27/07/2012
Ano 16 - Número 797

 

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ANA LUIZA LIBÂNIO



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Ana Luiza Libânio


Você sofre de Triscaidecofobia?
 

Ana Luiza - CooJornal

Muitas garotas têm gosto pelo ballet. Talvez a beleza dos movimentos, o luxo das fantasias, ou o glamour da dança no palco. Sabe-se lá o que se passa pela cabeça de uma menina. Comigo foi assim até chegar à sapatilha de ponta e ter contato com a triscaidecofobia. Depois deles, o sonho de dançar com Mikhail Baryshnikov se desmantelou.

Passar algumas horas do dia sobre as pontas dos dedos dos pés dói. Imagine seus pés dentro de calçados justos, feitos à mão a partir de pedaços de cetim cuidadosamente cortados e forrados com tecido de algodão e presos a uma sola de papelão, a camadas de tecidos embebidos em grude que endurece e cobertos por uma camada de cimento adesivo e mais cetim.

Subir nessas pontas e dançar para uma banca que decidirá se você merece ou não vaga na companhia de dança, também pode ser doloroso. E quando você entra na fila e dentre as 50 meninas você se vê o número 13, pode ser preocupante. Sobretudo se quem lhe entrega o número é uma senhora portadora da contagiosa, incurável, antiga fobia: a triscaidecofobia, assustadora palavra utilizada para se referir ao aterrorizante número 13, ou melhor, à superstição que o rodeia.

A origem desse medo é incerta. Parece ter surgido lá na santa ceia, quando o número de convidados estava certo, pareado, e surgiu um outro, o número 13. Há quem diga que Adão e Eva foram expulsos do Éden no décimo terceiro dia da existência do mundo. Ademais, acredita-se que Jesus tenha sido crucificado no dia 13. E esse caso foi ainda pior, era sexta-feira.

E para alimentar o desgosto pelo número 13, pessoas que gostam de botar lenha na fogueira contam: em uma sexta-feira 13, Jacques de Molay, nobre militar da Ordem dos Templários foi preso e alguns dias depois queimado; vários serial killers carregam alcunha cuja soma das letras do primeiro e do último nome é igual a 13; o saque a Constantinopla foi em uma sexta-feira 13.

O fenômeno do número 13 é tão forte que pessoas não querem iniciar viagens, casamentos, férias nesse dia, sobretudo se for sexta-feira. Aparentemente, esse número irregular é tão sinistro que os Estados Unidos chegam a perder milhões de dólares porque supersticiosos evitam fazer transações com essa data. E acredite se quiser, há prédios na América do Norte em que do andar 12 você vai para o 14.

Não comprovei essas teorias; não quero comprová-las. Não creio em bruxas. Mas por via das dúvidas, da próxima vez que eu fizer um teste de ballet, serei delicada com a garota de trás; darei meu lugar a ela e ficarei com o número 14.

E se você vive em país asiático, observe a tetrafobia nos cidadãos e avalie a necessidade de não carregar em si o número 4.



(27 de julho/2012)
CooJornal nº 797



Ana Luiza Libânio é escritora e tradutora
MG
anadantas30@gmail.com
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