
30/09/2006
Ano 10 -
Número 496
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
A NOVA LITERATURA CATARINENSE
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A literatura é uma arte que tem fortes representantes em Santa Catarina. Embora
alguns não gostem de rotular a literatura produzida aqui como catarinense, ela
tem autores com qualidade e representatividade universais.
A projeção catarinense na literatura brasileira começa com o ícone maior da
poesia simbolista, Cruz e Sousa, nascido em Florianópolis, antiga Desterro, de
reconhecimento universal, ainda que póstumo. Sua poesia foi traduzida e
publicada em vários países.
A perfeição dos poemas de Cruz e Sousa já fez com que o comparassem a Baudelaire
e que um crítico francês o colocasse ao lado de Mallarmé.
Seguem-se-lhe Virgílio Várzea, que publicou em parceria com Cruz e Sousa “Tropos
e Fantasias”, a estréia do Cisne Negro na literatura, e Luiz Delfino.
Existem, também, os escritores catarinenses contemporâneos, aqueles que já têm
uma obra consolidada publicada e conhecida e ultrapassaram as fronteiras do
nosso estado catarina. Alguns deles projetaram-se em nível nacional, mas nem
sempre estão radicados aqui em Santa Catarina. Nomes como Lindolfo Bell, Guido
Wilmar Sassi e Harry Laus, de grata memória, Cristóvão Tezza, Deonísio Silva,
Silvio Back, Werner Zotz, Donaldo Schüler, Salim Miguel, são exemplos de
escritores catarinenses lidos por esse Brasil afora.
Temos as atuais figuras de destaque no estado, que se concentram, quase todas,
na capital, mas não é deles que pretendemos falar, pois eles já tem a mídia que
lhes dá algum espaço.
Vamos focalizar aqui os escritores que produzem em outras cidades desta bela e
Santa Catarina, que têm sua obra publicada, têm uma bibliografia considerável,
em quantidade e qualidade, apesar de não estarem, a maioria deles, aparecendo
nas vitrines ocupadas pelos conhecidos da mídia.
São os escritores que se impõe por seu talento, dedicação e perseverança, que
trabalham para levar o seu trabalho até o leitor, esteja ele onde estiver, a
começar pela escola. Eles vão se revelando em pontos diferentes do estado,
conquistando respeito e reconhecimento pelo mérito de sua obra.
Alguns começam arcando com a própria edição, sem uma distribuição eficiente,
provam que são bons e até conseguem uma editora, que poderá ajudar ou não a
germinar a semente plantada. Poucos têm o talento reconhecido logo de cara, por
um editor como Odilon Lunardelli, como é o caso de Urda Alice Klueger.
Outros contam com a integração e troca de experiências de um grupo literário,
como é o caso de Rosângela Borges, poetisa joinvillense que começou dentro do
Grupo Literário A ILHA (Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia ) e participou
dele durante quase todo o seu tempo de atividade, que hoje completa 26 anos. E,
professora que é, enveredou pela poesia para crianças e está para publicar seu
segundo e terceiro livros. O primeiro, “Conversa de bichos’, publicado por
editora mineira em 2005, já está com a primeira edição esgotada.
Apolônia Gastaldi, por exemplo, nasceu no Vale do Itajaí, em Indaial e vive
atualmente em Ibirama. Aposentada do magistério, é poetisa e romancista. Seu
primeiro romance, “A Força do Berço”, foi publicado em 1986.
Publicou, também, “Sibilos” – poesia, “Panoramas I e II” – poesia, “Morro dos
Pelados” – poesia e em 2005 lançou oito livros: uma nova edição do primeiro
volume de “A Força do Berço” - “Herança”, e os subseqüentes: “Segredos”,
“Sinais” e “Regresso” – que contam a trajetória de Stele, uma mulher vivendo na
França do começo do século 20, a história da determinação do ser humano de saber
sobre si mesmo, de procurar as suas origens e o seu futuro; “Barra do Cocho” –
romance histórico; “Anjos Azuis” – romance juvenil; “Mar” – poema, e “Amor” –
poemas, intimista e pessoal.
A obra de Apolônia faz lembrar Érico Veríssimo, esse mestre das letras que
completaria cem anos no ano de 2005, pela grandiosidade de conteúdo e pela
narrativa saborosa e objetiva. Apolônia é uma contadora de histórias magistral.
E sua poesia é forte, carregada de sensibilidade, lirismo, emoção e
sensualidade.
Urda Alice Klueger é romancista por excelência, mas já provou ser uma cronista
de mão cheia e também incursionou com sucesso pela literatura infanto-juvenil.
Os romances de Urda têm o poder de prender o leitor da primeira à última página,
fazendo com que a gente os leia de um fôlego só. Não importa o tema: a força
narrativa da autora, a construção dos personagens, humanos e autênticos, o
cuidadoso e minucioso trabalho de delinear os cenários e personalidades, o
engendramento da trama, consistente e verossímel, fazem de Urda a romancista
mais importante de Santa Catarina. Essa catarinense de Blumenau já publicou 14
livros, como “Verde Vale”, já na décima edição, “No tempo das tangerinas”, e
“Cruzeiros do Sul” – romances históricos que já se transformaram em clássicos da
literatura catarinense. Urda é daqueles escritores que escrevem como se
estivessem, pessoalmente, contando uma história pra gente, de maneira simples,
coloquial, mas com emoção e sentimento. Além de romances históricos, ela tem
vários livros de crônicas, livros de viagem, de turismo, documentário e
infanto-juvenil. Atualmente realiza pesquisa sobre os Sambaquianos, antigos
moradores de Santa Catarina entre 6.000 e 2.000 anos atrás. Ela já gerou um
livro paradidático, ‘O Povo das Conchas” e está gerando um romance-histórico.
Eloí Elisabeth Bocheco, de São José, autora de poesia infantil por excelência,
publicou pela editora Papa Livro, de Florianópolis, em 98, as coletâneas de
poesia infanto-juvenil "Uni... Duni... Téia", "A de Amor - A de ABC", em 99 e "Ô
de Casa", em 2000.
“Poesia Infantil: Abraço Mágico” é um livro sobre poesia, que cita vários poemas
de poetas diversos e alguns da própria autora. Um encontro informal de poesia,
não apenas dedicado a educadores, mas também a pais, crianças e outros
mediadores da leitura. O livro pretende mostrar que a poesia nada mais é do que
uma extensão do universo mágico da criança, repleto de imaginação. Publicou
também “Beatriz em Trânsito”, que conquistou o Prêmio Mário Quintana e ainda “O
pacote que tava no Pote” e “Contra feitiço, feitiço e meio”, pela Editora
Paulinas.
Eloí Elisabet Bocheco foi premiada, no I Concurso Literatura Para Todos do
Ministério da Educação, na categoria Tradição Oral, com "Batata cozida, mingau
cará", um livro de poemas vinculados à tradição oral brasileira, que recria o
folclore poético de todas as regiões do Brasil.
“Pedras Soltas”, livro de crônicas, acaba de ser lançado pela Editora da UFSC, e
"Não vá embora, Clarice", ganhou o prêmio Leia Comigo!, da Fundação Nacional do
Livro Infantil e Juvenil.
Enéas Athanázio, atualmente radicado em Balneário Camboriú, é um nome conhecido
e respeitado no estado de Santa Catarina e pelo Brasil, pela sua obra que chega
a mais de 50 títulos, e pelos ensaios, contos, crônicas e artigos que publica em
jornais, revistas e antologias pelo país afora. Ele é, talvez, o mais importante
contista do nosso Estado, sem falar que é um ensaísta investigativo e produtivo,
um dos maiores estudiosos de Lobato, entre outros grandes nomes da literatura
brasileira.
Ao estrear, em 1973, com os contos de “O Peão Negro”, Enéas Athanázio trouxe,
desde logo, uma nova voz à literatura brasileira, distinguindo-se com nitidez no
panorama existente. Suas narrativas regionais inseriam-se na tradição cultural
dos Campos Gerais catarinenses, de onde é originário. A fidelidade do autor às
coisas da terra seria reafirmada com “O Azul da Montanha”, “Meu chão”, “Tempo
Frio”, e tantos outros. Outros livros de contos: “Erva Mãe”, “Tapete Verde”, “A
Cruz no Campo”, “O Aparecido de Ituí”. Alguns livros de historiografia
literária: “3 Dimensões de Lobato”, “Godofredo Rangel’, “O Mulato de Todos os
Santos”, “”Falando de Gilberto Amado”, “Presença de Inojosa”, “”Meu amigo Hélio
Bruma”, ‘O Perto e o Longe I e II”.
Seu mais recente livro é “Crônicas Andarilhas”, 196 páginas e, como o próprio
autor diz, é "um punhado de crônicas inspiradas em andanças minhas e de outros
autores, e até em viagens imaginárias. Dr. Enéas conhece o Brasil de ponta a
ponta. Vale a pena viajar com ele essas "viagens literárias".
Wilson Gelbcke nasceu em São Paulo, em 1933, mas começou a escrever em
Joinville, SC. Aposentado da área de propaganda e comunicação social, atualmente
dedica-se à literatura e às artes plásticas. Fez sua estréia literária em 1977,
com o romance “A Máscara de Capelle”, Editora Corpo da Letra, Rio. Em 2000,
publicou seu primeiro livro infanto-juvenil, “Esses Duendes tão Míopes” e em
2002 o segundo, “Por um rio você pode fazer milagres”, ambos pela Editora
Letradágua, de Joinville; “Vindita do Historiador” – romance policial alentado,
com excelente narração e trama bem construída, Editora Letradágua, 2003;
“Primavera em pleno outono”, “O Catador de Papel e o rio”, “Receita para o Amor”
– poemas e “Quatro Anjos – Quatro Destinos”, infanto-juvenil vencedor do Prêmio
Incentivo à Produção, da Fundação Cultura de Joinville.
Wilson tem outros livros prontos para serem publicados, como “A terceira Moeda”
– romance, “Cartas para Monteclaro” – romance, “Causos de minha cidade” -
contos.
Evidente que não são só esses os bons escritores catarinenses que se firmam e
que despontam, fora do círculo dos consagrados da capital. Existem outros, como
Maicon Tenfen, novelista, romancista e cronista de Ituporanga, atualmente em
Blumenau, já tem sete livros publicados. Anamaria Kovács nasceu no Rio de
Janeiro, em 1948, mas produz sua literatura em Blumenau desde 1976. Já publicou
mais de uma dezena de livros de contos e infanto-juvenis em prosa e poesia,
inclusive uma coleção em dez volumes, “Viajando com Dona Poesia”. Else Sant'Anna
Brum é poetisa em Joinville, mas escreve prosa para crianças. Tem quatro livros
infanto-juvenis até agora publicados: "Miguelito Pirulito","Cri-Cró", "Retetéu"
e "Serelepe".
E mais outros, que estão surgindo.
(30 de setembro/2006)
CooJornal no 496
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