27/01/2007
Ano 10 - Número 513

ARQUIVO
ALBERTO COHEN




   

Alberto Cohen

 

GARÇOM, MAIS UMA!



 

De repente, o amor não existe! É tão somente mais uma das experimentações que a vida comete, tomando como cobaia o ser humano, principalmente quando ele traz a cabeça povoada de fantasias e sonhos de um menino que não cresceu.

O sentimento que deveria vir adornado de luzes de alegria e sorrisos de cumplicidade, simplesmente é um artigo de conveniência. Hoje é bom, amanhã não mais.

E a perenidade, um dos atributos essenciais ao enlevo dos que, em teoria, se completariam e fariam de olhares um único olhar para um único e indissolúvel caminho? ‘Ora, direis, ouvir estrelas’...

A verdade é que na crença do amor uns se entregam completamente, absurdamente. Outros tentam acreditar nele, sabendo de antemão que se não der, não deu. E vamos em frente que atrás vem gente...

Alguns persistem, obstinadamente, em perpetuar miragens que, de fato, nem foram reais, mas em sua imaginação adquiriram status da mais esfuziante felicidade. A maioria, sensatamente, descrê mais um pouquinho e redobra de cuidados na escolha do próximo parceiro: nem tão louco, nem tão bobo ou, ainda, nem tão carecente de afeto. Como se no amor, caso existisse, pudesse haver seleção e independência...

O que fazer depois dessa confusão toda? Só há um caminho: ansiar por ele muito mais, com persistência e credulidade, olhar retratos, a lua, o passado e o futuro, rascunhar versos e esperar. Quem sabe o grande amor voltará, com rosto e sorrisos novos, a provar que existe e que os amantes podem mudar, mas ele é o mesmo, imutável e eterno.

E sabem o que mais? Garçom, mais uma!



(27 de janeiro/2007)
CooJornal no 513


Alberto Cohen
advogado, poeta e escritor
Belém, PA
albertolcohen@terra.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm