
17/11/2007
Ano 11 -
Número 555
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
A CIDADE DO LIVRO
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Finalmente fui visitar a Feira do
Livro de Porto Alegre. Participei com o lançamento de meu livro "Saudades de
Quintana" e "Borboletas nos Jacatirões", ambos de crônicas. No mesmo dia, minha
amiga Urda A. Klueger teve sua noite de autógrafos.
Demorei muito a ir à feira, pois gostaria de tê-la visitado quando Quintana
ainda era vivo, mas apesar da ausência do poeta menino, valeu a pena. Aliás, eu
nem diria ausência, pois a gente pode sentir a presença de Quintana por toda a
feira. É como se ele estivesse caminhando por lá, cumprimentando os visitantes,
caminhando entre eles.
Fiquei impressionado com o tamanho da feira. Ela é enorme, ocupa a Praça da
Alfândega, as suas imediações, o cais do Porto, parece uma Cidade do Livro.
Conjeturando aqui com meus botões, lembrei-me da Bienal do Livro do Rio e não
tive como não comparar. Se juntar tudo o que há da Feira do Livro de Porto
Alegre – a área Geral, a área infanto-juvenil, a área Internacional, ela é maior
do que a Bienal.
Não vou aborrecer o leitor com números, com dados técnicos – só vou dizer que a
feira ocupa míseros 26 mil metros quadrados - mas há lá um sem número de
estandes, há uma variedade infinita de oferta de livros novos e há sebos,
também, onde pode-se encontrar, de repente, bons livros por um precinho
camarada.
E não se paga entrada, pois a feira fica no meio da rua, no meio da praça, e o
público prestigia, é um vaivém constante de pessoas, eu diria que há até
acotovelamento, pois é um fluxo constante e intenso de visitantes, não só nos
finais de semana ou feriado, mas nos dias de semana também. Não é à toa que a
Feira do Livro de Porto Alegre é a precursora das feiras do livro, a mais
tradicional do Brasil.
Os moradores de Porto Alegre já absorveram como um grande festa tradicional e
popular e ela faz parte do calendário da cidade.
Além dos livros, dos escritores que passam por lá, uma atração indiscutível,
quase dentro da feira (na verdade, acho que é dentro da feira, pois ela abriga
atividades da feira) é a Casa de Cultura Mário Quintana, localizada no prédio do
antigo Hotel Majestic, construção belíssima e imponente, onde o poeta morou
grande parte do tempo que viveu em Porto Alegre. Lá está até o quarto de
Quintana, preservado, como era quando ele se foi. Muitas fotos, muita
informação, muitos livros, muito sobre o poeta passarinho. Estar lá é uma emoção
muito grande. Pode até parecer exagero, mas dá pra sentir uma energia boa,
tomando conta da gente.
No âmbito da feira está, também, o Santander Cultural, o Centro Cultural Érico
Veríssimo e o Memorial do Rio Grande do Sul, onde ocorrem atividades paralelas
ligadas ao evento. Perto, está o Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Há muito o
que se ver, muita cultura para se absorver. O lugar da feira foi muito bem
escolhido, unindo a cultura e o conhecimento dos livros à cultura e tradição da
cidade e do estado.
(17 de novembro/2007)
CooJornal no 555
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