05/05/2007
Ano 10 - Número 527

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim



A MÚSICA DA ORQUESTRA SINFÔNICA DE
SANTA CATARINA

ou NINGUÉM GOSTA DE MÚSICA CLÁSSICA?

 


 

No que diz respeito à música, fui bastante precoce, creio, pois gostava de música clássica lá pelos doze anos. Minha catequese musical começou quando descobri umdisco de Strauss na escola e passei a ouvi-lo. Depois ouvi Mozart, Chopin, Beethoven e outros monstros da música.

Pela vida afora, sempre tive mais discos de música clássica do que outros gêneros,embora goste de rock, de música popular, tanto nacional quanto importada. No entanto, nunca obriguei ninguém a ouvir música clássica porque, felizmente, as pessoas que vivem comigo também gostam.

Aliás, ouve-se muito, diz-se muito por aí que a maioria das pessoas não gosta de música clássica. Acredita-se que o público que gosta deste tipo de música é uma minoria. Acho que até eu mesmo acabei acreditando nisso.

Acabo de chegar de um espetáculo da Orquestra Sinfônica de Santa Catarina no Teatro do CIC - Centro Integrado de Cultura de Florianópolis, espetáculo que quase não pude ter o prazer de apreciar, pois cheguei meia hora antes do início e já não havia mais ingressos, tivemos que esperar para que todo mundo entrasse para ver se sobrava algum lugar. Felizmente havia.

O teatro tem 956 lugares - vejam que não é um teatro pequeno - e há que se considerar que, além dos novecentos e cinqüenta e seis lugares ocupados, muita gente se acomodou nos corredores, junto às paredes, nas escadas. Creio que deveria haver mil e duzentas, mil e trezentas pessoas no teatro, mais ou menos, e houve quem tivesse voltado, quando recebeu a informação, na recepção, de que não havia mais ingresso, que era necessário esperar e a fila era quilométrica.

Fiquei pensando, cá com meus botões: que história é essa de que as pessoas não gostam de música clássica? Um teatro enorme lotado, sem lugar nem para se passar nos corredores - que raio de público é esse que não gosta de música clássica e vem se apinhar no teatro para ouvi-la?

Fiquei feliz de ver que tanta gente sabe apreciar a boa música e mais ainda pelo grande espetáculo que a Orquestra Sinfônica de Santa Catarina no ofereceu, sob o comando do brilhante e carismático maestro José Nilo Valle.

Interpretação magistral de peças como a Sinfonia número 4, de Tchaikovsky, em quatro partes, que preencheu a primeira parte do espetáculo. A segunda parte começou com "O Guarani", de Carlos Gomes. Que coisa fantástica! Já fazia algum tempo que eu não ouvia essa obra-prima do nosso grande compositor e acho que já tinha esquecido como ela é bela. Ou, quem sabe, ela ficou mais bela na interpretação estupenda da Orquestra regida pelo maestro Valle. Em seguida veio "Batuque", de Oscar Lorenzo Fernandez e então tivemos mais músicas de Tchaikovsky, como trecho de "O Lago dos Cisnes", "Valsa das Flores" e trecho do balé "Quebra Nozes". Uma noite memorável.

Esse foi o início da temporada e outros espetáculos virão, um por mês, se não me engano. Estarei lá disputando um lugar, sem a menor sombra de dúvida.




(05 de maio/2007)
CooJornal no 527