
18/11/2006
Ano 10 -
Número 503
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
A POESIA DOS POETAS DA PRAÇA
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Estou com o livro sobre os
escritores que passaram pelo Grupo Literário A ILHA nestes vinte e seis anos de
trabalho em prol da divulgação da poesia quase pronto. Na pesquisa do material a
ser usado, deparo-me com a primeira antologia do grupo, “Poetas da Praça”. E
volto a lê-la, o que dá uma vontade muito grande de falar da mesma.
Participaram dela quase todos os integrantes do grupo na época, os idos anos de
88: Célia B. Veiga, Darcy Nogueira, Erna Pidner, Gislaine Elling, João Celino
Veiga, este cronista, Maria de Fátima Joaquim, Maria Olívia, Mariana, Maysa S.
Oliveira, Rosângela Borges, Salete Holske, Sílvio de Oliviera Dias, Sólon Schil
e Tótila Artigas.
Rosângela Borges começou a praticar a poesia muito cedo, aos quatorze anos e, a
despeito da pouca idade de então, revelou-se uma poetisa muito forte. Tem estilo
próprio, é de uma sensibilidade muito aguçada e tem grande facilidade de
registrar as emoções em versos, usando figuras riquíssimas como “... Mereço um
pedaço de liberdade / pra fazer brotar meus sonhos...” ou “...um pedaço de sol
entrou em mim...” ou ainda “No olhar tímido da vida / de espelhos mudos / de
silêncios úmidos / pintei sua canção / pelo meu corpo...” (em “De amar você”).
Já Mariana, com seus 83 anos naqueles bons tempos, uma das mais atuantes
poetisas do grupo, me lembra muito Cora Coralina, pela simplicidade, pelo
lirismo e pela singeleza do seu fazer poético: “Se você me perguntar / porque é
que ando tão triste, / baixinho eu lhe direi: / É a saudade que persiste. / Essa
saudade me mata / me maltrata e delicia...”.
Célia B. Veiga e João Celino Veiga são, além de poetas, atores e teatrólogos:
têm várias peças escritas e montadas e têm utilizado a poesia dentro do teatro,
numa feliz combinação. Sua poesia é predominantemente de cunho social, embora
João pratique também a poesia romântica.
“Eu preciso encontrar alguém / que goste do aroma da chuva / da carícia do vento
/ e tenha paixão pelo mar...” – esta é uma amostra do trabalho de Darcy
Nogueira, para quem a poesia é, acima de tudo, sentimento e emoção, é vida
vivida e passada a limpo. Darcy conhece o ofício de fazer versos e sensibilidade
não lhe falta. Como em “lá vai o poeta / em meio a tanta confusão / com a sua
poesia / como um punhado de estrelas...”.
Erna Pidner, mineira radicada em Joinville até os anos 90, tem uma produção
contínua e prima pela musicalidade dos seus poemas. “Seu corpo, sua voz, você /
suas paixões sem domínio / emoções, buscas, fascínio, / seus nervos à flor da
pele / volúpia que não repele / fantasias ao luar...’ (Teu corpo).
“Deixa teu rastro / no caminho do tempo / e sobrevivas como lastro // Lavra o
teu amanhã / na emergência do hoje...” – estes são versos de Gislaine Elling,
uma poetisa vigorosa e madura.
Maria de Fátima Joaquim começou a mostrar o seu trabalho poético no extinto
grupo Poemarte, parou por um tempo mas retomou a poesia no Grupo A ILHA.
Outra revelação do grupo foi Salete Holske, dona de um estilo todo seu, de uma
cosmovisão lúcida e transparente, a poesia de coração com os pés no chão. O
lirismo do cotidiano, como nesses versos: “O tempo se faz rápido / e rápido se
escoa / flecha prateada /veloz e inclemente / incômoda certeza / de coisa
irreversível.”
“E o que eu seria / sem essa energia / que me faz até fazer poesia?”, pergunta
Maysa S. Oliveira, poetisa sensível e romântica, preocupada em tornar
transparentes os sentimentos humanos no seus versos de fé e esperança.
Sólon Schil, além de produzir poesia, divulga, através do rádio, a poesia de
todos os poetas que querem mostrar o seu trabalho. Sua poesia é assim:
“Libertei-te as mãos / mas desaprendeste de usá-las / no gesto carinhoso / de um
simples afago...”
Sílvio de Oliveira Dias sempre teve uma produção constante de ótima qualidade.
Publicou vários livros – de poemas, contos e crônicas e foi o vencedor do
concurso de poesia “Poetas da Noite”.
Foi muito bom matar a saudade e falar um pouquinho dos poetas da praça. Mais
sobre estes e outros poetas estará no livro “O Escritor Catarinense e o Grupo
Literário A ILHA”.
(18 de novembro/2006)
CooJornal no 503
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