12/03/2005
Ano 8 - Número 411

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim



A SITUAÇÃO DA "CULTURA OFICIAL"

 
 

"A cultura finalmente começou a ganhar espaço institucional e político. Já era tempo", comemora o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que compareceu ao  anúncio da política de investimento em produções culturais do Banco do Brasil, recentemente.

Produtores culturais de todos os segmentos deverão receber, neste ano, mais de um bilhão do governo federal para financiar seus projetos. Não sei o quanto a literatura terá direito, levando-se em conta que outros tipos de arte têm mais força ou são mais populares.

A classe literária tem se levantado, descontente com a falta de incentivo e apoio da "cultura oficial". Exemplo disso foi a reunião de escritores de todo o Brasil, em fevereiro, no Movimento Literatura Urgente, em São Paulo, quando uma comissão fez a entrega do Manifesto "Temos Fome de Literatura" ao Ministro da Cultura.

No manifesto, propostas nossas conhecidas, que já fizeram parte de "Cartas de Escritores" em congressos, encontros, etc.: "Circulação de escritores e poetas pelas universidades do país"; "Circulação de escritores e poetas para a rede de escolas estaduais e municipais"; "Bolsa Criação Literária para desenvolvimento de projetos literários de escritores e poetas"; "Sistema público de distribuição de livros (em parceria com os correios) voltado para as pequenas editoras e a produção independente"; "Fundo Nacional da Literatura, Livro, Leitura e Bibliotecas, com 20% do orçamento destinado diretamente ao fomento de projetos independentes"; "Criação de veículos públicos de circulação para a literatura, como jornais e revistas (através da imprensa oficial), sites e programas de rádio e TV na rede pública de comunicação" e outras. O manifesto foi assinado por centenas de escritores. Se tudo isso fosse atendido, quase todos, senão todos os problemas dos escritores em todo o Brasil estaria revolvido. Esperemos que finalmente surta algum efeito.

Já no âmbito estadual, o panorama não se apresenta tão promissor: o governo catarinense resolveu incluir a cultura na reforma administrativa anunciada no início deste ano e decidiu que a Fundação Catarinense de Cultura será extinta. É claro que uma "Frente em defesa da cultura catarinense" se formou em protesto, e o governo recuou, prometendo manter a entidade até 31 de dezembro deste ano. Mas já avisou que, mesmo sem a FCC, será impossível criar a Secretaria de Cultura, como quer a "frente", composta de artistas e pessoas do meio, defendendo a criação do Funcultural, entidade ainda meio nebulosa e que dividiria os recursos porventura conseguidos entre cultura, esporte e lazer.

Não que a Fundação seja a salvação da cultura em nosso estado - ela só pagará no decorrer deste ano parte dos projetos aprovados em 2003 e 2004; a lei Grando, que estabelece a compra e distribuição de livros de autores catarinenses às bibliotecas municipais, com mais de dez anos de idade, nunca foi cumprida. O Prêmio Cruz e Sousa teve sua última edição em 2002 e a edição que deveria ter acontecido no ano passado foi suspensa. E por aí afora. Mas a classe cultural está com medo de que fique pior ainda. Como ficará a falida cultura oficial de Santa Catarina?  
 


(12 de março/2005)
CooJornal no 411


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC