
10/06/2006
Ano 9 -
Número 480
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
NOVAS LETRAS PARA VELHAS CANÇÕES
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Em uma crônicas anteriores, um tanto polêmica, falei das canções infantis
tradicionais, aquelas que vem sendo cantadas por crianças de sucessivas gerações
o que me lembra outra crônica, mais polêmica ainda, sobre as fábulas, os contos
de fadas importados e antigos que encantam nossas crianças.
O tema foi polêmico, porque mencionava as letras de canções como "Atirei o
pau no gato", "O Cravo brigou com a rosa" e outras mais, onde encontramos
cenas de violência em cima de músicas gostosas e cadenciadas. Recebi muitas
mensagens, de pessoas que concordavam, de outras que nunca tinham parado
para pensar mas perceberam que realmente havia alguma coisa e de outras que
achavam que era exagero.
Achei ótimo ter provocado uma discussão a respeito e essa discussão ter
resultado em mudanças, que podem ser até localizadas, mas que já começaram a
acontecer. E o melhor resultado disso foi uma matéria em um programa na TV a
cabo, atingindo todo o país, sobre as inovações implantadas nas conhecidas
canções infantis por professores e educadores aqui de Florianópolis. E o
programa tem o poder de difundir a idéia, de disseminar a novidade.
A matéria mostrava educadores de crianças na pré-escola, cantando com suas
crianças aquelas mesmas famosas canções infantis que tínhamos denunciado
pelo conteúdo aparentemente inocente, embora tendendo à violência, mas com
letra reescritas, repensadas. Politicamente corretas, como disseram, termo
que eu nem considero muito simpático, embora talvez seja apropriado.
"Atirei o pau no gato" ficou mais ou menos assim: "Não atirei o pau no gato
/ porque isso não se faz / O gatinho é nosso amigo / Não devemos maltratar
os animais / Jamais!" E "O cravo brigou com a rosa..." está sendo cantado
assim: "A rosa deu um remédio / e o cravo logo sarou / O cravo foi levantado
/ E a rosa o abraçou." Não ficou melhor? Transmite uma mensagem positiva e
a música continua gostosa e vibrante.
O "boi da cara preta" virou "boi do Piauí" e por aí vai. As crianças
gostaram, pois perguntadas pela reportagem, disseram que preferiam as novas
versões, como "NÃO atire o pau no gato" e explicaram o porquê.
Uma doutora em educação, perguntada a respeito pela repórter, disse não
concordar porque acha exagero pensar que as crianças possam ser
influenciadas pelas letras das músicas. Eu peço licença para discordar,
porque as próprias crianças já responderam a ela, crianças de dois, três,
cinco anos. Quando pediram a elas que justificassem porque preferiam as
novas versões, responderam que não se deve maltratar nenhum animal, nenhum
ser vivo, nunca. Então não é correto dizer que as crianças não prestam
atenção ao conteúdo das letras. Elas entendem, sim, e até copiam. Elas são
pequenos discos rígidos vazios que gravam tudo.
Melhor se pudermos passar-lhes boas mensagens, para que sejam adultos mais
responsáveis amanhã.
(10 de junho/2006)
CooJornal no 480
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