
12/08/2006
Ano 10 -
Número 489
ARQUIVO ALBERTO COHEN
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Alberto Cohen
Do pó
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Quando eu me for, o que acontecerá com os
meus poemas? Acho que nada. Serão simplesmente ignorados e terá valido a
pena "tanto sonhar pelos outros"? Restará sempre a dúvida: Era ou não era
um dos bons? Era um poeta ou um poetastro?
Com o passar do tempo, outros virão e a minha lembrança e a da minha
poesia serão dissipadas, como se fossem pó, somente, e para o pó
voltassem.
Jamais pensei em vender muito, tornar-me um best-seller. Quis apenas ser
lido, julgado, e as pessoas só lêem e julgam o que compram, jamais o que
recebem como presente.
Minha luta para aprender como se faz, para depois fazer ou não, custou-me
madrugadas solitárias e indormidas, amizades perdidas e, enfim, a solidão.
Não reclamo. Foi uma opção. O preço, porém, foi muito alto para resultar
simplesmente em não ter existido.
Não tenho a mínima noção de técnica de divulgação ou de marketing. Sou,
apenas, um velho poeta que só sabe poetar para si mesmo e vibra como uma
criança quando escreve um bom poema, mesmo que ele fique guardado nos
cadernos amarelecidos.
Tu existes e sei que, independente de nosso amor, achas-me predestinado
para a poesia e encontras um grande valor em mim, o que é discutível. Sei
que preservarás o teu poeta, mas minha prenda como tua pequena e meiga voz
se fará ouvir na multidão dos que latem, mordem e se estraçalham pela
glória?
Quem sabe não nasci para escrever somente para ser lido por ti? E isso me
basta! Que importa meu nenhum futuro? Direi, orgulhosamente e sabendo que
também te orgulhas de mim, E daí? Terei sido poeta!
(12 de agosto/2006)
CooJornal
no 489
Alberto Cohen
advogado,
poeta e escritor
Belém, PA
albertolcohen@terra.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm
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