
31/05/2008
Ano 11 -
Número 583
ARQUIVO AMORIM
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Luiz Carlos Amorim
Comprometimento
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A professora Eliane Debus, também escritora,
convidou-me para uma palestra sobre poesia e literatura na Unisul, num sábado
desses. A turma do curso de Letras, composta de adultos, de idades a partir de
dezoito anos, já me impressionou pelo simples fato de estarem todos presentes à
aula, num sábado lindão de muito sol e céu muito azul. Mas foi conversando com
eles que ganhei o dia, pois conheci pessoas fantásticas, antenadas, politizadas,
conscientes da atual situação do nosso mundo, do nosso espaço e do nosso tempo,
preocupadas em fazer alguma coisa para melhorar a nossa cidade, o nosso estado,
o nosso país, melhorar a vida das pessoas que vivem neles. Vi comprometimento
naquelas pessoas, vi um objetivo claro, qual seja o de atuar na sociedade para
que haja mudanças de atitudes e comportamento para tornar a vida melhor e
conservar a humanidade de todos nós.
Falamos de poesia, de literatura, de natureza, de gente, de tudo. Alguém me
pediu para resumir, em uma palavra, o que significava poesia, para mim, e
respondi “sentimento”. Mas fiquei pensando sobre isso e ligando o que outra
pessoa do grupo havia me perguntado, sobre se nós, do Grupo Literário A ILHA nos
preocupávamos com a proposta que poderia haver ou não em nossos poemas, no nosso
trabalho, e cheguei à conclusão de que deveria ter complementado minha resposta.
Por que a proposta que a literatura deve conter deve ser, sim, uma das
principais preocupações de quem escreve. E o sentimento que para mim traduz a
poesia, não é simplesmente o sentimento amoroso, fraterno, contemplativo, ele
pode e deve ser também o sentimento de revolta contra o desrespeito à natureza,
ao ser humano e à vida. Sentimento de indignação contra a violência, contra a
corrupção do ser humano, contra a degradação do meio-ambiente, contra os
desmandos do poder. Sim, porque devemos nos indignar. Não podemos aceitar tudo e
compactuar com o que acontece ao nosso redor.
E a literatura, seja prosa ou poesia, é uma arma poderosa para nos levantarmos e
darmos uma sacudidela vigorosa no acomodamento de todos nós, para refletirmos e
agirmos.
(31 de maio/2008)
CooJornal no 583
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