25/04/2014
Ano 18 - Número 889



ARQUIVO ALBERTO COHEN

Alberto Cohen
em Expressão Poética

 

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Alberto Cohen


Do pó
 

 

Alberto Cohen, colunista - CooJornal


Quando eu me for, o que acontecerá com meus poemas? Acho que nada. Serão simplesmente ignorados. Terá valido a pena "tanto sonhar pelos outros"? Restará sempre a dúvida: Era ou não era dos bons? Um poeta ou um poetastro?

Com o passar do tempo outros virão e a minha lembrança e a da minha poesia serão dissipadas como se fossem pó, somente, e para o pó voltassem.

Jamais pensei em vender muito, tornar-me um best-seller. Quis apenas ser lido, julgado, e as pessoas só leem e julgam o que compram, jamais o que recebem como presente.

Minha luta para aprender como se faz, para depois poder fazer ou não, custou-me madrugadas solitárias e indormidas, amizades perdidas e, enfim, a solidão. Não reclamo. Foi uma opção. O preço, porém, foi muito alto para resultar simplesmente em não ter existido.

Não tenho a mínima noção de técnica de divulgação ou de marketing. Sou apenas um velho poeta que só sabe poetar para si mesmo e vibra como uma criança quando escreve um bom poema, mesmo que ele fique guardado nos cadernos amarelecidos.

Sei que existem alguns poucos que me acham predestinado para a poesia e encontram um grande valor em mim, o que é discutível. Eles, talvez, preservarão o poeta. Contudo, como suas pequenas vozes se farão ouvir na multidão dos que latem, mordem e se estraçalham pela glória?

Quem sabe não nasci para escrever somente, ser lido por uma minoria? Isso me basta! Que importa o nenhum futuro? Digo, orgulhosamente: "E daí ? Terei sido poeta"!


(25 de abril/2014)
CooJornal nº 889



Alberto Cohen
advogado, poeta e escritor
Belém, PA
albertolcohen@yahoo.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm


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