16/07/2019
Ano 22 - Número 1.133




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ANTONIO CARLOS FESTER






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Antonio Carlos Fester



Descer da cruz os povos crucificados



Irmã Sônia de Fatima Batagin, das irmãs de Jesus Bom Pastor, Pastorinhas, é minha amiga desde os tempos de dom Paulo, na Cúria. Nós dois fizemos as duas leituras da missa de despedida de dom Paulo. Há cinco anos ela foi ser missionária no Gabão, depois de lecionar na Escola Dominicana de Teologia e ter um programa na rádio 9 de Julho, entre outras atividades. Como eu não entendesse sua decisão de ir para a África, disse-me que não havia o que entender, é a “loucura de Deus”.
Agora voltou, espero que definitivamente, e me pediu um livro de Jon Sobrino (um dos meus teólogos preferidos), Fora dos pobres não há salvação – Pequenos ensaios utópico-proféticos (Paulinas, 2008).
O livro estava na minha estante, estranhamente sem ter sido lido. Leio-o agora e passo por um forte processo de re-conversão. Sobrino fala da necessidade de descermos da cruz os povos crucificados (assunto de outro livro magistral seu, que li e reli, O Princípio Misericórdia – Descer da Cruz os Povos Crucificados (Vozes, 1994).
Neste, o último texto foi escrito para a missa de ano do assassinato de Inácio Ellacuria.
Ele foi assassinado em El Salvador, em 1989, com grande impacto para mim, que atendi ao telefonema de lá, na Cúria, pedindo que avisasse dom Paulo do massacre antes que cortassem as ligações para o mundo – cinco jesuítas e duas mulheres na Universidade Católica. Jon Sobrino sobreviveu porque estava viajando.
Escreveu Sobrino no referido texto: (que com Ellacuria aprendeu) “que não há nada mais essencial que o exercício da misericórdia diante de um povo crucificado, e que não há nada mais humano e humanizante que a fé”.

Para Juan Sobrino e Inácio Ellacuria, a salvação se encontra no descer da cruz os povos crucificados. E também para Romero e Casaldáliga.
Povo crucificado é constituído pelas imensas maiorias.
“Dai a linguagem de ‘povo’, ‘povos’ etc., que está transida de morte, e não de morte natural, mas de uma morte histórica, que toma a forma de crucificação, assassinato, privação histórica ativa da vida, lenta ou rapidamente. Essa morte, produto da injustiça, é acompanhada pela crueldade, pelo desprezo e, por outro lado, pelo encobrimento.(...) O povo crucificado não “é”, e o mundo da abundância impede ou dificulta que “chegue a ser”. Assim, pode não se interessar – sem má consciência – pelo que ocorre com essas maiorias” (p.21 do livro Fora dos Pobres não Há Salvação).

Mas quem são os pobres de Deus ? (p.52)
“É um mundo de ‘lázaros’, no sentido absoluto da pobreza: há 1 bilhão e 300 milhões de seres humanos que têm de viver com menos de um dólar por dia (...) ‘as macroblasfêmias de nosso tempo’, nas palavras de Casáldaliga (...) E esses ‘lázaros’ coexistem com ‘epulões’.(...) em 1960, havia um rico para trinta pobres; em 1990, um rico para sessenta pobres; em 1997, um rico para 74 pobres. É o sentido relacional da pobreza.(...) exemplo: os três jogadores melhor pagos do mundo (...) que jogam numa mesma equipe da Espanha, ganham por ano 42 milhões de dólares, enquanto o orçamento da área de San Salvador, com 1.821.532 habitantes, é de 45,6 milhões de dólares. É o agravo comparativo, insultante, impudico, aos pobres, o fracasso da família humana. Em linguagem teológica, é o fracasso de Deus em sua criação.(...) Há, pois, pobreza no sentido absoluto e no sentido relacional, que se exprimirá de diversas formas, e todas elas estarão mais ou menos presentes, segundo os pobres forem camponeses, mulheres, indígenas...Numa tentativa de síntese, talvez possamos dizer que pobres são os carentes e oprimidos, no tocante ao básico da vida material; são os que não tem nome, quer dizer, existência”.

Para descer da cruz os povos crucificados, Ignácio Ellacuria, Jon Sobrinho e Pedro Casaldáliga propõem a Civilização da Pobreza. p.36 e segs: “Comecemos com um esclarecimento. Ellacuria não pretendia, obviamente, a pauperização universal. Se ele falou em civilização da pobreza foi para contrapô-la à civilização da riqueza.(...) A civilização da pobreza ‘rechaça a acumulação do capital como motor da história e a posse-desfrute da riqueza como princípio de humanização, e faz da satisfação universal das necessidades básicas o princípio do desenvolvimento e do crescimento, e do crescimento da solidariedade compartilhada, o fundamento da humanização.”
Repetindo: tem como princípio do desenvolvimento a satisfação universal das necessidades básicas; tem, como fundamento da humanização, o crescimento da solidariedade.
Esta civilização proposta “provém fundamentalmente do espírito dos pobres – e de Jesus -, gera valores que, unidos aos mais genuíno das tradições civilizatórias do passado e às melhores do presente, pode criar” um novo eixo para a reversão do dogma de que o mundo gira bem apenas ao redor da riqueza.
Trocando em miúdos, trata-se de tentar construir uma civilização de sobriedade, de não acumulação, de combate ao supérfluo e ao desperdício, de despojamento, de desprendimento e não de posse, para que todos tenhamos o mínimo necessário (a esse respeito, leiamos Mestre Eckart – 1260/1328 – autor de Sobre o desprendimento. SP: Martins Fontes, 2004, e de O livro da Divina Consolação e outros textos. Bragança Paulista, EDUSF, 2005).
Exemplo: algumas pessoas vivem bem com dez camisas; quando ganham a décima primeira, doam, mantendo sempre a posse de dez porque não precisam mais do que isto e porque há muitos descamisados. É uma contribuição, por mínima que seja, para descer da cruz os povos crucificados. Mas é muito mais do que isto, é uma mudança de mentalidade, é tornar-se cristão de fato.

O eixo para a construção de uma nova sociedade, que desça da cruz os povos crucificados, não é fácil de prever como acontecerá, mas talvez se possa falar de elementos desse espírito (p.40):
“a) estar na realidade, superando o docetismo de viver na irrealidade, nas ilhas de abundância, alheios, desinteressados das maiorias pobres, das maiorias oprimidas;
b) a honradez com o real, superando a mentira e o encobrimento com a vontade de verdade, dando nome aos milhões de vítimas e mártires, fazendo memória deles, de cuja seiva vivemos;
c) a compaixão diante do sofrimento de imensas maiorias, denunciando profeticamente a injustiça que as produz;
d) a exigência de uma liberdade de e para todos, e, no tocante à própria liberdade, compreendê-la, definitivamente, de modo que nada escravize, que nada seja obstáculo para fazer o bem;
e) carregar o peso da história, diariamente e até o fim;
f) a alegria de saber que todos somos irmãos e irmãs, que pode estar acompanhado de sofrimento, mas que não pode ser arrebatado pela tristeza, e a celebração dessa alegria;
g) o cuidado da natureza e de toda a criação, dentro da qual formamos uma unidade maior;
h) a esperança utópica de um novo céu e uma nova terra;
i) a abertura a um mistério último da realidade – e, para alguns, a saída de si mesmo, como na oração de Francisco de Assis, e dar nome a esse mistério último, Pai, Mãe, sem tirar dele o que tem de inefável e misterioso, Deus.”

O que Ellacuria disse sobre o povo crucificado causa espanto. A civilização da pobreza também causa espanto. Não se trata de eliminar o espanto, mas talvez de situá-lo bem. Ele não era ingênuo e sabia dos males que os pobres cometem por introjetarem o desumanizante da civilização da riqueza. Uma desumanização que só pode ser superada pelo “espírito que surge na civilização da pobreza”, a saber: sua criatividade, generosidade, firmeza, solidariedade, austeridade, esperança e abertura à transcendência (p.41).
“Em segundo lugar, Ellacuria sabia que sem poder a história não se move”. Para ele, “o social é mais básico que o político”, priorizava a organização de base, que não procurava chegar ao poder. Não caiu no “messianismo” em que muitos da teologia da libertação caíram, mas valorizava a “messianidade, que caracteriza a fé bíblico-jesuânica, quer dizer: manter a esperança dos pobres, mas com o trabalho paciente.”
“Por último, perguntemo-nos de onde lhe veio manter a utopia e formulá-la como ‘civilização da pobreza’. Ellacuria sempre esteve obcecado pela justeza, quer dizer: por ajustar-se à realidade e às suas possibilidades reais.” Estava convencido também que “para fazer a historia avançar era preciso profetismo e utopia.”
O lugar de convergência, como por necessidade, de profetismo e utopia “é o Terceiro Mundo, onde a injustiça e a morte são intoleráveis, e onde a esperança é a quintessência da vida. Nesse mundo Ellacuria se encarnou conscientemente”.

Ignacio Ellacuría nasceu no dia 9 de novembro de 1930, em Portugalete, na Província de Vizcaya, Espanha. Em 1947, ingressou na Companhia de Jesus e em 1949 foi transferido para El Salvador, onde após obter o doutorado atuaria, com algumas interrupções, até a sua morte em 1989. Em 1967, passou a atuar na Universidade Centro Americana(UCA) "José Simeón Cañas", sendo reitor dessa instituição a partir de 1979. Desenvolveu uma importante contribuição para a Filosofia da Libertação latino-americana. Ellacuría sustentava que o conflito armado em El Salvador era o resultado de uma injustiça estrutural vivida pelo povo salvadorenho, e o único modo de terminar com a guerra era eliminar as situações de injustiça
Ellacuría era diretor da revista "Estudios Centroamericanos" (ECA), quando, em 1976, publicou o editorial intitulado "A sus órdenes, mi capital"[4], que resultou na retirada do apoio do governo salvadorenho à UCA e gerou a violência paramilitar contra a Universidade, como consequência, Ellacuría teve que buscar refúgio na Espanha, entre 1977 e 1978. A partir de 1979, teve início uma longa guerra civil em El Salvador, que durou doze anos. Os jesuítas começaram a receber ameaças de morte e, em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Oscar Romero foi assassinado durante a celebração da Eucaristia. Neste mesmo ano, Ellacuría retornou ao exílio.
Em 1987, participou na Espanha, da primeira reunião das religiões abraâmicas, na ocasião, expressou publicamente a necessidade de encontrar um terreno comum para superar os conflitos em El Salvador. Defendeu assim, a contribuição da Teologia da Libertação nas religiões abraâmicas para superar o individualismo e o positivismo. Ellacuría retornou a El Salvador em 13 de novembro de 1989 para tentar mediar a paz, mas três dias depois foi assassinado por um pelotão do Batalhão Atlacatl das Forças Armadas de El Salvador, na residência da Universidade UCA, junto com outros cinco jesuítas: Ignacio Martín-Baró, Segundo Montes, Amando López, Juan Ramón Moreno e Joaquin López y López. Também foram assassinadas: Elba Julia Ramos, funcionária da residência, e sua filha, Celina, de 15 anos.
Teólogo da libertação:
Ellacuría tinha especial preocupação com a eclesiologia em torno dos seguintes eixos fundamentais:
1. o Reino de Deus;
2. o povo de Deus como povo crucificado;
3. a dimensão histórica da salvação.
Ellacuría era contrário às tendências espiritualistas que negariam a dimensão encarnatória do cristianismo e o reduziria a um projeto puramente metahistórico, e, portanto, era um dos defensores da opção preferencial pelos pobres, que teria como alicerce as Bem-aventuranças.
Ellacuría sustentava que a salvação deveria corporalizar-se historicamente. Por outro lado, chamava atenção para o risco do institucionalismo na Igreja absolutizar-se e superar a Deus e à busca por seu Reino. Outro risco seria o de a Igreja ficar centrada sobre si mesma, convertendo-se em um ídolo e sacralizando-se. Portanto, ressalva que a institucionalização excessiva, acabaria negando o espírito e a liberdade dentro da Igreja.
Ellacuría era um opositor do secularismo e da mundanização, que seriam adaptações às estruturas opressoras do mundo.
Valorização do Jesus Histórico - Ellacuría foi um crítico daqueles que procuraram apresentar um Jesus dissociado de sua densidade real e de seu sentido salvífico e priorizam temas como a sua constituição metafísica. Nesse contexto, Ellacuría observa que Paulo de Tarso, a quem é atribuída a redação de boa parte do Novo Testamento, não conviveu com Jesus, e, portanto se relacionava com um "Cristo da fé", deixando em segundo plano sua conduta histórica, e defende maior atenção a atuação de Jesus enquanto homem situado na história de seu tempo.
Ellacuría deu especial atenção ao caráter histórico da morte de Jesus, por meio de um artigo denominado "Por qué muere Jesús y por qué lo matan". Ellacuría sustentava que mataram Jesus em decorrência de suas ações que confrontaram a ordem política e religiosa estabelecida. Nessa perspectiva, sua morte seria a consequência de seu anúncio do Reino como oferta de salvação dos pobres e oprimidos, e também porque Jesus foi inimigo dos poderosos e de uma estrutura social injusta. Portanto, não haveria um sentido expiatório na morte de Jesus.
Ellacuría, em sintonia com Jürgen Moltmann e Jon Sobrino, faz uma ligação entre Jesus crucificado e os povos crucificados, aqueles que sofrem em sua própria carne a injustiça estrutural. Nesse contexto, sua perspectiva soteriológica entende a salvação como salvação na história de cada ser humano da humanidade oprimida. Trata-se de uma perspectiva que estabelece ligações entre a paixão de Jesus e o povo crucificado e entre o povo crucificado e a morte de Cristo.
Ellacuría criticava três perspectivas da paixão de Jesus que reduziriam seu caráter histórico e o compromisso histórico de Jesus:
1. a visão ascética e moralista, que desembocaria em um masoquismo expiatório espiritualista;
2. a visão que considera a Crucificação de Jesus como um fato pontual;
3. a visão que se esquece das raízes históricas da Ressurreição de Jesus e, portanto, desvinculam o Ressuscitado do Crucificado e, desse modo, tem uma fé na ressurreição que desconsidera a crucificação.
(apud Wikipédia)

Jon Sobrino (Barcelona, 27 de dezembro de 1938) é um sacerdote e teólogo espanhol que vive em San Salvador desde de 1957. A partir de 1974 atuou como professor da Universidade Centro Americana. Foi diretor do Centro Teológico Monsenhor Romero, codiretor da Revista Latinoamericana de Teologia e integrante do Conselho de direção da Revista Internacional de Teologia Concilium. Foi influenciado Karl Rahner, Jürgen Moltmann e Xavier Zubiri. Sua obra teológica é uma contribuição à Cristologia a partir da realidade da América Latina. seu primeiro livro, publicado em 1976, foi Cristologia a partir da América Latina: esboço a partir do seguimento do Jesus histórico, que o insere entre os teólogos da segunda geração da Teologia da Libertação, na qual também estão incluídos Leonardo Boff e Ignacio Ellacuría. Jon Sobrino foi assessor teológico de Dom Oscar Romero, arcebispo de San Salvador, assassinado pela direita salvadorenha em março de 1980. Em 16 de novembro de 1989, escapou de um atentado realizado por militares do exército salvadorenho, quando seis jesuítas, a cozinheira e sua filha foram assassinados na Universidade Centroamericana (UCA), entre os quais Ignácio Ellacuría, reitor daquela da UCA. Sobrino não estava na casa por estar substituindo Leonardo Boff em um curso de Cristologia na Tailândia. Atualmente é responsável pelo Centro de Pastoral Dom Oscar Romero, diretor da Revista Latinoamericana de Teologia e do informativo Cartas a las Iglesias, além de ser membro do comitê editorial da Revista Internacional de Teologia Concilium.
O traço característico da cristologia defendida por Sobrino é característico da teologia da libertação, que procura dar uma maior ênfase no Jesus histórico, que é narrado nos evangelhos. Para Sobrino, Jesus foi marcado pelo princípio misericórdia, pela dinâmica da hospitalidade e da acolhida, sendo uma pessoa na qual transparecia a face de um Deus amoroso, com entranhas de ternura e misericórdia, que se compadecia dos mais pobres e excluídos. Portanto, Jesus seria o "ponto de partida da cristologia". Isso mostraria que, para Jesus, a realidade última não seria ele mesmo, nem a Igreja, mas o Reino de Deus como reino de afirmação da vida, ou seja, Jesus seria alguém que sempre reenvia a um mistério maior. Segundo Sobrino, deve-se evitar absolutizar o Cristo como mediador, pois desse modo se esqueceria sua dupla relacionalidade: "sua relacionalidade histórica constitutiva para com o Reino de Deus e o Deus do reino". Nesse perspectiva, Sobrino sustenta que o receio do terceiro mundo é um "Cristo sem Reino", um "mediador sem mediação". Portanto, não haveria porque, em nome de uma concentração no mediador, relegar a um segundo plano as exigência da mediação do reino, que se traduziria pela realização histórica da vontade do Pai.
A perspectiva teológica sustentada por Sobrino se preocupa com as condições de vida dos pobres, com a "aterradora evidência" dos povos crucificados na América Latina. Para ele a compreensão do Jesus histórico seria um poderoso antídoto contra séculos de exercício de uma fé no Cristo que foi incapaz de enfrentar a miséria da realidade, pois o novo rosto de Cristo libertador seria um desmascaramento do que há de acristão e anticristão nas imagens anteriormente apresentadas.
Sobrino também sustentava a "despacificação de Cristo" e a sua "desidolatrização", ou seja, a afirmação de uma imagem de Cristo que não permitisse a isenção dos sujeitos face aos apelos do real, e a utilização de seu nome para a continuidade da opressão. Portanto, distintamente da perspectiva europeia, a preocupação com o Jesus histórico na América Latina seria marcada por uma hermenêutica da práxis: para que haja uma relação positiva com o Jesus histórico é necessário que se relacione adequadamente com ele, mediante a práxis do seguimento. Segundo Sobrino, o aspecto mais importante do Jesus histórico seria a sua "prática, o espírito com que a realizou e com o qual a imbuiu: honradez para com a realidade, parcialidade para com o pequeno, misericórdia fundante, fidelidade ao mistério de Deus", e, essa prática e espírito que foram transmitidos por Jesus, seriam uma convocação para os cristãos de prosseguimento de sua causa na história. Em nenhum momento da reflexão de Sobrino há uma exclusão do "Cristo total", mas sim a consciência de que é mediante o Jesus histórico e a práxis de seu seguimento que se dá o acesso ao Cristo da fé.
Segundo Juan José Tamayo, a perspectiva da reflexão teológica de Sobrino é a da misericórdia, e deixa a mensagem de "que a teologia não pode limitar-se a ser uma inteligência fria da fé que passa ao largo do sofrimento dos seres humanos". Essa atenção ao mundo dos pobres é um marco essencial da teologia de Sobrino. Por ocasião do II Fórum Mundial de Teologia e Libertação, realizado em Nairobi, em janeiro de 2007, os teólogos do terceiro mundo fizeram uma homenagem a Jon Sobrino, na qual indicaram que a obra de Sobrino, em particular sua cristologia, seria o resultado de uma experiência evangélica, de uma 'ruptura epistemológica' e da descoberta do 'lugar teológico' dos pobres". E, além disso, afirmaram que Sobrino "é o mestre que está ajudando mais de uma geração a dar o salto do dogma abstrato, do sonho dogmático, ao encontro do Cristo vivo em seu contexto, em seu lugar teológico que é o povo pobre".
(apud Wikipédia)

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Antonio Carlos Fester é mestre em Letras pela USP, escritor, palestrante.
Membro da União Brasileira de Escritores é autor de Justiça e Paz – Memórias da Comissão de São Paulo (Loyola, 2005) e coautor de O Cardeal da Resistência – As muitas vidas de dom Paulo Evaristo Arns (Ricardo Carvalho org, SP, Instituto W. Herzog, 2013), entre outros.
- Conheça um pouco mais de Antonio Carlos Fester,aqui.



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