
15/09/2007
Ano 11 -
Número 546
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
A BANALIZAÇÃO DA IMPUNIDADE
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Torna-se cada vez mais difícil educar nossos filhos, pequenos e adolescentes, diante da corrupção, irresponsabilidade e falta de vergonha na cara daqueles que deveriam dar exemplo de retidão e correção neste país. Como esperar que os jovens de hoje se tornem adultos dignos e honestos com a falta de ética e de moral grassando por todos os lados, começando pelos detentores do poder, as autoridades que comandam os destinos e o futuro de nossa gente e de nossa terra?
Só para exemplificar, cito dois casos: aí está o escândalo com o presidente do Senado sob uma enxurrada de acusações graves – e segundo a mídia, acusações com provas – e ele continua no cargo, tendo usado, inclusive, esse fato para se defender. E a votação para sua cassação deu em pizza: ele foi absolvido e continuará na “política”, acabando definitivamente com a credibilidade que o Congresso poderia ter junto ao povo, os eleitores, seus representados. Esse é o Brasil que queremos, onde a corrupção e a impunidade são lugar comum?
A CPMF – que quer dizer Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – foi criada há onze anos para angariar recursos que seriam destinados a socorrer a saúde, em estado de calamidade. Só que o dinheiro – altas cifras – nunca foram destinados à saúde, que continua cada vez pior. E os recursos arrecadados – vultosos recursos – para onde foram? As pessoas continuam morrendo nas portas de hospitais e postos de saúde, os hospitais continuam falindo, o atendimento médico é cada vez mais precário no Brasil, com as pessoas doentes esperando anos para serem atendidas. Se forem atendidas, pois podem morrer antes.
E depois de todos esses anos de arrecadação, sem que fosse usada para a finalidade para a qual foi imposta, ainda querem prorrogá-la. Com a desculpa, por parte do governo, de que se não for continuada, não haverá mais a “Bolsa Família”, que é outra coisa a ser discutida e conferida.
Há muito mais, mas só isso já seria demais para manter o equilíbrio entre o bem o mal, entre o certo e o errado. E a corrupção e a impunidade ainda trazem, atreladas a elas, a violência. Violência que se dissemina dia a dia, em todas as áreas, banalizando-a cada vez mais. É esse o futuro que queremos para nossas crianças?
(15 de setembro/2007)
CooJornal no 546
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