
08/12/2007
Ano 11 -
Número 558
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
A LITERATURA REGIONAL NAS ESCOLAS
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Participei do Festival Lítero Cultural, promovido por um grande colégio de
primeiro e segundo graus de Jaraguá do Sul, no final de outubro. A iniciativa é
das melhores e o resultado teve mais pontos positivos do que negativos. Foi a
primeira edição do evento, realizado na Semana do Livro, embora contemplasse
outras artes, como dança e teatro, além da literatura.
Algumas livrarias, inclusive de fora do estado, estavam lá oferecendo uma gama
diversificada de livros e alguns escritores, como eu, Urda A. Klueger, Lorreine
Beatrice e Anair Weirich também se fizeram presentes, autografando seus livros,
dando palestras para os estudantes, fazendo sessões de contação de histórias,
apresentando atividades que incentivassem a leitura.
Qualquer coisa que façamos para que os leitores de pouca idade ou em formação se
aproximem dos livros é bom. Mas uma coisa que me chamou a atenção, naquela quase
feira do livro é que havia muitos livros de histórias e aventuras com
personagens conhecidos, sempre presentes na mídia. Livros com marketing pronto,
pois as crianças já conhecem as personagens de desenhos animados, de filmes, de
seriados, etc., e vão direto neles. Não falo de Harry Potter e outros do gênero,
não, falo de coisa mais comercial mesmo. Livros de literatura clássica
brasileira e universal, vi quase nada.
Como eu já disse, é a primeira edição do festival, nas próximas oportunidades
algumas coisas poderão ser corrigidas, mas o que percebi me lembrou um
distribuidor de livros que me contou, outro dia, que numa determinada escola no
Paraná a diretora o chamou, verificou todos os títulos e só deixou entrar na
mostra os livros literários. Há livros e livros, e eu tenho que concordar com
essa diretora.
Outra coisa que me impressionou veio à tona nas palestras que dei. Numa turma de
quinta ou sexta série, tive uma conversa ótima, o pessoal mais jovem é curioso,
interessado, gosta de perguntar. Falamos de tudo um pouco, mas quando perguntei
quais eram os escritores da terra, da cidade, que eles conheciam, ninguém se
manifestou. E eles existem na cidade deles, tenho amigos lá que têm romances
publicados, livros de poemas, etc. Sei que os professores de Literatura não são
culpados sozinhos desse estado de coisas, é o próprio ensino, a educação
brasileira em geral que não dá espaço, no conteúdo programático, para que se
aborde literatura regional. Uma pena.
Na outra palestra, para alunos de sétima e oitava, fiz a mesma pergunta achando
que seria mais feliz, mas a resposta foi a mesma: silêncio. Muitos deles
lembravam o nome da autora de Harry Potter e de outros livros de aventuras
fantástico-maravilhosas, mas autores da terra ou de um clássico da poesia
catarinense como Luiz Delfino, não.
Minha esperança é que o fato de já terem lido livros mais alentados os façam
diversificar o leque de escolhas. É preciso.
(08 de dezembro/2007)
CooJornal no 558
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