29/11/2013
Ano 17 - Número 868


 

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ANA LUIZA LIBÂNIO




 

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Ana Luiza Libânio



Matei o trabalho e fui ao concerto

Ana Luiza - CooJornal

A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio”
Friedrich Nietzsche


Em plena quarta-feira, fim de mês e de ano, agenda cheia, matei o trabalho e fui ao concerto. Não resisti, desliguei o computador às seis horas da tarde e me arrumei para o evento: 9a sinfonia de Beethoven precedida da Abertura de Fidélio.

A única ópera composta por Beethoven teve sua versão definitiva concluída em 1814, depois de duas versões: uma em 1805 e a segunda em 1806. A personagem principal, que dá nome à obra, se disfarça de homem e usa o nome Fidélio para salvar o marido preso em uma masmorra. A fim de conseguir executar seu plano, ela (Leonora) — no caso, ele (Fidélio) — trabalha como ajudante de carcereiro. Quando o marido, Florestan, está ameaçado de morte, Leonora/Fidélio impede que ele seja morto e os dois conseguem a liberdade. A peça termina com uma celebração ao amor. Considerada feminista, política, progressista e libertária, a ópera Fidélio é até hoje valorizada como uma das mais importantes obras desse estilo.

A 9a sinfonia — também conhecida como “Coral” — Beethoven começou a compor em 1815 e terminou em 1824. Inicialmente, a obra seria apenas orquestral, mas ele mudou de planos e compôs o movimento final com vozes. O canto trata-se de parte do poema “Ode à Alegria”, escrito por Friedrich Schiller.

Ó, amigos, mudemos de tom! / Entoemos algo mais prazeroso e mais alegre! / Alegria, formosa centelha divina […] Quem já conseguiu o maior tesouro de ser o amigo de um amigo / quem já conquistou uma mulher amada / rejubile-se conosco! […] Todos os seres bebem da mesma água no seio da Natureza. / Todos os bons, todos os maus, seguem seus caminhos de rosas. / A alegria nos deu beijos, vinho e um amigo leal até a morte. / Deu força para a vida aos mais humildes / e ao querubim, a contemplação diante de Deus!

Ludwig van Beethoven já estava doente e debilitado quando compôs essa que foi sua última sinfonia, uma das mais belas obras musicais de todos os tempos e cuja estreia foi ovacionada com entusiasmo em Viena, dia 7 de março de 1824. O sucesso persistiu ao longo dos séculos e influenciou outros compositores, como por exemplo, Wagner, responsável por nos emocionar com as óperas “A Valquíria” e “Tristão e Isolda”.

Dentre as composições de Beethoven está a 3a sinfonia, também conhecida pelo nome de “Heroica”, criada no tempo em que ele viveu no campo por recomendação médica devido a sua progressiva surdez.

Na constante luta contra sua doença, em Viena, o compositor viveu de concerto em concerto, de mulher em mulher, de casa em casa, a compor belíssimas peças que sempre emocionaram e ainda emocionarão muitas pessoas.

Aos 56 anos, em 26 de março, Ludwig van Beethonven faleceu em decorrência de o que pode ter sido cirrose hepática.

Em 27 de novembro de 2013, senti violinos, violas, violoncelos, flautas, oboés, clarinetas, fagotes, contrafagotes, trompetes, trombones, percussão e vozes, ao vivo, tocar minha essência e, mais uma vez, fazer de minha vida uma experiência muito além de “tarefa cansativa e exílio”.

Rejubilei-me!

Dedico esta crônica ao querido amigo e “sobrinho emprestado” Matheus, que aos sete anos de idade aprendeu a tocar a 9a sinfonia de Beethoven.


(29 de novembro/2013)
CooJornal nº 868



Ana Luiza Libânio é escritora e tradutora
MG
analuizalibanio@gmail.com
www.analuizadantas.com
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