24/02/2007
Ano 10 - Número 517

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim



A CULTURA DO DESCASO


 


 

Escrevia eu, outro dia, numa das últimas crônicas, sobre a mudança de dirigentes na Fundação Catarinense de Cultura e sobre a esperança, ainda que pequena, de que as coisas viessem a melhorar, uma vez que a gestão anterior não fora o que se esperava. Ao invés de novas realizações, a administração da FCC (ou o governo do estado) nos quatro últimos anos deixou de levar a efeito projetos como o Prêmio Cruz e Sousa, entre outros, que já existiam, e isso já era grave.

Mas minha esperança de que os novos tempos fossem diferentes parece que estão indo por terra mais depressa do que se poderia imaginar. Estamos apenas em fevereiro e já leio nos grandes jornais catarinenses, denúncias de que o Estado vai se desobrigar de manter a Biblioteca Pública de Santa Catarina, o Museu Cruz e Sousa e o tradicional Teatro Álvaro de Carvalho.

Então pergunto, estupefato: não seria essa a função primeira de uma fundação cultural estadual, zelar pela cultura ou pelo menos manter os patrimônios culturais que já existem?

A Biblioteca Estadual, o Museu Cruz e Sousa, o Teatro Álvaro de Carvalho são instituições históricas, baluartes da cultura de nosso Estado e não podem ser abandonados assim.

A Biblioteca já se ressente de atualização mais freqüente de seu acervo, mas daí a ser largada pelo Estado é descaso e desrespeito com a população catarinense, que paga imposto e tem direito sagrado a um local como aquele para leitura e pesquisa. E há que se levar em conta que estão lá obras raras que datam do século 17 e jornais antigos de diversas cidades catarinenses que integram uma coleção de 110 mil volumes.

As mudanças fazem parte da reforma administrativa do Estado, quando o antigo administrador da FCC ainda está à frente da entidade, interinamente, infelizmente.

O projeto é passar as instituições para o município de Florianópolis, mas se a capital já não dá conta das atribuições que têm, como vai arcar com mais esse ônus?

A cultura de um povo é coisa séria e devia ser olhada com mais carinho por nossos governantes.




(24 de fevereiro/2007)
CooJornal no 517