| Luiz Carlos Amorim
A SITUAÇÃO DA "CULTURA OFICIAL"
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"A cultura finalmente começou a ganhar espaço institucional e político. Já era
tempo", comemora o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que compareceu ao
anúncio da política de investimento em produções culturais do Banco do Brasil,
recentemente.
Produtores culturais de todos os segmentos deverão receber, neste ano, mais de
um bilhão do governo federal para financiar seus projetos. Não sei o quanto a
literatura terá direito, levando-se em conta que outros tipos de arte têm mais
força ou são mais populares.
A classe literária tem se levantado, descontente com a falta de incentivo e
apoio da "cultura oficial". Exemplo disso foi a reunião de escritores de todo o
Brasil, em fevereiro, no Movimento Literatura Urgente, em São Paulo, quando uma
comissão fez a entrega do Manifesto "Temos Fome de Literatura" ao Ministro da
Cultura.
No manifesto, propostas nossas conhecidas, que já fizeram parte de "Cartas de
Escritores" em congressos, encontros, etc.: "Circulação de escritores e poetas
pelas universidades do país"; "Circulação de escritores e poetas para a rede de
escolas estaduais e municipais"; "Bolsa Criação Literária para desenvolvimento
de projetos literários de escritores e poetas"; "Sistema público de distribuição
de livros (em parceria com os correios) voltado para as pequenas editoras e a
produção independente"; "Fundo Nacional da Literatura, Livro, Leitura e
Bibliotecas, com 20% do orçamento destinado diretamente ao fomento de projetos
independentes"; "Criação de veículos públicos de circulação para a literatura,
como jornais e revistas (através da imprensa oficial), sites e programas de
rádio e TV na rede pública de comunicação" e outras. O manifesto foi assinado
por centenas de escritores. Se tudo isso fosse atendido, quase todos, senão
todos os problemas dos escritores em todo o Brasil estaria revolvido. Esperemos
que finalmente surta algum efeito.
Já no âmbito estadual, o panorama não se apresenta tão promissor: o governo
catarinense resolveu incluir a cultura na reforma administrativa anunciada no
início deste ano e decidiu que a Fundação Catarinense de Cultura será extinta. É
claro que uma "Frente em defesa da cultura catarinense" se formou em protesto, e
o governo recuou, prometendo manter a entidade até 31 de dezembro deste ano. Mas
já avisou que, mesmo sem a FCC, será impossível criar a Secretaria de Cultura,
como quer a "frente", composta de artistas e pessoas do meio, defendendo a
criação do Funcultural, entidade ainda meio nebulosa e que dividiria os recursos
porventura conseguidos entre cultura, esporte e lazer.
Não que a Fundação seja a salvação da cultura em nosso estado - ela só pagará no
decorrer deste ano parte dos projetos aprovados em 2003 e 2004; a lei Grando,
que estabelece a compra e distribuição de livros de autores catarinenses às
bibliotecas municipais, com mais de dez anos de idade, nunca foi cumprida. O
Prêmio Cruz e Sousa teve sua última edição em 2002 e a edição que deveria ter
acontecido no ano passado foi suspensa. E por aí afora. Mas a classe cultural
está com medo de que fique pior ainda. Como ficará a falida cultura oficial de
Santa Catarina?
(12 de março/2005)
CooJornal no 411
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC