08/06/2002
Número - 262


 

Luiz Carlos Amorim

 

A LITERATURA INFANTO-JUVENIL

 

A literatura infanto-juvenil é o gênero que talvez mais venda livros, atualmente. Isto vem sendo constatado em feiras e bienais do livro e também nas livrarias, não é de agora. Verdade que o livro infantil é mais barato, porque é menor - geralmente tem poucas páginas - e as tiragens são maiores.

Mas não é apenas por isso que ele vende bem. A criança é curiosa e tem sede de aprender, de fazer descobertas - combustível para exercitar a sua criatividade em ebulição. Ela sabe que o livro é uma porta para a fantasia e para novas realidades - por instinto, talvez, ela sabe isso assim que o vê: pode chamar a sua atenção pelas cores ou pelos desenhos, mas ela sabe que livro é o passaporte para o conhecimento e para a diversão.

É só dar a ela a oportunidade de ter acesso ao livro, desde muito cedo, que teremos um novo leitor em potencial. Lembro de ter lido, dia destes, um escritor contando que ao visitar uma feira do livro, viu um menino de rua contando suas parcas moedas, conseguidas a muito custo, para ver se tinha o suficiente - um ou dois reais - para comprar um livro.

O que mostra que não precisamos impor a leitura de títulos na idade escolar as nossas crianças, se oferecermos a elas livros desde muito cedo. Prova disso é que o livro juvenil, aquele dirigido ao adolescente e ao jovem, já não tem mais poucas páginas e pouco texto, ao contrário, são volumes encorpados, como os livros de Monteiro Lobato ou a série Harry Potter, este último figurando na lista dos mais vendidos, com os quatro volumes da coleção, por semanas a fio.

Isto evidencia o fato de que a criança que teve o prazer da leitura, do contato com livros na sua tenra infância, não se intimidará ao ter pela frente uma história - boa história, é claro -com duzentas, trezentas ou mais páginas. O que contará, na verdade, será a qualidade do texto e o prazer da leitura, que poderá ser maior, se o livro for maior e o autor maior ainda. É bom não esquecer que o público infanto-juvenil é, talvez, o público mais exigente de todos e não se deixa enganar, razão pela qual a obra tem que ser consistente para ser bem sucedida.

Criada face a importância com que o gênero vem se reafirmando cada vez mais, dentro da nossa literatura, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil comemorou, neste ano, o seu trigésimo quarto aniversário, entregando o seu prêmio anual, que é a distinção máxima concedida aos melhores livros publicados no ano anterior para crianças e jovens.

Temos bons autores e boa produção neste gênero, com ótimos representantes em todas as regiões do país. E sabemos como é importante que assim seja, pois é essa literatura infantil e juvenil que vai alavancar o hábito da leitura nos nossos leitores em formação.


(08 de junho/ 2002)
CooJornal no 262


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC