08/11/2013
Ano 17 - Número 865



ARQUIVO ALBERTO COHEN

Alberto Cohen
em Expressão Poética

 

Follow RevistaRIOTOTAL on Twitter



 

Alberto Cohen


Ruy Barata
 

 

Alberto Cohen, colunista - CooJornal

Ruy Barata (Ruy Guilherme Paranatinga Barata), paraense do Baixo Amazonas, era advogado, tabelião, professor catedrático da Faculdade de Filosofia (hoje Letras), poeta, boêmio, comunista convicto e... meu amigo.

No golpe militar de 1964 foi preso, seviciado e, ao fim, cassado nos direitos políticos. Manteve-se, mesmo assim, fiel às suas ideias e eu sempre o respeitei por isso.

Fazia poesia no ritmo dos rios roçando nos barrancos de sua terra e, até o fim, foi um regionalista que cantava as belezas de um "país" chamado PARÁ.

Faleceu em 1990 aos setenta anos de idade e duzentos de poesia.

Considero Ruy o maior poeta paraense de todos os tempos e um dos melhores do Brasil, nivelando-se, mesmo, aos grandes nomes internacionais. Seu versejar era límpido, fluente e sua linguagem culta e simples, sem hermetismos e nebulosidades.

Paralelamente, era parceiro do filho Paulo André Barata, músico e compositor brilhante, em dezenas de músicas divulgadas pelo Brasil e pelo mundo afora na voz da cantora Fafá de Belém, também paraense. Apenas como referência é de se lembrar sucessos como "Mesa de bar", "Baiuca's bar", "Foi assim", etc.

Uma vez no "Bar do Parque", ali na Praça da República, falou-me que só tinha medo de uma coisa: a solidão. Pois bem, fizeram uma estátua do Ruy e hoje ela está num centro de convenções (onde era a residência do governador) que fecha às 24,00 h e, a partir daí, ele, de tantos amigos, está só na madrugada e, pior, sem o drinque de sempre.

Reconhecimento oficial pela sua obra, quase nenhum. Reconhecimento popular, imenso, mais pelas composições musicais e por seu filho e alguns amigos que não deixam cair no esquecimento o muito que ele criou em seu amor pela Amazônia.

Devo acrescentar que aprendi muito com a leitura e releitura de seus poemas. E por considerá-lo um de meus grandes mentores (embora ele não soubesse), é que me enterneço com seus versos:

Canção dos quarenta anos
(alguns versos)
.................................................
Cresço em tempo e eternidade,
cresço em luta, cresço em dor,
não fiz meu verso castrado
nem me rendo ao opressor,
cresço no povo crescendo,
cresço depois que me for.
E cresço na aurora livre
galopando esse corcel.
cresço no verso espumando
entre as linhas do papel.
cresço rubro de esperança
na barba de Don Fidel.
Quarenta anos, quarenta!
(E nem sequer percebi!)
Quarenta anos correram
e neles também corri.
E nesses quarenta anos,
Oitenta de amor por ti.


(08 de novembro/2013)
CooJornal nº 865



Alberto Cohen
advogado, poeta e escritor
Belém, PA
albertolcohen@yahoo.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm


Direitos Reservados