| Luiz Carlos Amorim
AS REVISÕES DE ORIGINAIS
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Já mencionamos, em mais de uma oportunidade, a dificuldade do escritor novo em
encontrar uma editora para publicar o seu livro. Mas há quem consiga, pela
qualidade da sua obra e porque as editoras, pelo menos algumas delas, cobram do
autor parte ou todo o custo da edição.
Há um detalhe, no entanto, sobre o qual não falamos: uma vez contratada a
publicação, vêm os preparativos para a obra ir para o prelo. A composição, a
diagramação, a escolha das fontes, das cores da capa, tudo já foi combinado
antecipadamente ou ficou a cargo da editora. A revisão da obra, no entanto, é
que tem se constituído, não raro, em problema para o autor, se ele não concordar
com algumas arbitrariedadezinhas.
Já vi, mais de uma vez - e já aconteceu comigo também, ao participar de uma
antologia - o texto original ser mudado pelos "revisores" da editora. Palavras
suprimidas aqui, outras acrescentadas ali, uma frase mudada acolá. Isto é algo
que não pode acontecer jamais.
Revisão é feita para correção de erros de digitação, de ortografia, de
concordâncias. Não é, absolutamente, mudar o texto ao gosto do revisor ou do
editor. Qualquer mudança que não seja feita pelo autor do texto, torna o
responsável pela alteração o co-autor. O que significa que quem escreveu
inicialmente o texto não é mais seu único autor, embora não tenha concordado com
a parceria.
A verdade é que não é permitido que ninguém faça modificações na obra de outrem.
A única pessoa que pode fazer modificações em um texto é o seu próprio autor. O
máximo que se pode fazer é sugerir que o autor repense e reescreve este ou
aquele trecho, o que já é uma invasão. Mas quem tem a última palavra é o autor,
ele é quem vai saber se pode e deve mudar, repensar, reescrever. Ou não.
Recentemente uma amiga escritora veio me mostrar as provas de um livro seu,
enviadas pelo editor antes de mandar imprimir. E havia lá algumas "revisões" -
alterações que ela não havia autorizado. Ela pediu que o texto voltasse a ser o
que ela havia escrito. Espero que o livro impresso saia do jeito que ela
escreveu.
Porque adulterar a obra de outrem é crime, assim como plagiar.
(02 de julho/2005)
CooJornal no 427
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC