
26/11/2005
Ano 8 -
Número 452
ARQUIVO AMORIM
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| Luiz Carlos Amorim
A
POESIA PELOS “CAMINHOS DO MAR”
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Em uma visita ao professor Lauro Junkes, pesquisador e crítico literário mais
atuante em Santa Catarina, com um trabalho constante e sério, sempre divulgando
as letras do estado, seja a obra de novos escritores ou de autores consagrados,
ganhei um grande presente. Foi engraçado, pois fui cobrar um presente que ele me
prometera e ele me deu mais outros.
O presente que não havia sido prometido é o livro “Caminhos do Mar” - Antologia
Poética Açoriano-Catarinense. Reputo de grande importância essa integração de
poetas catarinenses com os poetas de além-mar, porque afinal de contas, foram
eles que trouxeram para cá a nossa língua, a língua portuguesa. A única língua,
aliás, que tem a palavra saudade.
Mas não me surpreende que tenha sido o professor Lauro a estar a frente do grupo
que organizou a antologia luso-catarinense. Incansável, além das inúmeras
resenhas sobre a obra de quase todos os escritores de Santa Catarina – e de
outras plagas, também – ele tem algumas dezenas de livros publicados sobre
literatura, é o presidente da Academia Catarinense de Letras, numa gestão das
mais atuantes e tem resgatado a obra de grandes nomes da literatura de nosso
estado, republicando suas obras. Ele organizou e publicou, por exemplo, a obra
de Luiz Delfino, o grande lírico da poesia brasileira, o segundo maior poeta
catarinense, ficando apenas atrás de Cruz e Sousa. São mais de 1.300 (mil e
trezentas) páginas, divididas em dois volumes: “Poesia Completa – Sonetos” e
“Poesia Completa – Poemas Longos”. O professor Lauro publicou, também os Contos
Completos de Virgílio Várzea, em dois volumes, a Poesia Reunida de Maura Senna
Pereira, o Teatro escolhido de Horácio Nunes Pires. E mais resgates de obras
importantes estão sendo organizadas.
E ele já havia escrito “Açores – Travessias”, mostrando a influência da cultura
açoriana sobre escritores catarinenses, como Almiro Cadeira, Flávio José
Cardoso, Virgílio Várzea, Othon D´Eça e Franklin Cascaes. O livro analisa as
obras dos cinco escritores, destacando a sua ligação com a cultura açoriana.
“Açores – Travessias” foi lançado, em meados deste ano, no evento Travessias -
Encontro de Escritores Atlânticos - Açores-Brasil, que tinha o objetivo de
estabelecer, pela primeira vez, um diálogo entre autores dos dois lados do
Oceano, açorianos e catarinenses.
Então, por tudo o que já fez pela literatura até aqui, não me surpreende que
Lauro Junkes tenha se juntado a outros escritores, catarinenses e portugueses,
para organizar a antologia poética açoriano-catarinense.
Na antologia encontramos, na primeira parte, poetas do Arquipélago dos Açores:
Antero de Quental, Roberto de Mesquita, Armando Côrtes Rodrigues, Vitorino
Nemésio, Pedro da Silveira, Eduíno de Jesus, Madalena Ferin, Emanuel Félix, José
Martins Garcia, Álamo Oliveira, J. J. Santos Barros, Vasco Pereira da Costa,
Adelaide Freitas, Urbano Berrencourt, Emanuel Jorge Botelho, Marcolino Candeias,
Eduardo B. Pinto, Ivo Machado, Rui Machado e Luís Felipe Borges.
Na segunda parte, temos os Poetas da Ilha de Santa Catarina: Marcelino A. Dutra,
João Silveira de Souza, Luiz Delfino, Lacerda Coutinho, Delminda Silveira, Cruz
e Sousa, Araújo Figueiredo, João Batista Crespo, Othon D´Eça, Maura Senna
Pereira, Aníbal Nunes Pires, Júlio de Queiroz, C. Ronald, Osmar Pisani, Rodrigo
de Haro, Péricles Prade, Semy Braga e Pinheiro Neto.
Um documento que perpetua a sensibilidade, emoção, lirismo, estilo e
criatividade de poetas catarinenses e portugueses.
(26 de novembro/2005)
CooJornal no 452
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