12/07/2013
Ano 16 - Número 848



ARQUIVO ALBERTO COHEN

Alberto Cohen
em Expressão Poética

 

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Alberto Cohen


Iguais

 

 

Alberto Cohen, colunista - CooJornal

Hoje, afinal, resolvi não crescer para viver sabiamente.

Uno minha voz à multidão que nega sempre para não ter de confessar que há muito procura por si mesma sem encontrar-se.

Não vou escrever mais. Isso é pacífico. Para que ser uno e devassar a alma, se posso dividir-me nos muitos que me cercam e ser cada um deles nos tipos e vozes que inventaram como forma de sobrevivência social?

Tentar preservar a identidade é um terrível risco de vida, e o teatro mambembe do dia a dia abre as cortinas para interpretações dos múltiplos personagens que representam a peça da convivência pacífica e da escolha de uma vítima para ser contestada, mantendo assim a unidade do grupo.

Serei, doravante, discípulo do nada fazer além de criar caricaturas que descrevam somente aquilo que todos querem ouvir: sofismas mutantes de acordo com os ouvintes contumazes.

E pensar que um dia achei que as individualidades eram virtudes respeitadas e gratificantes. Engano! Não existem mais indivíduos, somente parcerias de condescendências para que todos sejam um, num pensar coletivo.

Adeus papel! Adeus caneta! Adeus pobre sonhador!

 

(12 de julho/2013)
CooJornal nº 848



Alberto Cohen
advogado, poeta e escritor
Belém, PA
albertolcohen@yahoo.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm


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