25/02/2014
Ano 17 - Número 881



ARQUIVO ALBERTO COHEN

Alberto Cohen
em Expressão Poética

 

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Alberto Cohen


Drummond, o homem

 

Alberto Cohen, colunista - CooJornal

Quem diria que o gigantesco poeta Carlos Drummond, aparentemente tímido e retraído, tinha uma outra faceta: a de sensual conquistador e emérito compositor de poemas eróticos.

Muito discreto, sabe-se, apenas, o que relatam amigos como Oscar Niemeyer que afirma ter sido Drummond “o grande conquistador de corações femininos no Rio a partir dos anos 30” .  Modestíssimo, refutou a afirmativa dizendo ser ela produto de fantasia do arquiteto.

Casado, até que a morte os separou, com Dolores Dutra de Moraes, o poeta acreditava, firmemente, nos laços matrimoniais. No entanto, paralelamente, manteve um sólido romance, durante trinta e seis anos, com a bibliotecária Lígia Fernandes, que entrevistada depois do falecimento de Drummond, revelou: “As mulheres se jogavam em cima dele, e eu ficava irritada”. Diga-se a título de ilustração que Lígia era vinte e três anos mais nova que o amante. 

O escritor mineiro José Maria Cançado, autor da única conhecida biografia do poeta, também dá seu testemunho sobre os arroubos amorosos do poeta: "A vida erótica de Drummond era exuberante, de um homem charmoso, muito assediado pelas mulheres. Digamos que ele as escolhia. A experiência sensual era uma iluminação para ele”.

E Drummond, nesse terreno, ainda achava pouco. Tinha uma profunda inveja (no bom sentido, claro) da vida sentimental de seu amigo, o também enorme poeta Vinicius de Moraes que foi casado nove vezes. No enterro de Vinicius, discursou: “Eu queria ser Vinicius de Moraes, o único de nós que viveu, realmente, como poeta”.

Atendendo ao seu pedido, somente depois dele morto, foi publicado o livro “O Amor Natural” com quarenta poemas eróticos com títulos como “Era Bom Alisar seu T... Marmóreo”, “Não Quero ser o Último a C...”, “A B.., que Engraçada”, etc.

É quase impossível identificar como sendo do mesmo autor os versos: “Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como dói!” e esses outros: “E lambe, lambilonga, lambilenta, / a licorina...”

Na verdade, isso tudo vem somente humanizar, ainda mais, a figura do poeta universal, que era dado como tímido e circunspecto. A paixão e o erotismo mostram, apenas, o homem capaz de amar, desejar e sofrer com a mesma intensidade daquela existente em seus versos imortais.

Anjo ou sátiro, devasso ou menestrel, Viva Carlos Drummond de Andrade! Para sempre!



(25 de fevereiro/2014)
CooJornal nº 881



Alberto Cohen
advogado, poeta e escritor
Belém, PA
albertolcohen@yahoo.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-048.htm


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