
01/09/2007
Ano 11 -
Número 544
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
APARÊNCIAS E VERDADES
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Vocês se lembram dos quatro
waimaraners, dos quais falei em “Desumanidades II”, há algumas semanas? Pois vou
falar deles mais uma vez e depois prometo não voltar mais ao assunto.
Depois da crônica que escrevi sobre os cães, fui à polícia, fiz um BO e
encaminhei, com uma denúncia, para uma entidade chamada Coordenadoria do Bem
Estar Animal, de Florianópolis. Eles me retornaram dizendo que não podiam fazer
nada, pois o problema estava localizado em São José. Deram-me dois telefones de
uma entidade estabelecida em São José, que identificaram apenas como “Amparo”: o
número de telefone fixo não existia e o celular caía numa caixa postal na qual
deixei recado, mas ninguém nunca retornou.
Falei com amigos meus de outras cidades, como a Urda, de Blumenau, que conhecia
uma pessoa aqui em Florianópolis que fazia um excelente trabalho em defesa dos
animais. Essa pessoa tentou acionar autoridades e entidades relacionadas com
assistência a animais e a ela juntaram-se outras, até que conseguiram descobrir
o nome e o endereço da dona dos animais abandonados. Isso levou semanas.
Enquanto isso, eu continuei dando comida aos cachorros, três deles, pois um dos
waimaraners havia desaparecido da casa há cerca de um mês. Dos três que
sobraram, um estava muito magro, quase esquelético e quase não comia,
continuando a emagrecer. Os outros dois, um deles sem uma pata, estavam bem,
voltaram a engordar, pois eu levava bastante comida, de cinco a dez quilos de
ração com arroz ou polenta.
As pessoas que estavam procurando acionar as autoridades para fazer com que os
cachorros fossem assistidos e alimentados regularmente, finalmente conseguiram
levar a polícia federal até a dona e depois até os cachorros. Acontece que a
dona sabia que a estavam procurando e soube que a polícia tinha conseguido
identificá-la. Então mandou colocar ração e água limpa na casa dos cães, mandou
limpar o terreno e assim, quando a polícia foi até lá, deram o caso como
encerrado. Estava tudo bem. O cachorro que havia morrido tinha morrido de velho,
o cachorro que estava doente tinha veterinário “particular”, ela adorava os
bichos, etc, etc. O que não sei é como os protetores e a polícia que lá
estiveram e viram o estado do cachorro doente e esquelético acreditaram que um
cão que chegou àquele estado tinha a assistência de veterinário. Ele estava só
pele e osso e não comia mais.
Senti-me indignado quando me mandaram o resultado da verificação que fizeram e
por ter passado por mentiroso. Uma veterinária que tem uma pet perto de onde
estão os cachorros já havia me alertado que era difícil tentar solucionar o
problema, pois ela mesma já tinha tentado e não tinha conseguido. Que a dona dos
bichos não devia ser muito boa da cabeça, pois a alimentação que ela dava a
eles, quando dava, era sebo bovino, aquele que a gente tira da carne que
compramos e jogamos fora. A veterinária tentara convencê-la de que aquilo não
era alimentação, mas não conseguira e a dona dos animais cortou relações com
ela.
Diante de tudo isso, parei de levar comida para os cães e não vou me envolver
mais. Não me arrependo de os ter alimentado por este mês e meio e de ter
denunciado o caso, embora não tenha tido o desfecho que deveria, pois a coisa
toda pode voltar a se repetir, os cães podem ficar de novo sem alimentação.
O que fez tudo valer a pena foi o fato de tiraram o cão doente de lá. Espero que
cuidem dele e que ele consiga reverter o quadro terrível em que se encontrava
até três dias atrás.
E espero, principalmente, que a dona continue a alimentar os cães, para que
também não morram de fome.
(01 de setembro/2007)
CooJornal no 544
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