30/07/2005
Ano 8 - Número 435

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim




BIBLIOTECAS


 

Acabo de voltar de um supermercado, onde vi um banner pedindo doação de livros para formação de uma biblioteca em uma escola de interior. Ontem, vi uma matéria de página inteira no Estadão sobre a inauguração de uma biblioteca comunitária, num bairro carente da capital paulista. Então, não posso deixar de voltar a falar neste assunto. Eu não tinha ainda assunto para a crônica desta semana, e foram muito providenciais as deixas que apareceram.

Sei que ainda compramos poucos livros, nem tanto porque não gostamos de ler, mas porque não há dinheiro para gastar com eles. Quando compramos, depois de lê-lo nós o trocamos por outro, emprestamos, há até quem o venda no sebo, pois diferente de mim, que gosto de ter o livro comigo, se gosto dele, outras pessoas não vêem porque conservá-lo depois de lido. Aliás, é por isso que os sebos são uma ótima alternativa para a compra de bons livros, pois às vezes temos a sorte de encontrar lá obras bem recentes por preços ótimos, mas isto já foi assunto de uma crônica anterior.

Na verdade, eu até concordo com quem não deixa o livro guardado numa estante ou numa gaveta, indefinidamente, pois muitas pessoas poderiam lê-lo, ainda, sendo um objeto perene como é. Sei que estou sendo um pouco contraditório, mas até mesmo eu, que não gosto de me desfazer dos livros dos quais gosto muito, tenho doado, repetidas vezes, muitos volumes para campanhas como a que vi lá no supermercado e para começar bibliotecas em pequenas escolas do interior. Lembro que há alguns poucos anos, juntamos todos os livros infantis das minhas filhas – e eram centenas deles – juntamos mais os discos do Balão Mágico, Trem da Alegria e até Xuxa (Deus me perdoe!) e levamos tudo para uma pequena escola de primeiro grau bem lá do interior, tipo escola isolada, lembram? As crianças e os professores ficaram felizes da vida. Hoje estou comprando tudo de novo, porque os sobrinhos já têm um, dois, três anos, mas não me arrependo de ter doado, porque muitas crianças fizeram bom proveito daquele material, tenho toda a certeza.

Por isso peço a você, que está lendo esta crônica, que não deixe guardado muito tempo os livros que já leu. Verifique se a biblioteca da escola do filho, de um sobrinho, de um neto, de um afilhado não aceita alguma doação para enriquecer o acervo da sua biblioteca, de repente um asilo, um orfanato onde você nunca foi pode precisar também, uma entidade beneficente que vai poder começar ou reforçar a sua biblioteca, quem sabe? São tantas possibilidades...

E veja que quando dizemos livros para bibliotecas, não queremos dizer romances, apenas. Livros didáticos, infantis, dicionários, enciclopédias, livros técnicos, tudo pode ser interessante para algum leitor.

Amanhã mesmo estarei separando livros para aquela escola para a qual o supermercado está arrecadando. E você, leitor, não tem nenhum biblioteca – de escola, comunitária, etc, para levar algum bom livro de presente?
 


(30 de julho/2005)
CooJornal no 435


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC