18/10/2013
Ano 17 - Número 862


 

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ANA LUIZA LIBÂNIO




 

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Ana Luiza Libânio



Feche os olhos e leia

Ana Luiza - CooJornal

Encanta-me o que posso ver quando meus olhos estão fechados.
Não sou feita de um, dois, nem seis sentidos. São tantos os sentidos.
E sentido algum.
Não faço sentido. Mas sinto o que faço.
Eu sou o que vejo com meus ouvidos. Saboreio os tons que escapam dos lábios de quem me vê. Com meu ser, toco o que vejo. Os aromas, vivo.
Por isso, se fechar os olhos, ainda escreverei em tons que expressam o mundo.

Encanta-me o que não é necessário dizer para que se faça ouvir.
O canto é da alma.
O ouvido é corpo.
Degusto a tua presença e a dele também. Mesmo que no amargo da distância. Quando escuto tua voz na memória da alma que vê em sonho o concreto pedido para me abstrair da definitividade da morte do ser que era e sempre será, enquanto lembrança existir. Não em objetos. Mas nos olhos que nem você, nem ninguém, pode ver.

Escrevo para dizer que me encanta escrever o que não se pode ler com os olhos, enquanto você sente o que não está escrito.

Assim, toco a inexistência de todos nós:
Eu e você, nestas letras, nestas palavras, nos espaços
e n t r e l e t r a s
e   entre   palavras.

Encanta-me escrever de olhos fechados.



(18 de outubro/2013)
CooJornal nº 862



Ana Luiza Libânio é escritora e tradutora
MG
analuizalibanio@gmail.com
www.analuizadantas.com
www.facebook.com/AnaLuizaLibanioDantas
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