19/05/2007
Ano 10 - Número 529

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim


A BELA CORUPÁ, O VALE DAS ÁGUAS

 


 

Já escrevi sobre Corupá, a Cidade das Cachoeiras, minha cidade natal. É uma pequena cidade ao pé da Serra do Mar, pertinho de Jaraguá do Sul, que por sua vez fica perto de Joinville. Sua riqueza maior é a natureza, ela tem umas duas dezenas de cachoeiras. Só no Parque Emilio F. Battistela existe uma rota com quatorze delas - vide o site Http://br.geocities.com/corupasc.

Costumo repetir que "a natureza tem uma queda por Corupá", pois as mais belas quedas dágua estão lá. Há alguns anos, ainda no tempo da Rede Manchete, uma novela teve boa parte de seus capítulos gravados na cidade, e acho que os governantes de Corupá perderam excelente oportunidade de alavancar o turismo na cidade, já que as cachoeiras foram mostradas em "Ana Raia e Zé Trovão", assim como o Seminário da cidade, verdadeiro cartão postal, com duas frentes, sendo uma delas com aparência de um castelo medieval.

Corupá comemora cento e dez anos de emancipação, neste ano de 2007, e continua tendo uma enorme vocação turística, com suas inúmeras cachoeiras, rios, sua agricultura e um pouco da sua arquitetura.

Fazia um bom tempo que eu não revisitava o parque das cachoeiras. E como soube que passaram a cobrar entrada dos turistas que iam visitá-lo, fui lá recentemente, pois achei que veria muitas melhorias, novidades, investimentos na região, para que o visitante quisesse ir lá e tivesse como compensação do pagamento, além da possibilidade de admirar a beleza do roteiro das cachoeiras, que é belíssimo mas não acessível a qualquer pessoa.

Fiquei decepecionado. O acesso da cidade até o parque não teve nenhuma melhoria depois que passaram a cobrar entradas de cinco reais, exceto de crianças. Paguei a entrada e entrei, esperando que lá dentro houvesse alguma coisa nova, algum investimento na estrutura do parque. Esperança vã. Nada foi feito, pelo contrário, a impressão que se tem é que a parte que antecede a rota das cachoeiras está meio abandonada. A área coberta para o turista fazer lanche e churrasco continua do jeito que estava. As barracas de comercialização de cartões, suvenirs, etc, estavam fechadas. O restaurante que havia na parte interna do parque estava fechado, em parte porque os clientes que iam lá apenas para almoçar não subiam mais porque teriam que pagar o almoço mais a entrada, o que convenhamos, onerava bastante comer lá.

Fui apenas à primeira cachoeira, não fiz a rota, porque sei que é íngreme e tive medo que estivesse mais difícil do que já era. E deu vontade de ir até a última cachoeira, pois ela tem uma queda livre de cento e vinte e cinco metros.

Não consegui saber se a renda advinda do ingresso é angariada pelos donos do parque ou pela prefeitura da cidade, ou pelos dois. O que me disseram é que a arrecadação é para a manutenção do parque. Só que não vi nada lá que evidenciasse manutenção, além do estritamente indispensável, como limpeza da "ante-sala" da rota.

É bom frisar que não condeno a cobrança de uma taxa de manutenção para se ter acesso às cachoeiras, se o dinheiro for usado realmente para a manutenção, para melhorias que compensem o pagamento. Do jeito que está acho muito caro pagar cinco reais para não ter nada além do que já tínhamos quando não era cobrada nenhuma entrada: a beleza das cachoeiras. E olhe que não estou comentando a rota, porque só visitei a primeira cachoeira.

Fico muito triste em ver que todo o potencial turístico que a cidade tem não está sendo valorizado. Não sei qual é o interesse dos proprietários daquelas terras quanto às cachoeiras, também não sei qual o empenho, se há algum, da prefeitura da cidade em promover aquela grande atração turística. O que dá pra deduzir é que, se estão cobrando ingresso, precisam oferecer mais ao turista.

Espero que as coisas tenham melhorado quando voltar lá outra vez, porque aquela é uma terra belíssima e é preciso que se preserve suas belezas para que elas possam ser vistas por todos. Quem ainda não conhece a rota das Cachoeiras, não se intimide pela minha indignação, que elas são belíssimas. A rota é íngreme, mas a beleza que se descortina a nossa frente compensa. E tenho esperanças de que aquele patrimônio natural já esteja sendo melhor cuidado.



Esta é a primeira Cachoeira da Rota, a Cachoeira do Suspiro,
fotografada por mim mesmo.




Esta é a segunda fachada do Seminário Sagrado Coração de Jesus,
usado como a frente do castelo que havia na novela da Manchete.
(a foto também é minha).




Esta é a última cachoeira da rota de Corupá, chamada Salto Grande.




(19 de maio/2007)
CooJornal no 529