A crescente competitividade
e os custos elevados para o desenvolvimento de produtos que preencham os
anseios dos consumidores, entre outras causas, faz surgir a necessidade das
empresas se engajarem em processos de aprendizagem com o ambiente e, mais
precisamente, por meio de alianças estratégicas. O conhecimento, neste
contexto de aprendizado mútuo, deixa de ser uma ferramenta ou recurso para se
tornar o foco do negócio. Poucas indústrias seguem competindo através de
recursos tangíveis e até o capital deixa de ser um diferencial competitivo,
uma vez que, o desenvolvimento do mercado de capitais e o crescente
investimento externo direto permite o surgimento de indústrias intensivas em
capital até em países subdesenvolvidos.
As indústrias de informática
e farmacêutica, setores econômicos intensivos em conhecimento, servem de
exemplo para entendermos melhor a corrida em busca do conhecimento através da
formação de alianças. É importante notar que a complexidade das inovações,
nestes setores, demanda o compartilhamento de riscos. Faulkner e Child (1998,
p. 77) cita que dividir o risco financeiro é um motivo fundamental na formação
de alianças.
Os autores citam ainda que
as evidências da pesquisa conduzida por Powell, Koput e Smith-Doerr (1996)
levam a crer que o conhecimento e fontes de inovação surgem no contexto de
comunidade. A organização rígida, hierarquizada, seria um veículo pobre em
aprendizado. De fato, o desenvolvimento de alianças permite às empresas
adquirirem as competências de que necessitam podendo evoluir para a troca de
conhecimento tácito.
O aprendizado
organizacional, conforme citado por Rodrigues (1999, p. 113), significa o
aumento do repertório de habilidades possuídas por uma organização. As
joint ventures podem ser desenvolvidas a partir da necessidade de se
transferir conhecimento tácito. Apesar de ser de difícil transferência, pode
ser compartilhado através dos recursos humanos das empresas envolvidas na
parceria trabalhando juntos.
As novas formas de
organização surgem para fomentar o acesso ao conhecimento. Pettigrew e Fenton
(2000) enfatizam o conceito de modular organization proposto por Daft e
Lewin. As chamadas organizações modulares dão suporte ao aprendizado contínuo,
e são flexíveis para lidar mais eficientemente com os problemas surgidos no
cada vez mais instável ambiente externo das empresas.
As indústrias
farmacêuticas, por exemplo, entram em alianças como uma forma de fazer
pesquisas em parceria e alavancar o conhecimento necessário para o
desenvolvimento de novos medicamentos. A Pfizer recorreu a diversas parcerias
nos últimos dez anos para o desenvolvimento de medicamentos. A Pfizer, em
particular, criou o cargo de vice-presidência de alianças estratégicas e
reconhece que para alcançar um crescimento agressivo é preciso recorrer às
alianças estratégicas.
As diversas alianças na
indústria farmacêutica tornam mais difícil diferenciar competidores de
aliados. Conforme mencionado por Rodrigues (1999) o ambiente de acirrada
competitividade cria o paradoxo das estratégias colaborativas. Pode-se dizer
que quanto maior o investimento necessário em pesquisa e desenvolvimento,
maior parece ser a necessidade de entrar em alianças estratégicas. O grande
número de alianças estratégicas presente também na área de tecnologia da
informação ajuda a sustentar a tese.
A Hewlett-Packard e a Disney
uniram suas competências através de uma aliança estratégica, prevista
inicialmente para durar 10 anos, feita em 2003. Empresas como HP e Disney
resolvem unir suas competências essenciais para atender melhor os novos
consumidores.
O estudo das indústrias farmacêutica e da informática leva
a crer que a crescente colaboração entre competidores é uma tendência
irreversível. A necessidade da troca de tecnologia e conhecimento, do
desenvolvimento de pesquisas conjuntas e da redução de riscos continuará
ditando a forma de competição. Paralelo a estas imposições do mercado
competitivo, existe o interesse dos países subdesenvolvidos em atrair
investimento estrangeiro. Os países contrários ao investimento estrangeiro
tendem a ceder diante da necessidade de ter acesso ao conhecimento tácito das
organizações que almejam entrar nestes mercados.
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Referências bibliográficas:
CHILD, J. e FAULKNER, D. Strategies of cooperation: managing
alliances, networks, and joint ventures.
Oxford, New York: Oxford
University Press, 1998.
PETTIGREW, A. e
FENTON, E. The innovating organization.
Londres: Sage, 2000.
RODRIGUES, S. (org.).
Competitividade, alianças estratégicas e gerência internacional.
São
Paulo: Atlas, 1999.
Gustavo Porpino de Araújo é jornalista, pós-graduado em administração pela Universidade de Tecnologia de Queensland (Austrália), mestrando em administração pela Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN). É analista de comunicação e negócios da Embrapa
Cerrados.