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10/02/2007
Ano 10 - Número 515

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Anderson Fabiano
Em festa de rato, não pode
faltar queijo
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Fico imaginando o estado de euforia, histeria mesmo, que deve estar
rolando na rede de esgotos da cidade. Os primos pobres do Tim Mickey Sam,
devem estar se refestelando com a milionária bosta de nossos patrícios
cucarachos. Felizes os ratos de uma cidade onde, às mesas, podem se fartar
de tanto pernil, tender, chester e bacalhau, numa única semana.
E a birita? Das duas, uma: ou a rataria vai entrar em profunda hibernação,
no melhor estilo daqueles ursos que a gente vê no Discovery, ou, como numa
reive, vai rolar um porre coletivo e muita ratazana doidona vai encarar
pneu de ônibus na Rio Branco, pensando ser estação espacial de odisséia no
espaço. É o paradoxo natalino: um dos povos mais duros do mundo, gastando
como cidadão de primeiro mundo.
Como se não bastasse tanta sandice, ainda vem o telejornal da Plim-plim,
pautando matérias sobre como pagar IPTU, IPVA, Lista de material escolar e
o escambáu com o tal prometido salário mínimo, que não pode ser aumentado
por causa dos aposentados. E ai, tome de Zé povinho debruçado sobre
caderninho de espiral e calculadora de 1,99, tentando recompor a
realidade.
Engraçado, que a mesma TV que veiculou um monte de promessas malucas dos
anunciantes, encheu os ouvidos da classe “café com leite”, provando por
a+b, que o 13° da rapaziada dava para comprar até viagem à Lua e que, quem
não desse presentes no Natal ia para o inferno e a mãe nunca mais
receberia em casa, vem agora, com ar de preocupada, puxar a orelha dos
gastadores.
Os shoppings ganharam, o comércio ganhou, as churrascarias ganharam, os
supermercados também. Os cartões de crédito, então...vixe! Até os guardas
de trânsito, carteiros, lixeiros se deram bem. Resultado: Tem neguinho aí,
que vai trabalhar até São João para pagar o que gastou e não podia. Mas,
eu avisei! Me chamaram de estraga-prazeres, corta-onda, Zé Ruela, etc e
tal. Eu disse para quem quis ouvir, que o dia 1° era apenas o dia seguinte
do dia 31, com uma festa barulhenta no meio. O povão não deu a mínima.
Meteu um branquinho básico, virou macumbeiro da noite para o dia, jogou
umas flores no mar e só se deu conta da merda que fez, depois que passou a
ressaca da sidra e o inevitável enterro dos ossos que, nessa época,
costuma durar uns três dias de rabanadas geladas com tâmaras, molho de
presunto com arroz azedo de passas (não é variedade de sushi) e fatias
ressecadas de peito de peru.
Felizes os ratos dessa cidade! Os do submundo, de emissários submarinos,
línguas negras e valas da periferia e os da superfície que, mesmo quando
pagos para nos tirar dessa zorra, são os primeiros a nos afundar na bosta.
Mas, nem tudo está perdido! Afinal, não é reconfortante saber que um
suplente de deputado federal recebe R$ 85 mil, por um mês inteirinho de
trabalho? Em pleno recesso parlamentar?
Adoro esse país!
(10 de fevereiro/2007)
CooJornal no 515
Anderson Fabiano,
escritor, Publicitário, jornalista
andersonfabiano137@hotmail.com
RJ
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