24/03/2007
Ano 10 - Número 521

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim


Colônia Brasil


 


 

E o Rei da Cocada Preta veio dar uma olhadinha em uma de suas colônias. Aliás, uma olhadinha, apenas, não. Ele só viria se tivesse alguma coisa mais a arrancar daqui, se precisasse de alguma coisa que temos aqui. Ele veio para botar o olho grande no nosso álcool, que a escassez de petróleo já está se fazendo sentir, a produção de álcool de milho é muito cara, etc. E nós, ou os nossos “representantes”, diga-se a bem da verdade, mais uma vez recebem o Rei, o Senhor da Guerra, com honrarias, oferecendo o resto da colônia.

Poderia ser engraçado, se não fosse trágico. O presidente estadunidense anuncia que vem, o Brasil pára a sua maior cidade para recebê-lo, e todos sabemos que ele não é bem vindo. Ele chega como quem manda, como se fosse legítimo senhor da terra, de suas riquezas e dos nativos. E nós nos rendemos a sua “majestade”.

Quando o presidente do Brasil vai aos Estados Unidos, aquele país aciona todo um enorme aparato de segurança, pára uma grande cidade por dias, transtorna a vida de toda a população dessa cidade, monopoliza todas as atenções? Não, claro que não.

Mas aqui foi o que aconteceu. Aqui e em outros países da nossa amada América Latina. Sim, porque ele já aproveitou e foi fiscalizar as colônias todas.

E não adiantaram as manifestações de brasileiros e nos outros países contra a presença do Rei Louco, pois a segurança que trouxe com ele e a que ofereceram a ele aqui na colônia Brasil tornaram-no intocável. Sem contar que as forças armadas das colônias, como as brasileiras, iam abrindo caminho, calando os manifestantes. (Para coibir a violência e a criminalidade aqui na colônia, não há contingente, verba, viaturas, sei lá mais o que, mas para o dono da guerra, aí sim, há.)

Será que ele, o Rei do Mundo estadunidense, vai apenas usar a nossa tecnologia para fazer o álcool ou vai querer que o façamos para levar já pronto daqui para lá?
 



(24 de março/2007)
CooJornal no 521