24/05/2008
Ano 11 - Número 582

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim

 

A PRIMEIRA PROFESSORA


 


 

Tenho voltado a Corupá e passeado por lá para rever pessoas e lugares. Os lugares estão quase todos lá, um pouco mudados pelo tempo que já passou - as casas onde morei não as encontrei mais, uma delas nem consegui determinar a localização. As pessoas, poucas revi. Talvez elas até estejam lá, mas já não as reconheço, assim como elas também não me reconheceriam.

Fui ao Grupo Escolar Teresa Ramos, onde estudei – o sobrenome continua igual, mas o nome mudou e a escola também. Hoje tem o triplo do tamanho, ou mais, mas continua sendo a escola estadual da cidade.

Levei alguns livros meus que ainda não faziam parte do acervo da biblioteca da escola e pretendia verificar quais ainda ficariam faltando, para levá-los. Mas o bibliotecário não estava e voltarei outro dia.

E fui levar meu livro mais recente, “Borboletas nos Jacatirões”, para a professora Elizabete Voltolini, minha primeira professora. Sempre levei meus livros para ela, mas fazia tempo que não falava com ela. Encontrei-a em sua casa, na pracinha do centro de Corupá, o mesmo sorriso meigo, o olhar terno, os traços suaves e delicados. O tempo passa e é implacável com todos nós, mas parece ter sido complacente com ela, pois seu rosto ainda conserva a beleza da professorinha de quarenta e tantos anos atrás, a voz doce e acalentadora e a alma límpida e transparente.

Que saudade, professora Elizabete. Que bom poder lhe ver de novo, falar com você, beijar a sua mão. Vou lembrar sempre da primeira professora, que me ensinou a ler e me ensinou a escrever, que tinha o poder de ensinar com uma facilidade incrível, costurando os assuntos contando uma história, que ela também é ótima contadora de histórias.

Hoje, que também sou professor, sei que aquilo era didática aplicada, didática da mais alta qualidade, aplicada de maneira eficiente e eficaz.

Presto aqui a minha homenagem a minha primeira professora, o símbolo do exercício de um ensino competente que deve servir de modelo para todos nós.


(24 de maio/2008)
CooJornal no 582