| Luiz Carlos Amorim
A LITERATURA INFANTO-JUVENIL
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A literatura infanto-juvenil é o gênero que talvez mais venda livros,
atualmente. Isto vem sendo constatado em feiras e bienais do livro e
também
nas livrarias, não é de agora. Verdade que o livro infantil é mais
barato,
porque é menor - geralmente tem poucas páginas - e as tiragens são
maiores.
Mas não é apenas por isso que ele vende bem. A criança é curiosa e tem
sede
de aprender, de fazer descobertas - combustível para exercitar a sua
criatividade em ebulição. Ela sabe que o livro é uma porta para a
fantasia e
para novas realidades - por instinto, talvez, ela sabe isso assim que
o vê:
pode chamar a sua atenção pelas cores ou pelos desenhos, mas ela sabe
que
livro é o passaporte para o conhecimento e para a diversão.
É só dar a ela a oportunidade de ter acesso ao livro, desde muito
cedo, que
teremos um novo leitor em potencial. Lembro de ter lido, dia destes,
um
escritor contando que ao visitar uma feira do livro, viu um menino de
rua
contando suas parcas moedas, conseguidas a muito custo, para ver se
tinha o
suficiente - um ou dois reais - para comprar um livro.
O que mostra que não precisamos impor a leitura de títulos na idade
escolar
as nossas crianças, se oferecermos a elas livros desde muito cedo.
Prova disso é que o livro juvenil, aquele dirigido ao adolescente e ao
jovem, já não tem mais poucas páginas e pouco texto, ao contrário, são
volumes encorpados, como os livros de Monteiro Lobato ou a série Harry
Potter, este último figurando na lista dos mais vendidos, com os
quatro
volumes da coleção, por semanas a fio.
Isto evidencia o fato de que a criança que teve o prazer da leitura,
do
contato com livros na sua tenra infância, não se intimidará ao ter
pela
frente uma história - boa história, é claro -com duzentas, trezentas
ou mais
páginas. O que contará, na verdade, será a qualidade do texto e o
prazer da
leitura, que poderá ser maior, se o livro for maior e o autor maior
ainda.
É bom não esquecer que o público infanto-juvenil é, talvez, o público
mais
exigente de todos e não se deixa enganar, razão pela qual a obra tem
que ser
consistente para ser bem sucedida.
Criada face a importância com que o gênero vem se reafirmando cada vez
mais,
dentro da nossa literatura, a Fundação Nacional do Livro Infantil e
Juvenil
comemorou, neste ano, o seu trigésimo quarto aniversário, entregando o
seu
prêmio anual, que é a distinção máxima concedida aos melhores livros
publicados no ano anterior para crianças e jovens.
Temos bons autores e boa produção neste gênero, com ótimos
representantes em
todas as regiões do país. E sabemos como é importante que assim seja,
pois é
essa literatura infantil e juvenil que vai alavancar o hábito da
leitura nos
nossos leitores em formação.
(08 de junho/ 2002)
CooJornal no 262
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC