
28/01/2006
Ano 8 -
Número 461
ARQUIVO AMORIM
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| Luiz Carlos Amorim
ANJOS E DESTINOS
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Falava eu, em uma crônica recente, sobre o fato de que o gênero que vende mais,
nas feiras do livro, é o infantil. E que desta fatia maior de livros infantis
vendidos, boa parte é daquelas histórias tradicionais, como Branca de Neve,
Cinderela, e tantas outras, publicadas em grandes tiragens, por isso e por não
terem direitos autorias, bem mais baratas. Mencionei que precisávamos comprar
mais livros de autores brasileiros, que os temos e dos bons. Se os contos que
vêm conquistando crianças há várias gerações têm magia e encantamento, nossos
autores infantis também sabem temperar com estes ingredientes as suas histórias,
impregnando-as, ainda, com lições de vida, moral e educação, sem cair no
didatismo insosso que afasta o leitor.
Tivemos, nós brasileiros, e temos, atualmente - um time excelente de bons
contadores de histórias, e aí incluo Wilson Gelbcke. Posso afirmar com segurança
que ele tem o dom de escrever para esse público exigente que é o infantil e
infanto-juvenil, pois já li dois dos três livros do gênero que ele escreveu.
Um deles, que não havia sido publicado ainda e agora ganha sua primeira edição,
por ser um dos vencedores do Prêmio Estímulo à Produção, da Fundação Cultural de
Joinville, é “Quatro Anjos, Quatro Destinos”. Uma ótima história, uma fábula
ensinando tudo sobre a reciclagem de lixo para termos, amanhã, um mundo com
recursos naturais que garantam a sobrevivência do ser humano. A história é
inteligente, com ótimas personagens – envolvendo, além de pessoas comuns da
comunidade, anjos visíveis e invisíveis – o que são as crianças, senão irmãs
gêmeas dos anjos? - com fundo educacional muito bem aproveitado, com
objetividade e criatividade.
O autor, com sua habilidade de contar ensinando – não seria encantar ensinando?
Os leitores que o digam – dá de presente para as crianças a consciência de que
precisamos ajudar a natureza, precisamos respeitar a natureza e preservar os
recursos naturais para que o nosso futuro seja possível.
Além de ser um bom contador de histórias, W. Gelbcke é autor das ilustrações do
livro, que enriquecem ainda mais a qualidade do texto. Ele é artista plástico e
desenha muito bem, o que favorece a narrativa, já que a ilustração está muito
mais integrada à história do que se fosse feita por outra pessoa. E um livro de
boa qualidade com boa apresentação atrai a criança e faz novos leitores. Mais um
ponto para o artista, que está conquistando, assim, leitores em formação.
(28 de janeiro/2006)
CooJornal no 461
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