| Luiz Carlos Amorim
A DANÇA DOS LIVROS
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A vigésima terceira edição do Festival de Dança de Joinville encerrou-se no
último final de semana de julho, com o sucesso esperado, apesar do frio.
Sucesso não só dos espetáculos da mostra competitiva no palco principal do
Centreventos da Cidade das Flores, mas também e principalmente, eu ousaria
dizer, pelas apresentações nos palcos alternativos.
Os palcos alternativos são aqueles estrategicamente colocados nas praças,
shoppings, fábricas, escolas e, eventualmente, até em hospitais e asilos e
orfanatos. Existem, inclusive, grupos que viajam para Joinville apenas para se
apresentar nesses palcos, distribuídos pela cidade, sem terem sido selecionados
para concorrer.
Mas estou falando do festival por duas razões. A primeira, porque ouvi uma
notícia, segundo a qual há a intenção, por parte do poder público, de fazer com
que o ensino da dança faça parte do conteúdo programático do primeiro grau em
Joinville.
Acho que a idéia está um pouco aquém do que seria o desejável, pois não é
razoável obrigar todas as crianças a aprenderem a dançar. O ideal seria, talvez,
uma disciplina de artes, onde o aluno pudesse escolher dança, ou música, ou
literatura, ou artes plásticas, ou teatro, etc, etc. A cidade conta com a Casa
da Cultura, que poderia tornar isso viável, formando professores para a escola
pública. Aí, sim, talentos poderiam ser descobertos, inclusive para a dança.
Parece fácil? Não, não seria fácil. Mas ensinar dança a todos os estudantes, de
maneira geral, seria muito mais difícil.
A segunda razão decorre do fato de que, a partir do Festival de Dança de
Joinville, surgiram outras mostras do gênero por Santa Catarina e por outros
estados, e a de Florianópolis acontece justamente quando o grande evento
nacional da dança, o maior da América Latina, na Manchester Catarinense, está
acabando. Talvez seja porque assim, alguns dos grupos que vieram a Joinville
podem esticar e se apresentarem na capital.
Existir uma mostra de dança na capital catarinense já é um grande acontecimento,
uma excelente opção para quem gosta do espetáculo e não pode ir a Joinville. E
até quem não podia ir ao teatro ver a performance dos grupos, pôde vê-los na
rua, pois a partir deste ano também na capital a dança foi à rua, em palcos
montados em pontos diferentes da cidade. Mas o que me chamou a atenção, mesmo,
foi a maneira de cobrar os ingressos para ver a mostra no CIC: dava-se desconto
de cinqüenta por cento para quem levasse um livro em bom estado. Não é
interessante? Os livros serão doados para ampliação das bibliotecas de escolas
públicas.
Eu havia falado, na crônica da semana passada, sobre doação de livros. E fiquei
realmente feliz em ver que a idéia vem sendo colocada em prática e funciona. Que
encontro feliz, da cultura com a cultura. Que beleza poder constatar a
integração dessas artes, a dança e a literatura, a música e a literatura, o som
e a poesia na ponta das sapatilhas, em prol dos nossos leitores em formação. Nem
todos os livros serão próprios para a escola de primeiro e segundo graus, é
possível. Mas o que de bom, seja didático, técnico, literário, dicionário ou
enciclopédia, é lucro.
(06 de agosto/2005)
CooJornal no 436
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC