06/02/2010
Ano 13 - Número 670

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Opinião Acadêmica

Opinião Acadêmica

A relação do sujeito com sua verdade:
uma leitura foucaultiana de Freud
 


Atílio Lucio Malta


Resumo: Na última fase de seu pensamento, Michel Foucault se aproxima dos filósofos da antiguidade ao propor o resgate do cuidado de si, ou seja, da ‘epiméleia heautoû’. Em A hermenêutica do sujeito, título que reúne as aulas de um curso ministrado em 1982, o filósofo percorre a história assinalando onde o cuidado de si esteve presente. Ainda na primeira aula de seu curso, Foucault aponta dois saberes modernos – o marxismo e a psicanálise –, que, para ele, trariam em seu núcleo a questão central do cuidado de si. Dessa forma, este artigo se propõe a percorrer a trilha, proposta pelo filósofo, de que a psicanálise, um saber do século XIX, traz, em si, as questões da ‘epiméleia heautoû’, presentes desde os tempos de Sócrates. Nesta investigação, tomaremos como norte a psicanálise freudiana para responder à seguinte questão: como a psicanálise pode ser uma das formas de cuidado de si?

Palavras-chave: Foucault, Freud, cuidado de si, psicanálise, sujeito, verdade.


Na leitura do curso de Foucault, A hermenêutica do sujeito, em que o filósofo apresenta a forma filosófica do epiméleia heautoû (cuidado de si), é difícil não se intrigar com a passagem onde o filósofo francês relaciona o cuidado de si com a psicanálise. Para Michel Foucault, tanto o cuidado de si quanto a psicanálise têm, como questão central, a problemática que envolve o sujeito no acesso à verdade.

No referido curso, Foucault analisa diversos textos, da Grécia Clássica até o helenismo, incluindo o cristianismo antigo. Reflete sobre a ruptura entre filosofia e espiritualidade no cristianismo medieval. Explana o ‘momento cartesiano’, que vai até Kant e que separou o conhecimento científico e filosófico do cuidado de si. Nessa exposição do que seria o cuidado de si e de suas características fundamentais, traçaremos um paralelo entre a psicanálise e a epiméleia heaut, pois, para o filósofo, tal saber seria uma forma de ascese moderna, que traz em si as mesmas inquietações do cuidado de si presentes na cultura grega, helenística e cristã antiga.

Tendo como principal objetivo ponderar acerca das possíveis relações que poderiam ser estabelecidas entre o cuidado de si e a psicanálise, pretendesse pensar até que ponto o vínculo indicado por Foucault faz sentido. Entre diversas perspectivas possíveis, optamos, neste momento, por um dos aspectos essenciais da epiméleia heautoû, tal como Foucault estabelece em sua pesquisa, a saber, a relação do sujeito com a verdade. Para tanto, será preciso primeiro expor as características fundamentais da epiméleia heautoû. Em seguida, utilizando-se como ferramenta de pesquisa os conceitos e a perspectiva de Foucault, trabalharemos a relação entre sujeito e verdade, de acordo com o pensamento de Freud – abordando aspectos específicos da psicanálise nascente – especialmente na obra A interpretação dos sonhos. Por último, delinearemos a relação entre cuidado de si e a psicanálise e discutiremos como ambos podem conduzir o sujeito à verdade.

A hermenêutica como tentativa de resgate
Um resgate da relação do sujeito consigo próprio pela mediação da verdade, é o que propõe A hermenêutica do sujeito, título que reúne as aulas ministradas por Michel Foucault1 no Collège de France2, no ano de 1982; organizada e publicada postumamente por três de seus alunos, herdeiros diretos de sua filosofia3. Com esse intento, o filósofo retorna a textos da Grécia antiga e do período romano helenístico, onde a preocupação central é a busca da verdade do sujeito ou, em termos mais propriamente históricos, o cuidado de si4, preocupação que vai se desgastando aos poucos com o desenvolvimento do sistema cristão, com sua moral baseada no não-egoísmo e tem sua apartação radical no que Foucault (apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006) chama de “momento cartesiano”.

Parece-me que o “momento cartesiano” [...] atuou de duas maneiras, seja requalificando filosoficamente o gnôthi seautón (conheça-te a ti mesmo), seja desqualificando, em contrapartida, a epiméleia heautoû (cuidado de si). [...] Com efeito, [...] instaurou a evidência na origem, no ponto de partida do procedimento filosófico – a evidência tal como aparece, isto é, tal como se dá, tal como efetivamente se dá à consciência sem qualquer dúvida possível. [É, portanto, ao] conhecimento de si, ao menos como forma de consciência, que se refere o procedimento cartesiano. Além disto, colocando a evidência da existência própria do sujeito no princípio do acesso ao ser, era este conhecimento de si mesmo (não mais sob a forma da prova da evidência mas sob a forma da indubitabilidade de minha existência como sujeito) que fazia do “conhecer-te a ti mesmo” um acesso fundamental à verdade (FOUCAULT, 2006, p. 18).

Para o filósofo francês, o “momento cartesiano” foi o responsável pela inversão da primazia do cuidado de si sobre o conhecimento de si. Com o cristianismo5 e, mais adiante, com o “momento cartesiano”, a epiméleia heautoû teria adquirido um caráter negativo, diferente daquele original, que podemos detectar na filosofia grega antiga. O motivo de tal inversão seria o fato de que, para a filosofia cartesiana ou como prefere Foucault, para “o momento cartesiano”, a verdade só se dá mediante o conhecimento objetivo da realidade. Da forma apresentada pelos gregos, a epiméleia heautoû, representaria uma ameaça ao sistema cristão medieval6 e ao Iluminismo, pois, para ambos, o cuidado de si, nos moldes socráticoplatônico, soava como egoísmo e conceberia uma ameaça, na medida em que exige do sujeito uma prioridade de si, antes mesmo da fé ou da razão. Esses seriam, por assim dizer, os motivos que fizeram com que tal preceito fosse excluído do pensamento filosófico moderno (FOUCAULT, apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006). Foi também, para Foucault, com essa inversão da primazia do cuidado de si sobre o conhecimento de si que houve a separação entre filosofia e espiritualidade, inconcebível para os gregos antigos7. Mas o que é filosofia e o que é espiritualidade para Foucault?

Chamemos “filosofia” a forma de pensamento que se interroga sobre o que permite ao sujeito ter acesso à verdade, forma de pensamento que tenta determinar as condições e os limites do acesso do sujeito à verdade. [...] “espiritualidade” o conjunto de buscas, práticas e experiências tais como as purificações, as asceses, as renúncias, as conversões do olhar, as modificações de existência, etc., que constituem, não para o conhecimento, mas para o sujeito, para o ser mesmo do sujeito, o preço a pagar para ter acesso à verdade (FOUCAULT, 2006, p. 19).

A partir do “momento cartesiano”, a unidade entre filosofia e espiritualidade, existente no pensamento grego antigo, deixa de existir. Na filosofia, a partir de Descartes, o homem chegaria à verdade pelo simples fato de ser sujeito cognoscente, isto é, sujeito conhecedor. Em Descartes, filosofia não requer espiritualidade, pois o acesso do sujeito à verdade não requer nenhuma transformação do sujeito. Como já é possível notar, Foucault historiciza a forma cartesiana de se entender a relação entre subjetividade e verdade. Em A hermenêutica do sujeito, Foucault pondera sobre possíveis formas de se resgatar uma época na qual havia a necessidade de o sujeito procurar a verdade. Para tal resgate, o filósofo francês retoma as tradições do cuidado de si, que, no Ocidente, tem sua origem com os gregos, seu apogeu nas correntes filosóficas do helenismo e no cristianismo antigo8, se desgasta na idade média, na renascença e modernidade, ganhando nova configuração com os saberes que surgem nos séculos XIX e XX, como o marxismo e a psicanálise.

[...] no marxismo como na psicanálise, o problema a respeito do que se passa com o ser do sujeito (do que deve ser o ser do sujeito para que ele tenha acesso à sua verdade) e a conseqüente questão acerca do que pode ser transformado no sujeito pelo fato de ter acesso à verdade, estas questões repito, absolutamente características da espiritualidade, serão por nós encontradas no cerne mesmo destes saberes ou, em todo caso, de ponta a ponta em ambos. [...] O que quero dizer é que nestas formas de saber reencontramos as questões, as interrogações, as exigências que, a meu ver – sob um olhar histórico de pelo menos um ou dois milênios –, são as muito velhas e fundamentais questões da epiméleia heautoû e, portanto, da espiritualidade como condição de acesso à verdade (FOUCAULT) apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p. 40-1).

Entre os caminhos apontados, escolhemos abordar a psicanálise, pois o filósofo enxerga, nesse saber, a problemática que envolve o acesso do sujeito à verdade e as implicações inerentes que ocorreriam no sujeito. Para Foucault, tais questões constituiriam o cerne da psicanálise e, ao mesmo tempo, da epiméleia heautoû.

Fazendo ressurgir esta questão, acho que ele [Lacan] fez efetivamente ressurgir, no interior mesmo da psicanálise, a mais velha tradição, a mais velha interrogação, a mais velha inquietude desta epiméleia heautoû, que constitui a forma mais geral da espiritualidade. Esta questão, que não me cabe resolver, é certamente a seguinte: é possível, nos próprios termos da psicanálise, isto é, dos efeitos de conhecimento portanto, colocar a questão das relações do sujeito coma verdade, que – do ponto de vista, pelo menos, da espiritualidade e da epiméleia heautoû – não pode, por definição, ser colocada nos próprios termos do conhecimento? (FOUCAULT apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p. 41).

Como se vê, Foucault aponta, para a psicanálise de Lacan, um momento áureo da espiritualidade na nossa modernidade. Embora o filósofo, certamente, não exclua o pensamento de Freud dessa abordagem, não chega a dedicar nem mesmo um parágrafo para detalhar em que sentido, na obra do médico vienense, poder-se-ia encontrar as questões da epiméleia heautoû. A hipótese de trabalho aqui é de que, já no pai da psicanálise, o cuidado de si está implicado essencialmente, e o objetivo é prová-lo.

O cuidado de si e a psicanálise como formas de ascese
Sócrates, conforme relata o diálogo platônico Alcebíades, instigava os jovens destinados ao governo da polis a ocuparem-se consigo, a cuidarem primeiramente de si, a descobrirem a verdade, pois somente assim estariam preparados para cuidar da cidade. Diz o Sócrates platônico:

Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende o que é preciso conhecer para te iniciares na política; antes, não. Munido, desse modo, do contraveneno adequado, nada prejudicial te poderá acontecer. [...] Porém de que modo alcançaremos o conhecimento perfeito da alma? Sabido isso, ao que parece, conhecer-nos-emos a nós mesmos. Mas, pelos deuses, será que penetramos, de fato, no sentido profundo do excelente preceito de Delfos a que há momentos nos referimos? (PLATÃO, 1975, p. 242-3)

Sócrates incitava Alcebíades a ocupar-se consigo, descobrir a verdade, cuidar de si, para depois cuidar dos outros. Bem como Sócrates, o pai da psicanálise entendeu que só seria possível compreender o outro se ele próprio, como sujeito, descobrisse a verdade. Nesses termos, a psicanálise pode ser uma das formas de conhecimento de si e de prática de si, preceitos que estão diretamente subordinados à noção de cuidado de si. Na psicanálise, para se chegar ao conhecimento de si, faz-se necessário, numa atitude de repouso, observar e interpretar os próprios atos mentais em jogo em nossa linguagem, sonhos e atos falhos. Nesse sentido, a psicanálise pode ser uma forma de cuidado de si, na medida em que exige do sujeito que ocupe-se consigo e se conheça, utilizando-se, para isso, das práticas de si.

Aqui cabe uma pergunta: o que fez com que Freud chegasse à conclusão de que era necessário ocupar-se consigo mesmo, que era necessário se investigar, se descobrir? Poderíamos descartar a possibilidade de que um Sócrates o tenha interceptado e o instigado a praticar tal preceito? Seria Breuer esse Sócrates?

Meu conhecimento desse método foi obtido da seguinte maneira. Tenho-me empenhado há muitos anos (com um objetivo terapêutico em vista) em deslindar certas estruturas psicopatológicas - fobias histéricas, idéias obsessivas, e assim por diante. Com efeito, tenho-o feito desde que soube, por meio de uma importante comunicação de Josef Breuer, que, no tocante a essas estruturas (que são consideradas como sintomas patológicos), sua decomposição coincide com sua solução. (Cf. Breuer e Freud, 1895.) Quando esse tipo de representação patológica pode ser rastreado até os elementos da vida mental do paciente dos quais se originou, a representação ao mesmo tempo se desarticula, e o paciente fica livre dela. Considerando a impotência de nossos outros esforços terapêuticos e a natureza enigmática desses distúrbios, senti-me tentado a seguir a trilha apontada por Breuer, apesar de todas as dificuldades, até que se chegasse a uma explicação completa (FREUD, 2001, p. 115-6).

O sujeito como problema Foucault referiu-se à psicanálise, no decorrer de sua obra, a partir de perspectivas bem diversas, o que, para Eribon, estudioso de Foucault, não constituiria uma contradição. O que interessava a Foucault não era especificamente a psicanálise e, sim, a questão do sujeito (ERIBON, 1996, p.147). Mas qual seria o problema do sujeito, o qual causa tanta inquietação no filósofo francês e a psicanálise traz em si? Essa questão foi respondida por Foucault, em um artigo publicado em 19819.

[...] descobríamos que a filosofia e as ciências humanas viviam sobre uma concepção muito tradicional do sujeito humano, e que não bastava dizer, ora com alguns, que o sujeito era radicalmente livre, ora com outros, que ele era determinado pelas condições sociais. Descobríamos que era preciso procurar libertar aquilo que se esconde por trás do uso aparentemente simples do pronome “eu” (ERIBON, 1996, p. 148).

No pensamento de Foucault, o sujeito não surge, configura-se. “O sujeito não é a forma fundamental e originária, mas forma-se a partir de um certo número de processos [...] O sujeito tem uma gênese, o sujeito não é originário” (ERIBON, 1996, p. 147). Ora, Foucault viu em Freud e em Lacan possibilidades programáticas de apresentar certos processos pelos quais o sujeito pode configurar-se. Nesse sentido, a psicanálise estaria do lado de uma filosofia que não pensa o sujeito como previamente originário em relação aos processos que o constitui.

Verdade e sonho
No curso A hermenêutica do sujeito, vez ou outra, o autor se refere a um texto de Fílon de Alexandria, intitulado Os terapeutas. Esse texto descreve uma suposta comunidade que tinha como princípio o cuidado da alma, o que Foucault interpreta como “cuidado de si”. Em um determinado momento do curso, o filósofo comenta sobre a forma com que os terapeutas encaram os sonhos.

Suas relações com o saber, sua prática de estudos é tão forte, seus cuidados com o estudo tão intensos – e aqui encontramos um tema muito importante em toda a prática de si, ao qual creio já ter feito menção –, que, mesmo durante o sono e os sonhos, “proclamam as doutrinas da filosofia sagrada”. Este é um exemplo [...] do sono e dos sonhos como critérios das relações do indivíduo com a verdade, critérios da relação existente entre a pureza do indivíduo e a manifestação da verdade (FOUCAULT, 2006, pp. 144-5).

Para esses terapeutas os sonhos funcionam como uma espécie de termômetro em suas vidas. Em outras palavras, eram os sonhos que diziam se estavam ou não conseguindo êxito em seus propósitos, se o indivíduo estava ou não cuidando de sua alma, ou seja, se estava ou não cuidando de si da forma correta. O raciocínio é simples: se me ocupo ‘corretamente’ das minhas práticas durante o dia, isto é, se me dedico à leitura das Sagradas Escrituras (a Torá judaica) e pratico a ascese espiritual (jejuns, penitências, meditações etc.), certamente os sonhos que me ocorrerão durante a noite serão puros, pois irão refletir o que me aconteceu durante o dia. Entretanto, se, porventura, meus sonhos não forem bons, significaria em algum momento durante o dia, desviei de meu propósito.

Não nos interessa, no exemplo anterior, saber se a interpretação que esse grupo faz dos sonhos é verdadeira, e sim entender a relação que essa comunidade, supostamente existente no período intertestamentário, estabelece entre sonho e verdade. O interessante é notar que os terapeutas encaravam os sonhos como aquilo que revelava a verdade sobre si.

Dezenove séculos mais tarde, no ano de 1897, o médico Sigmund Freud começa a redigir o que viria a ser a mais conhecida obra sobre os sonhos já escrita e que seria publicada em 1900. Nessa obra, em que Freud analisa seus próprios sonhos e de seus pacientes, desvendar os mistérios da vida onírica, na nossa interpretação, seria uma das formas de cuidado de si, pois os sonhos, para Freud, revelariam desejos recalcados durante o dia, revelando assim, para o sujeito, a verdade que se passa em seu inconsciente.  Portanto, assim como para a comunidade dos terapeutas os sonhos revelam a verdade da coerência de vida, ou mesmo a verdade da vida, os sonhos, na interpretação freudiana, mostram para o sujeito a verdade de seus desejos.

Relação sujeito e verdade em Freud
Através de sua psicanálise, Sigmund Freud aborda a relação entre sujeito e verdade10. Ou seja, a teoria psicanalítica freudiana tem como finalidade última conduzir o sujeito a descobrir a verdade dos seus desejos desconhecidos, mas subjacentes aos seus sintomas e sonhos. Se assim entendermos, podemos dizer que a obra de Freud, em sua totalidade, trata da relação entre sujeito e verdade. Obviamente, não temos a pretensão de fazer, neste artigo, tão ampla análise, pois, para tanto, seria necessário um passeio pela extensa obra freudiana. Por ora, vamos tentar demonstrar essa relação apresentada na célebre obra A interpretação dos sonhos, especificamente a partir do segundo capítulo, onde ele, de fato, começa a mostrar seu modelo de interpretação dos sonhos, analisando diretamente os seus próprios e os de alguns de seus pacientes.

A escolha da obra não foi mero acaso. É de consenso no meio psicanalítico que A interpretação dos sonhos é considerada a obra inaugural da psicanálise11. Ela inaugura uma nova forma de ver o homem, ao utilizar-se da idéia de que somos movidos pelo inconsciente. Até a publicação da referida obra, o homem era abordado somente como um ser racional, capaz de controlar todos os seus atos, inclusive seus instintos e impulsos. Para Descartes (1999, p. 62), o sujeito é “uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de lugar algum, nem depende de qualquer coisa material”. Queremos, neste momento, explicitar que, com o conceito de inconsciente, Freud diz que existe um nível na mente que era, até então, desconhecido e ao qual não temos acesso livre, tampouco, podemos controlá-lo, e, apesar disso, ele dita nosso comportamento. Isto é justamente o que nos interessa na obra freudiana: o sujeito descobrindo que não é senhor de sua morada.

A descoberta da verdade do sujeito, na obra de Freud, passa pela observação e interpretação dos sonhos. Por esse mecanismo, poder-se-ia reconhecer os verdadeiros desejos, ou seja, seria mediante tratamento psicanalítico que o sujeito deixaria de ser um estranho a si mesmo.

Os mecanismos dos sonhos e o inconsciente na obra de Freud
Aqui vamos tentar esclarecer algumas questões centrais do texto de Freud. É necessário entender o que é um sonho para Freud, qual sua função para o indivíduo, qual o seu objetivo ao se interpretarem os sonhos e quais os resultados práticos da interpretação desses sonhos na vida do sujeito. Questões complexas que tentaremos responder ao longo do desenvolvimento do texto, para que cheguemos à questão central do artigo: como a psicanálise pode ser uma forma de cuidado de si?

Para responder a essas questões, seria interessante partir da afirmação de Freud (2001, p. 112) de que “‘interpretar’ um sonho implica atribuir a ele um ‘sentido’ - isto é, substituí-lo por algo que se ajuste à cadeia de nossos atos mentais como um elo dotado de validade e importância iguais ao restante”. A idéia de que os sonhos são somente atividades psíquicas registradas durante o sono, desprovidas de nexo e provocadas por estímulos fisiológicos, não procede na psicanálise de Freud. É mais que isso. E seria um grave equívoco explicarmos o que são os sonhos dentro da obra freudiana dissociando-os de seu sentido e de sua função. Para o pensador os sonhos são “fenômenos psíquicos de inteira validade - realizações de desejos; podem ser inseridos na cadeia dos atos mentais inteligíveis de vigília” (FREUD, 2001, p.136).

Somos, normalmente, condicionados a imaginar que os sonhos são desprovidos de qualquer senso por não entendermos que sua lógica é outra. Os sonhos, na verdade, obedecem as leis que nos regem durante o sono, leis essas, que nos são desconhecidas, ainda que nos pareçam familiares, ou seja, os sonhos seguem sua própria lei, sua própria lógica. E sempre, necessariamente, indicam um desejo não-realizado. A constatação de nem sempre ser possível enxergar claramente tal desejo no sonho se explica pelo fato de nem sempre tal anseio ser compatível com nossa posição social, nosso sexo, nossa situação civil, nossas convenções morais etc.

Os desejos que aparecem durante nossa vida diurna e que não podem ser aceitos por nosso consciente são ‘esquecidos’. O esquecimento é conseqüência de um mecanismo descrito como “recalque”. Os desejos recalcados não desaparecem, permanecem em nossa mente, em nosso inconsciente e exerce sua influência durante a vida onírica. Já que não lhes é possível se expressarem conscientemente, procuram expressões substitutivas que lhes permitam escapar da censura que lhes foi imposta. Assim, podemos concluir que os sonhos têm origem em nossa estrutura instintiva e pulsional em forma de desejos; a consciência, por sua vez, não podendo, por diversos fatores, aceitá-los, “joga-os” para o inconsciente via recalque. Durante o sono, esses desejos podem emergir do inconsciente, ou seja, sair do inconsciente e vir para o consciente. Isso é possível porque no sonho seria mais fácil ‘driblar’ a censura da nossa consciência. Os desejos assumem, então, características ‘aceitáveis’ para aquilo que está ativo na consciência moral, apesar de estarmos dormindo. É por isso que Freud  considera os sonhos a principal via de acesso ao inconsciente, já que eles são a manifestação mais direta deste.

O que despertou a atenção de Freud para o estudo dos sonhos foi a constatação de que o simples ato de relatar os acontecimentos oníricos provocava o alívio dos sintomas da esquizofrenia em seus pacientes (FREUD, 2001). Nessa reflexão, o pensador descobriu a existência do inconsciente. O inconsciente, no pensamento freudiano, é um dos três níveis do psiquismo, onde permanecem os processos, as idéias e os sentimentos que não podem ser trazidos voluntariamente à tona e à luz da consciência. O inconsciente denota tudo que não é consciente para o sujeito, tudo que escapa à sua consciência espontânea e refletida; não conhece tempo, contradição, exclusão induzida pela negação, alternativa, dúvida, incerteza e diferença de sexo. No inconsciente, a realidade externa é substituída pela psíquica; possui regras próprias que desconhecem as relações lógicas conscientes de não-contradição e de causa e efeito; e é constituído de elementos recalcados. Elementos esses que são representantes pulsionais que obedecem aos mecanismos do processo primário. Quando algo se torna inconsciente, para trazê-lo ao nível consciente, são necessárias técnicas mais poderosas que a simples vontade, como, por exemplo, o hipnotismo, a sugestão ou a psicanálise12.

A psicanálise freudiana como forma de cuidado de si
Foucault entende que o cuidado de si coordena as práticas de si e o conhecimento de si. Relatando e interpretando seus sonhos, o sujeito descobre o que se passa em seu inconsciente. Dessa forma, ao deparar-se com seus desejos mais escondidos, que emergem diretamente do desconhecido de sua mente, o sujeito conhece a si mesmo. Contudo, para que o sujeito, na psicanálise, coloque em prática o preceito délfico “conheça-te a ti mesmo”, que, por sua vez, é um dos preceitos que está subordinado ao cuidado de si, são necessários “um aumento da atenção que ele dispensa a suas próprias percepções psíquicas e a eliminação da crítica pela qual ele normalmente filtra os pensamentos que lhe ocorrem.   Para que ele possa concentrar sua atenção em si mesmo”(FREUD, 2001, p. 116). Essa renúncia à faculdade crítica é essencial, pois tal faculdade leva o sujeito

[...] a rejeitar algumas das idéias que lhe ocorrem após percebê-las, a interromper outras abruptamente, sem seguir os fluxos de pensamentos que elas lhes desvendariam, e a se comportar de tal forma em relação a mais outras que elas nunca chegam a se tornar conscientes e, por conseguinte, são suprimidas antes de serem percebidas (FREUD, 2001, p. 117).

A faculdade crítica desvia o curso de suas representações, bloqueando o acesso à verdade, ou seja, a faculdade crítica atua como um filtro moral que bloqueia o acesso à verdade última. Diante de tal empecilho e havendo renunciado à técnica da hipnose, Freud inventa um procedimento que será típico de toda a sua ação clínica. Inicia-se o tratamento psicanalítico com um pacto entre psicanalista e paciente, que consiste em um compromisso do paciente de comunicar “todas as idéias ou pensamentos que lhes ocorressem em relação a um assunto específico [...], renunciando a qualquer crítica aos pensamentos que perceber” (FREUD, 2001, p. 116).

A observação dos processos psíquicos, a construção da cadeia mental, que resultam, em última instância, em uma idéia patológica, constituem, por si só, um processo de conhecimento de si, que, na psicanálise, vem acompanhado de uma prática de si. Em outras palavras, para que o sujeito observe o que se passa em sua mente, é necessário voltar, numa atitude de relaxamento (repousar e fechar os olhos), sua atenção para si mesmo (FREUD, 2001) Para que a interpretação dos sonhos constituísse um meio eficaz de acesso do sujeito ao inconsciente, foi necessário o desenvolvimento de uma técnica, que ficou conhecida, no meio psicanalítico, como Regra Fundamental.

Regra que estrutura a situação analítica: o analisando é convidado a dizer o que pensa e sente sem nada escolher e sem nada omitir do que lhe acode ao espírito, ainda que lhe pareça desagradável de comunicar, ridículo, desprovida de interesse ou despropositado. É estabelecida no princípio do tratamento psicanalítico e utiliza-se do método das associações livres (LAPLANCHE; PONTALIS, 2001, p. 565).

No relato de seus sonhos, os pacientes são convidados a desenvolver em uma cadeia de pensamentos baseados em conteúdos oníricos, sem nenhum tipo de restrição. A inibição da faculdade crítica se faz necessária para que o paciente não filtre qualquer pensamento, mesmo que lhe pareça desprovido de nexo. Dessa forma, o sujeito apenas observa e relata o seu conteúdo psíquico, sem fazer nenhum tipo de julgamento moral.

À medida que emergem, as representações involuntárias transformam-se em imagens visuais e acústicas. [...] No estado utilizado para a análise dos sonhos e das idéias patológicas, o paciente, deforma intencional e deliberada, abandona essa atividade e emprega a energia psíquica assim poupada (ou parte dela) para acompanhar com atenção os pensamentos involuntários que emergem e que [...] mantém o caráter de representações. Dessa forma, as representações “involuntárias” são transformadas em “voluntárias” (FREUD, 2001, p. 117).

O método de associações livres se utiliza de um sistema semelhante ao mecanismo utilizado pelo inconsciente para fazer emergir os desejos recalcados. Não emitindo valor moral às associações feitas com base no conteúdo dos sonhos, o superego se enfraquece e o real significado dos sonhos emerge de forma sutil, podendo ser interpretado no estudo detalhado da cadeia de pensamentos que se estabelece, chegando-se, dessa forma, à idéia patológica originária. O sujeito

[...] precisa dar-se o trabalho de suprimir sua faculdade crítica. Se tiver êxito nisso, virão à sua consciência inúmeras idéias que, de outro modo, ele jamais conseguiria captar. O material inédito obtido para sua autopercepção possibilita interpretar tanto suas idéias patológicas como suas estruturas oníricas. O que está em questão, evidentemente, é o estabelecimento de um estado psíquico que, em sua distribuição de energia psíquica [...] tem alguma analogia com o estado que procede o adormecimento (FREUD, 2001, p. 117)

Ao se colocar sob a análise psicanalítica, o sujeito, quase sempre, oferece, no início, certa resistência. “Quando digo ao paciente ainda novato: ‘Que é que lhe ocorre em relação a esse sonho?’, seu horizonte mental costuma transformar-se num vazio” (FREUD, 2001, p. 119). Todavia, tal resistência é, normalmente, superada. “No entanto, se colocar diante dele [o paciente] o sonho fracionado, ele me dará uma série de associações para cada fração, que poderiam ser descritas como os ‘pensamentos de fundo’ dessa parte específica do sonho” (FREUD, 2001, p. 119).

Em outros, “a adoção da atitude de espírito necessária perante idéias que parecem surgir ‘por livre e espontânea vontade’, bem como o abandono da função crítica que normalmente atua contra elas, parecem ser difíceis de conseguir” (FREUD, 2001, p.117-8). A resistência é maior e perdura por mais tempo, pois “‘os pensamentos involuntários’ estão aptos a liberar uma resistência muito violenta, que procura impedir seu surgimento” (FREUD, 2001, p. 118), justamente porque o método de associações livres revela para o sujeito a verdade, da qual ele quer se defender ou havia, de forma inconsciente, esquecido-se, pelo fato de ela lhe proporcionar sofrimento. Contudo, para que a análise psicanalítica tenha êxito, o sucesso da aplicação da regra fundamental é indispensável (FREUD, 2001).

Já no início do tratamento psicanalítico, Freud pede ao paciente que repouse, feche os olhos e observe a si mesmo. Ou seja, o sujeito deve aplicar a si os preitos básicos do cuidado de si, a saber, a prática de si e o conhecimento de si.

Devemos tentar efetuar duas mudanças nele: um aumento da atenção que ele dispensa a suas próprias percepções psíquicas e a eliminação da crítica pela qual ele filtra os pensamentos que lhe ocorrem. Para que ele possa concentrar sua atenção na observação de si mesmo, é conveniente que ele se coloque numa atitude repousante e feche os olhos (FREUD, 2001, p. 116).

Podemos, aqui, equiparar a superação desse sofrimento na aplicação da regra fundamental, ao preço que o sujeito paga pelo acesso a verdade, o que Foucault (apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p.19-20) chama de espiritualidade:

Postula a necessidade de que o sujeito se modifique, se transforma, se desloque, torne-se em certa medida e até certo ponto, outro que não ele mesmo, para ter direito a [o] acesso à verdade. A verdade só é dada ao sujeito a um preço que põe em jogo o ser mesmo do sujeito. Pois, tal como ele é, não é capaz de verdade. Acho que esta é a formula mais simples porém mais fundamental para definir a espiritualidade. Isto acarreta, como conseqüência, que deste ponto de vista não pode haver verdade sem uma conversão ou sem uma transformação do sujeito.

Foucault diz que, para o sujeito ter acesso à verdade, é necessário que se transforme e se modifique. A verdade exige um preço a ser pago, isto é, exige que o sujeito se transforme. O transformar-se e deslocar-se na psicanálise significam o esforço do sujeito em viver a realidade de suas percepções psíquicas e de, ao mesmo tempo, observá-las. Em outras palavras, o sujeito se transforma e se desloca a ponto de ter que estar em duas realidades distintas simultaneamente. Algo demasiadamente pesado, mas indispensável no processo psicanalítico e no cuidado de si. Superar os obstáculos que não permitem ao sujeito revelar a verdade última lembra, ainda, o que Foucault (apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p.11) diz sobre a aplicação da filosofia do cuidado de si: “O cuidado de si é uma espécie de aguilhão que deve ser implantado na carne dos homens, cravado na sua existência, e constitui um princípio de agitação, um princípio de movimento, um princípio de permanente inquietude no curso da existência”.

Ter de expressar, verbalmente, aquilo que traz sofrimento constitui, sem dúvida, um entrave. No entanto, para que o sujeito se descubra, tal atitude é imprescindível. Esse seria o único modo “a fazer com que o indivíduo possa querer a si mesmo – e assim atingir finalmente a si próprio, exercer soberania sobre si e, nesta relação, encontrar a plenitude da sua felicidade” (FOUCAULT apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p. 166).

Conclusão
A motivação de Foucault ao propor o resgate do cuidado si é a de constituir o sujeito por si mesmo, isto é, fazer com que a sujeição à qual ele está passível seja, somente, a si.

Procurando destrinchar essa possibilidade, discorremos sobre a importância de se observar e interpretar os próprios sonhos, na esperança que eles nos revelem quais são realmente nossos verdadeiros desejos e por qual razão não podemos admiti-los a nós mesmos. Seria pela psicanálise que teríamos essas respostas, ou seja, via psicanálise o sujeito tem a possibilidade de cuidar de si, de descobrir a verdade. Tal descoberta não permite ao sujeito manter a mesma postura diante do mundo. Por esse motivo, o acesso do sujeito à verdade exige sua transformação. Esse seria o preço a ser pago pela descoberta de si.

Independente do momento e contexto histórico, o sujeito, ao descobrir-se, necessariamente, irá se deparar com realidades internas conflitantes que o farão sofrer. Contudo, esse é um sofrimento que, além de inevitável, é necessário. Entendemos que o indivíduo que tem acesso à sua verdade enxerga e encara o mundo a partir de si, não somente pela razão ou emoção, mas por toda a complexidade do seu ser.

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1 Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, França, em 15 de outubro de 1926. Em 1946 ingressa na Ecole Normale Superiéure. Em 1949, conclui Licenciatura em Psicologia e recebe seu diploma em Estudos Superiores de Filosofia, com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite. Morreu em 25 de junho de 1984.

2 O ensino no Collège de France obedece a regras particulares. Os professores têm a obrigação de cumprir vinte e seis horas de ensino por ano (podendo a metade, no máximo, ser oferecida na forma de seminários). O acesso às aulas é livre; não requer inscrição nem diploma. As aulas de Foucault ocorriam às quartas-feiras, do início de janeiro ao fim de março.

3 François Ewald, Alessandro Fontana e Frédéric Gros.

4 Na cultura antiga a relação entre sujeito e verdade gira em torno das ‘práticas de si’. O próprio Foucault (apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p. 13) afirma que “a noção de cuidado de si [...] percorreu, seguiu, o decurso de toda a filosofia antiga até o limiar do cristianismo, também reencontraremos a noção de epiméleia (de cuidado) no cristianismo...”

5 “[...] o desprendimento não se fez bruscamente com o aparecimento da ciência moderna. O desprendimento, a separação, foi um processo lento, processo cuja origem e desenvolvimento devem antes ser vistos do lado da teologia” (FOUCAULT, 2006, p. 37).

6 “A teologia (esta teologia [...] que, com Santo Tomás de Aquino, a escolástica, etc., ocupará, na reflexão ocidental, o lugar que conhecemos), ao adotar [...] a correspondência entre um Deus que tudo conhece e sujeitos capazes de conhecer, sob o amparo da fé, é claro, constitui sem dúvida um dos principais elementos que fazem [fizeram] com que o pensamento [...] ocidental e, em particular, o pensamento filosófico se tenham desprendido, liberado, separado das condições de espiritualidade que os haviam acompanhado até então, e cuja formulação mais geral era o princípio de epiméleia heautoû” (FOUCAULT, 2006, p. 36).

7 “Existe, bem entendido, exceção. A exceção maior e fundamental é a daquele que, precisamente, chamamos “o” filósofo [...]; aquele em quem reconhecemos o próprio fundador da filosofia no sentido moderno do termo, que é Aristóteles. Contudo, como sabemos todos, Aristóteles não é o ápice da Antiguidade, mas sua exceção” (FOUCAULT, apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p.22).

8 “Creio ser preciso compreender bem o grande conflito que atravessou o cristianismo desde o fim do século V (incluindo Santo Agostinho, sem dúvida) até o século XVII. Durante estes doze séculos, o conflito não ocorria entre a espiritualidade e a ciência, mas entre a espiritualidade e a teologia. E a melhor prova de que não era entre a espiritualidade e a ciência está no florescimento de todas aquelas práticas de conhecimento espiritual, todo aquele desenvolvimento de saberes esotéricos [...] segundo os quais não pode existir saber sem uma modificação profunda no ser do sujeito” (FOUCAULT, apud EWALD; FONTANA; GROS, 2006, p. 36-7).

9 Artigo publicado em 11 de setembro de 1981, por ocasião da morte do psicanalista Lacan, no jornal Corriere della Sera, com o título: Jacques Lacan.

10 O filósofo francês admite que Freud trata da relação entre sujeito e verdade: “Creio que Lacan foi o único depois de Freud a querer recentralizar a questão da psicanálise precisamente nesta questão das relações entre sujeito e verdade” (FOUCAULT, 2006, p. 40).

11 Tal informação pode ser encontrada no site da Associação Campinense de Psicanálise, no seguinte endereço:  http://www.acpsicanalise.org.br.

12 Tal definição pode ser encontrada em: Dicionário enciclopédico de psicanálise: o legado de Freud e Lacan (KAUFMANN, 1996) e Vocabulário da psicanálise (LAPLANCHE; PONTALIS, 2001).


Referências
ABBGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Tradução de Alfredo Bosi e Ivone Castilho Beneditti. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1986.
DESCARTES. Discurso do método. Tradução de Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova cultural, 1999. (Os Pensadores).
ERIBON, Didier. Michel Foucault e seus contemporâneos. Tradução de Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
EWALD, François; FONTANA, Alessandro; GROS, Frédéric. A hermenêutica do sujeito/Michel Foucault. Tradução de Márcio Alves da Fonseca e Salma Tannus Muchail. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. Col. Tópicos.
FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. Tradução de Walderedo Ismael de Oliveira. Ed. Comemorativa. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
KAUFMANN, Pierre. Dicionário enciclopédico de psicanálise: o legado de Freud e Lacan. Tradução de Vera Ribeiro, Maria Luiza X. de A. Borges; consultoria de Marco Antonio Coutinho Jorge. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
PLATÃO. Diálogos Timeu, Crítias, O 2º Alcebíades, Hípias Menor. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: Gráfica ed. da UFPA. Col. Amazônica. Série Farias Brito. vol. 11. 1975.


Atílio Lucio Malta, Graduando em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás.
Artigo publicado na Revista Urutágua, Brasil,  set. 2009