21/01/2006
Número - 460

ARQUIVO
ALBERTO COHEN




   

Alberto Cohen



Namoro virtual


 

 

Anjo barroco você leu meus livros? Caso tenha lido, já me conhece intimamente. Não tenho couraças, nem escudos, não me escondo em trincheiras ou paliçadas. Por amor fui feliz e apaixonado. Por amor venho sofrendo a vida inteira. Tive meus dias de acordar Romeu e gritar para o céu, para o mar, para o mundo o nome de minha amada. Tive meus dias de acordar Quasímodo e chorar abraçado ao travesseiro daquela que partira.

Sou de aquário, decanato central, sempre menino, misturando passado com futuro, sem uma perfeita percepção de tempo e dimensões. Constantemente, acho e perco a mim mesmo num jogo de esconde-esconde que brinco, sozinho, pelos labirintos de minha própria mente.

Se minha alma é travessa e moleca, paralelamente ela mora numa casa velha e gasta pelo tempo e vicissitudes. Quer brincar no jardim, mas as portas com fechaduras emperradas não se abrem. Quer correr e pular, mas é contida pelas visagens, moradoras antigas.

Em suma, amo você, desde o primeiro e-mail. Namoro suas brincadeiras e palavras carinhosas como se estivéssemos numa alcova. Imagino seu jeito petulante de menina teimosa correndo os dedinhos pelos meus cabelos brancos. E sou feliz com a minha fantasia. E sou feliz com minha “namorada”. Que importa se você poderia ser minha filha? As almas são amiguinhas e andam de mãos dadas.

Acredite que é única e mergulhe, junto comigo, no espelho, como se você fosse a Alice e eu o coelho apressado no país virtual das maravilhas.



(21 de janeiro/2006)
CooJornal no 460


Alberto Cohen
advogado, poeta e escritor
Belém, PA
AlbertoLCohen@aol.com
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm