06/08/2005
Ano 8 - Número 436

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim



A DANÇA DOS LIVROS

 

A vigésima terceira edição do Festival de Dança de Joinville encerrou-se no último final de semana de julho, com o sucesso esperado, apesar do frio.

Sucesso não só dos espetáculos da mostra competitiva no palco principal do Centreventos da Cidade das Flores, mas também e principalmente, eu ousaria dizer, pelas apresentações nos palcos alternativos.

Os palcos alternativos são aqueles estrategicamente colocados nas praças, shoppings, fábricas, escolas e, eventualmente, até em hospitais e asilos e orfanatos. Existem, inclusive, grupos que viajam para Joinville apenas para se apresentar nesses palcos, distribuídos pela cidade, sem terem sido selecionados para concorrer.

Mas estou falando do festival por duas razões. A primeira, porque ouvi uma notícia, segundo a qual há a intenção, por parte do poder público, de fazer com que o ensino da dança faça parte do conteúdo programático do primeiro grau em Joinville.

Acho que a idéia está um pouco aquém do que seria o desejável, pois não é razoável obrigar todas as crianças a aprenderem a dançar. O ideal seria, talvez, uma disciplina de artes, onde o aluno pudesse escolher dança, ou música, ou literatura, ou artes plásticas, ou teatro, etc, etc. A cidade conta com a Casa da Cultura, que poderia tornar isso viável, formando professores para a escola pública. Aí, sim, talentos poderiam ser descobertos, inclusive para a dança. Parece fácil? Não, não seria fácil. Mas ensinar dança a todos os estudantes, de maneira geral, seria muito mais difícil.

A segunda razão decorre do fato de que, a partir do Festival de Dança de Joinville, surgiram outras mostras do gênero por Santa Catarina e por outros estados, e a de Florianópolis acontece justamente quando o grande evento nacional da dança, o maior da América Latina, na Manchester Catarinense, está acabando. Talvez seja porque assim, alguns dos grupos que vieram a Joinville podem esticar e se apresentarem na capital.

Existir uma mostra de dança na capital catarinense já é um grande acontecimento, uma excelente opção para quem gosta do espetáculo e não pode ir a Joinville. E até quem não podia ir ao teatro ver a performance dos grupos, pôde vê-los na rua, pois a partir deste ano também na capital a dança foi à rua, em palcos montados em pontos diferentes da cidade. Mas o que me chamou a atenção, mesmo, foi a maneira de cobrar os ingressos para ver a mostra no CIC: dava-se desconto de cinqüenta por cento para quem levasse um livro em bom estado. Não é interessante? Os livros serão doados para ampliação das bibliotecas de escolas públicas.

Eu havia falado, na crônica da semana passada, sobre doação de livros. E fiquei realmente feliz em ver que a idéia vem sendo colocada em prática e funciona. Que encontro feliz, da cultura com a cultura. Que beleza poder constatar a integração dessas artes, a dança e a literatura, a música e a literatura, o som e a poesia na ponta das sapatilhas, em prol dos nossos leitores em formação. Nem todos os livros serão próprios para a escola de primeiro e segundo graus, é possível. Mas o que de bom, seja didático, técnico, literário, dicionário ou enciclopédia, é lucro.
 


(06 de agosto/2005)
CooJornal no 436


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC