13 anos completos.
O diagnóstico consistiu
em avaliação antropométrica dos escolares, onde foram realizadas, medida de
peso e estatura. Para a medida de peso, foram utilizadas balanças eletrônicas
da marca KRATOS®, com capacidade de 150kg (precisão de 20g). Os
escolares foram pesados vestindo roupas leves e descalços, permanecendo
eretos, no centro da balança, com os braços esticados ao lado do corpo, sem
movimentação (Moraes, 2006).
Para a medida da estatura
foi utilizada fita métrica inextensível (fixada em parede lisa), esquadro e
plataforma (usada em local sem rodapé). Os escolares foram colocados em
posição vertical, eretos, com os pés paralelos e calcanhares, ombros e nádegas
encostados na parede (Giammattei, Marshak, Wollitzer & Pettitt, 2003) As
medidas de peso e estatura foram realizadas em duplicata, calculando-se a
média dos valores para a obtenção do resultado final.
As medidas
antropométricas foram digitadas e armazenadas em um banco de dados
desenvolvido no programa Epi Info, com dupla digitação dos dados para
comparação e detecção de possíveis erros. As crianças foram classificadas como
obesas e com sobrepeso de acordo com dois critérios. O primeiro deles inclui o
índice peso por altura (P/A) recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
para definição de sobrepeso em crianças, quando superior a dois desvios padrão
em relação à mediana de referência, por sexo e faixa etária (Moraes, 2006).
Neste trabalho utilizou-se a referência do NCHS, 1977.
As prevalências foram
estimadas em cada faixa etária e comparadas em termos de valores nominais. O
segundo critério, proposto por Cole, baseia-se no cálculo do índice de massa
corporal (IMC) que é obtido pela divisão do peso (em quilogramas) pela altura
(em metros ao quadrado) e, para cada idade, foram definidos como pontos de
corte os percentis 85 e 95 de IMC para sobrepeso e obesidade, respectivamente.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas tabelas a seguir, são
descritas as duas avaliações.
Tabela 1.
Relação P/A em escolares de 1a a 4a séries do ensino
fundamental segundo NCHS (OMS, 1977)
|
Atributo |
Freqüência |
Percentual |
Percentual válido |
|
2 – Eutrófico |
209 |
46,1 |
84,3 |
|
3 - Excesso de peso /
altura |
39 |
8,6 |
15,7 |
|
Total escolares
analisados |
248 |
54,7 |
100,0 |
|
Escolares não
incluídos |
205 |
45,3 |
--- |
|
Total * |
453 |
100,0 |
--- |
*Total de escolares
matriculados na escola
Tabela 2.
Prevalência de sobrepeso e obesidade em escolares de 1a a 4a
séries do ensino fundamental segundo Cole et al (2000).
|
Atributo
|
Freqüência |
Percentual |
Percentual válido |
|
2 - Eutróficos e/ou
subnutridos |
230 |
50,8 |
67,8 |
|
3 - Sobrepeso |
68 |
15,0 |
20,1 |
|
4 - Obesos |
41 |
9,1 |
12,1 |
|
Total escolares
analisados |
339 |
74,8 |
100,0 |
|
Escolares não
incluídos |
114 |
25,2 |
--- |
|
Total * |
453 |
100 |
--- |
*Total de escolares
matriculados na escola
4. CONCLUSÕES
A prevalência de
sobrepeso e obesidade encontrados para esses escolares é preocupante. Através
dos dados apresentados, considerando-se qualquer um dos critérios utilizados,
compreendem-se a importância da preocupação em relação à obesidade infantil e
suas conseqüências futuras para a saúde, como o desenvolvimento de doenças
crônico degenerativas. É necessária a implantação de campanhas de orientação
nutricional direcionadas aos pais e aos educadores presentes na escola,
levando-se em consideração que a escola pode servir de suporte essencial para
a prevenção desta patologia.
5.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COLE, T.J. et al.
Establishing a standard definition for child overweight and obesity worldwide:
International Survey.
BMJ 2000;
320:1240-3.
FORNÉS, N.S., MARTINS,
I.S., VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ, G., LATORRE, M.R.O. Escores de consumo alimentar e
níveis lipêmicos em população de São Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública
2002; 36:12-8.
GIAMMATTEI,
J., BLIX, J., MARSHAK, H.H., WOLLITZER, A.O., PETTITT, D.J. Television
watching and soft drink consumption: association with obesity in 11-to
year-old schoolchildren.
Arch
Pediatr Adolesc Med
2003; 157:882-6.
MORAES, S.
A. de et al.
Prevalência de sobrepeso
e obesidade e fatores associados em escolares de área urbana de Chilpancingo,
Guerrero, México, 2004.Cad. Saúde Pública v.22 n.6 Rio de
Janeiro jun. 2006
RIVERA,
J.A., SEPÚLVEDA, J. Conclusiones de la Encuesta Nacional de Nutrición 1999:
traduciendo resultados en políticas públicas sobre nutrición. Salud Publica
Méx 2003; 45 Suppl 4:S565-75.
1 Deptº de Ciência e Tecnologia Agroindustrial – FAEM/UFPel;
2 Faculdade de Nutrição / UFPel
Campus Universitário – Caixa Postal 354 – CEP 96010-900 -
magnalameiro@via-rs.net