02/07/2005
Ano 8 - Número 427

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim



AS REVISÕES DE ORIGINAIS



 

Já mencionamos, em mais de uma oportunidade, a dificuldade do escritor novo em encontrar uma editora para publicar o seu livro. Mas há quem consiga, pela qualidade da sua obra e porque as editoras, pelo menos algumas delas, cobram do autor parte ou todo o custo da edição.

Há um detalhe, no entanto, sobre o qual não falamos: uma vez contratada a publicação, vêm os preparativos para a obra ir para o prelo. A composição, a diagramação, a escolha das fontes, das cores da capa, tudo já foi combinado antecipadamente ou ficou a cargo da editora. A revisão da obra, no entanto, é que tem se constituído, não raro, em problema para o autor, se ele não concordar com algumas arbitrariedadezinhas.

Já vi, mais de uma vez - e já aconteceu comigo também, ao participar de uma antologia - o texto original ser mudado pelos "revisores" da editora. Palavras suprimidas aqui, outras acrescentadas ali, uma frase mudada acolá. Isto é algo que não pode acontecer jamais.

Revisão é feita para correção de erros de digitação, de ortografia, de concordâncias. Não é, absolutamente, mudar o texto ao gosto do revisor ou do editor. Qualquer mudança que não seja feita pelo autor do texto, torna o responsável pela alteração o co-autor. O que significa que quem escreveu inicialmente o texto não é mais seu único autor, embora não tenha concordado com a parceria.

A verdade é que não é permitido que ninguém faça modificações na obra de outrem.
A única pessoa que pode fazer modificações em um texto é o seu próprio autor. O máximo que se pode fazer é sugerir que o autor repense e reescreve este ou aquele trecho, o que já é uma invasão. Mas quem tem a última palavra é o autor, ele é quem vai saber se pode e deve mudar, repensar, reescrever. Ou não.

Recentemente uma amiga escritora veio me mostrar as provas de um livro seu, enviadas pelo editor antes de mandar imprimir. E havia lá algumas "revisões" - alterações que ela não havia autorizado. Ela pediu que o texto voltasse a ser o que ela havia escrito. Espero que o livro impresso saia do jeito que ela escreveu.

Porque adulterar a obra de outrem é crime, assim como plagiar.


(02 de julho/2005)
CooJornal no 427


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC